Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Política
Mulheres de esquerda querem reeditar os atos Ele Não no Dia da Mulher

Sábado, 16/2/2019 5:25.
Divulgação

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JOELMIR TAVARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Elas gritaram "ele não" para tentar evitar a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), não conseguiram, mas não desistiram de suas bandeiras.

Mulheres organizadas em partidos, movimentos de esquerda e grupos feministas querem ocupar as ruas de novo no Dia da Mulher, 8 de março.

Embora sejam vistas como uma reedição dos atos Ele Não -que antes da eleição reuniram milhares de pessoas em dezenas de cidades-, as manifestações desta vez não têm alvo único e determinado.

Combate ao feminicídio, punição aos culpados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e condições justas para as mulheres na reforma da Previdência são algumas das pautas contidas no mote oficial dos atos.

O lema completo, já espalhado nas convocações via redes sociais, é: "Mulheres contra Bolsonaro! Vivas, por Marielle! Em defesa da Previdência, democracia e direitos".

Por trás do cartaz estão voluntárias, coletivos locais e grupos de maior expressão que também articularam os eventos da época da campanha eleitoral. Os maiores públicos foram em São Paulo, Rio, Brasília e Salvador.

Parte dos envolvidos na produção é ligada a siglas como PSOL, PT, PC do B e PSTU. De novo, há a preocupação de que nenhum partido ou político use a iniciativa para se promover. A intenção é que ela seja suprapartidária.

Na capital paulista, a concentração será no Masp, na avenida Paulista, às 16h.

O 8 de março, diz Mariana Riscali, da executiva nacional do PSOL, é uma data tradicional para os movimentos sociais. "O ato acaba refletindo preocupações do momento. Foi assim quando o [deputado Eduardo] Cunha quis dificultar o acesso ao aborto legal. Ali pedimos 'fora, Cunha'."

Seria natural, continua ela, lembrar neste ano "o primeiro ano do assassinato da Marielle, a política de armas do governo que atinge diretamente as mulheres vítimas de violência doméstica, as propostas que interditam a discussão de gênero na sala de aula, criando a escola com mordaça".

Pessoas envolvidas na convocação se animam com a quantidade de mulheres que estão indo às reuniões de planejamento. Relatam que encontros preparatórios em São Paulo, Rio e Brasília já atraíram entre 150 e 200 mulheres.

Marcha Mundial das Mulheres e União Brasileira de Mulheres são duas das entidades independentes que participam das discussões, entre outros coletivos que abordam temas de gênero e raça.

"A meta é ir além do que foi o 'Ele não'", afirma Marcela Azevedo, do Mulheres em Luta, ligado ao movimento sindical Conlutas. "Agora a gente precisa dialogar também com quem votou no Bolsonaro, abrir um canal com o conjunto das mulheres da sociedade. O momento é outro."

Nos atos do segundo turno da disputa presidencial, cartazes e gritos criticaram propostas do então candidato, relacionando-o a atitudes consideradas machistas, misóginas, homofóbicas e racistas.

Artistas como os atores Renata Sorrah, Caco Ciocler, Sônia Braga e Camila Pitanga, os cantores Daniela Mercury e Arnaldo Antunes e a apresentadora Fernanda Lima aderiram à campanha.

​Pelo mundo, houve protestos em Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Paris (França), Londres (Inglaterra), Lisboa (Portugal), Nova York (EUA), Washington (EUA) e Barcelona (Espanha).

Aliados e eleitores de Bolsonaro criticaram as manifestações. Parte reagiu ironicamente, passando a propagar o mote oposto, "ele sim".

Como os atos do próximo mês ocorrerão com o governo já em andamento, a comparação que tem sido feita é com um evento similar ocorrido nos Estados Unidos em 2017.

Em janeiro daquele ano, um dia após a posse de Donald Trump como presidente, mais de 500 mil mulheres, homens e crianças, muitas com gorros e roupas cor-de-rosa, saíram às ruas de Washington.

A Marcha das Mulheres contra Trump reuniu manifestantes em outras cidades do país e outros países para rebater discursos do governante recém-eleito e defender direitos das mulheres e das minorias.

Personalidades como as cantoras Madonna e Alicia Keys, as atrizes Scarlett Johansson, Ashley Judd e America Ferrera e o cineasta Michael Moore fizeram discursos.

As passeatas vêm se repetindo anualmente desde então.


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Mulheres de esquerda querem reeditar os atos Ele Não no Dia da Mulher

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Sábado, 16/2/2019 5:25.

JOELMIR TAVARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Elas gritaram "ele não" para tentar evitar a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), não conseguiram, mas não desistiram de suas bandeiras.

Mulheres organizadas em partidos, movimentos de esquerda e grupos feministas querem ocupar as ruas de novo no Dia da Mulher, 8 de março.

Embora sejam vistas como uma reedição dos atos Ele Não -que antes da eleição reuniram milhares de pessoas em dezenas de cidades-, as manifestações desta vez não têm alvo único e determinado.

Combate ao feminicídio, punição aos culpados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e condições justas para as mulheres na reforma da Previdência são algumas das pautas contidas no mote oficial dos atos.

O lema completo, já espalhado nas convocações via redes sociais, é: "Mulheres contra Bolsonaro! Vivas, por Marielle! Em defesa da Previdência, democracia e direitos".

Por trás do cartaz estão voluntárias, coletivos locais e grupos de maior expressão que também articularam os eventos da época da campanha eleitoral. Os maiores públicos foram em São Paulo, Rio, Brasília e Salvador.

Parte dos envolvidos na produção é ligada a siglas como PSOL, PT, PC do B e PSTU. De novo, há a preocupação de que nenhum partido ou político use a iniciativa para se promover. A intenção é que ela seja suprapartidária.

Na capital paulista, a concentração será no Masp, na avenida Paulista, às 16h.

O 8 de março, diz Mariana Riscali, da executiva nacional do PSOL, é uma data tradicional para os movimentos sociais. "O ato acaba refletindo preocupações do momento. Foi assim quando o [deputado Eduardo] Cunha quis dificultar o acesso ao aborto legal. Ali pedimos 'fora, Cunha'."

Seria natural, continua ela, lembrar neste ano "o primeiro ano do assassinato da Marielle, a política de armas do governo que atinge diretamente as mulheres vítimas de violência doméstica, as propostas que interditam a discussão de gênero na sala de aula, criando a escola com mordaça".

Pessoas envolvidas na convocação se animam com a quantidade de mulheres que estão indo às reuniões de planejamento. Relatam que encontros preparatórios em São Paulo, Rio e Brasília já atraíram entre 150 e 200 mulheres.

Marcha Mundial das Mulheres e União Brasileira de Mulheres são duas das entidades independentes que participam das discussões, entre outros coletivos que abordam temas de gênero e raça.

"A meta é ir além do que foi o 'Ele não'", afirma Marcela Azevedo, do Mulheres em Luta, ligado ao movimento sindical Conlutas. "Agora a gente precisa dialogar também com quem votou no Bolsonaro, abrir um canal com o conjunto das mulheres da sociedade. O momento é outro."

Nos atos do segundo turno da disputa presidencial, cartazes e gritos criticaram propostas do então candidato, relacionando-o a atitudes consideradas machistas, misóginas, homofóbicas e racistas.

Artistas como os atores Renata Sorrah, Caco Ciocler, Sônia Braga e Camila Pitanga, os cantores Daniela Mercury e Arnaldo Antunes e a apresentadora Fernanda Lima aderiram à campanha.

​Pelo mundo, houve protestos em Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Paris (França), Londres (Inglaterra), Lisboa (Portugal), Nova York (EUA), Washington (EUA) e Barcelona (Espanha).

Aliados e eleitores de Bolsonaro criticaram as manifestações. Parte reagiu ironicamente, passando a propagar o mote oposto, "ele sim".

Como os atos do próximo mês ocorrerão com o governo já em andamento, a comparação que tem sido feita é com um evento similar ocorrido nos Estados Unidos em 2017.

Em janeiro daquele ano, um dia após a posse de Donald Trump como presidente, mais de 500 mil mulheres, homens e crianças, muitas com gorros e roupas cor-de-rosa, saíram às ruas de Washington.

A Marcha das Mulheres contra Trump reuniu manifestantes em outras cidades do país e outros países para rebater discursos do governante recém-eleito e defender direitos das mulheres e das minorias.

Personalidades como as cantoras Madonna e Alicia Keys, as atrizes Scarlett Johansson, Ashley Judd e America Ferrera e o cineasta Michael Moore fizeram discursos.

As passeatas vêm se repetindo anualmente desde então.


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