Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Política
Caso dos laranjas do PSL leva à primeira queda de ministro de Bolsonaro

Gustavo Bebianno deixa a Secretaria-Geral da Presidência

Terça, 19/2/2019 6:27.

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BRASÍLIA, DF, RECIFE, PE, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise política causada pela revelação de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL levou à primeira queda de ministro do governo Jair Bolsonaro, que completou 49 dias nesta segunda-feira (18).

A exoneração de Gustavo Bebianno do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência foi confirmada à tarde pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. Minutos depois, Bolsonaro divulgou um vídeo com elogios ao ex-auxiliar e dizendo acreditar na seriedade dele.

O general da reserva Floriano Peixoto, secretário-executivo da pasta, foi anunciado como substituto no posto.

Bebianno se tornou o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto depois que a Folha de S.Paulo revelou a existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral. O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.

Como presidente do PSL, Bebianno foi responsável formal pela liberação de verba pública para todos os candidatos do partido. Sua ligação próxima com o presidente o alçou a um ministério dentro do Palácio do Planalto.

A queda do ministro já havia sido adiantada por Bolsonaro a ele e auxiliares desde sexta (15), sendo negociados desde então detalhes da demissão.

Foram oferecidos outros cargos a Bebianno (uma diretoria em Itaipu, que foi confirmada pelo próprio ex-ministro, e as embaixadas de Roma e Lisboa), mas ele não aceitou.

A saída precoce de Bebianno preocupa aliados do presidente pelo potencial explosivo de supostas ameaças que ele estaria fazendo nos bastidores.

No domingo (17), Bebianno disse que, fora do governo, não pretende atacar Bolsonaro, mas há a expectativa de que ele mire no vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, que alavancou a crise ao chamar o agora ex-ministro de mentiroso, sendo endossado pelo pai.

Em meio ao temor dentro do governo de possíveis revelações do ex-braço direito na campanha, Bolsonaro gravou um vídeo agradecendo ao trabalho de Bebianno e dizendo acreditar na "seriedade e qualidade de seu trabalho".

"Desde a semana passada, diferentes pontos de vista sobre questões relevantes trouxeram a necessidade de uma reavaliação. Avalio que pode ter havido incompreensões e questões mal entendidas de parte a parte, não sendo adequados pré-julgamentos de qualquer natureza", afirmou Bolsonaro na mensagem.

O presidente não fez menção às suspeitas do esquema de candidaturas de laranjas revelado pela Folha de S.Paulo e que também envolve outro ministro de seu governo -Marcelo Álvaro Antônio, titular do Turismo e sob suspeita pela campanha em Minais Gerais.

O porta-voz Otávio Rêgo Barros foi questionado pela reportagem sobre a situação do ministro do Turismo e respondeu não haver decisão do presidente de exonerá-lo. "Não cabe avançar qualquer suposição nesse caso", afirmou.

A saída de Bebianno fortaleceu a ala militar no governo, que tentou evitar a demissão inicialmente, mas, depois de consolidada, impôs o nome do general da reserva Floriano Peixoto para substitui-lo.

Além do temor de eventuais revelações de Bebianno, uma preocupação no governo agora é a dificuldade para viabilizar projetos no Congresso, já que a fritura do ex-ministro e a influência do filho do presidente provocaram desgaste na própria bancada do PSL.

Com a saída do ministro da Secretaria-Geral, a comunicação do governo com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, fica restrita à equipe econômica. Bebianno era o único do primeiro escalão do Planalto a falar diretamente com Maia, que é desafeto do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

O presidente da Câmara e o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegaram a entrar no circuito para tentar evitar a saída de Bebianno, com o discurso de que a queda do ministro poderia colocar em risco as negociações da reforma da Previdência, que chega ao Congresso nesta semana.

Mas a gota-d'água para a demissão, segundo integrantes do Planalto, foi o vazamento de diálogos privados entre Bolsonaro e Bebianno, exclusivos da Presidência, ao site O Antagonista e à revista Veja.

Bolsonaro e Bebianno tiveram um encontro ríspido na sexta-feira sobre o tema.

A série de reportagens da Folha de S.Paulo sobre o caso de laranjas começou em 4 de fevereiro mostrando que o ministro do Turismo havia patrocinado o esquema em Minas -onde ele presidia a sigla.

O comando nacional do PSL repassou R$ 279 mil de verba pública a quatro candidatas de fachada no estado -que juntas somaram só 2.000 votos. Parte do gasto que elas declararam foram para empresas com ligação com o gabinete de Álvaro Antônio na Câmara. O ministro nega irregularidades.

No último dia 10, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que o PSL criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018.

Ela teve 274 votos e gastou R$ 380 mil em uma gráfica com endereço de fachada, sem máquinas para impressões em massa.

O dinheiro foi liberado por Bebianno, que presidia o partido na ocasião. Naquele mesmo dia, em entrevista à rádio CBN, ele afirmou que a responsabilidade pelo repasse dos recursos foi do deputado federal Luciano Bivar, presidente atual do PSL, cujo reduto eleitoral é Pernambuco.

À Folha de S.Paulo Bivar jogou a decisão para Bebianno: "Quem decidiu foi a [direção] nacional, na época eu não era presidente. Nem da nacional nem no estado". Ata do PSL divulgada pela Folha de S.Paulo entregou a Bebianno a responsabilidade pelos repasses dessa verba.

Candidata laranja em Pernambuco, Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.


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Caso dos laranjas do PSL leva à primeira queda de ministro de Bolsonaro

Gustavo Bebianno deixa a Secretaria-Geral da Presidência

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Terça, 19/2/2019 6:27.

BRASÍLIA, DF, RECIFE, PE, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise política causada pela revelação de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL levou à primeira queda de ministro do governo Jair Bolsonaro, que completou 49 dias nesta segunda-feira (18).

A exoneração de Gustavo Bebianno do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência foi confirmada à tarde pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. Minutos depois, Bolsonaro divulgou um vídeo com elogios ao ex-auxiliar e dizendo acreditar na seriedade dele.

O general da reserva Floriano Peixoto, secretário-executivo da pasta, foi anunciado como substituto no posto.

Bebianno se tornou o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto depois que a Folha de S.Paulo revelou a existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral. O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.

Como presidente do PSL, Bebianno foi responsável formal pela liberação de verba pública para todos os candidatos do partido. Sua ligação próxima com o presidente o alçou a um ministério dentro do Palácio do Planalto.

A queda do ministro já havia sido adiantada por Bolsonaro a ele e auxiliares desde sexta (15), sendo negociados desde então detalhes da demissão.

Foram oferecidos outros cargos a Bebianno (uma diretoria em Itaipu, que foi confirmada pelo próprio ex-ministro, e as embaixadas de Roma e Lisboa), mas ele não aceitou.

A saída precoce de Bebianno preocupa aliados do presidente pelo potencial explosivo de supostas ameaças que ele estaria fazendo nos bastidores.

No domingo (17), Bebianno disse que, fora do governo, não pretende atacar Bolsonaro, mas há a expectativa de que ele mire no vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, que alavancou a crise ao chamar o agora ex-ministro de mentiroso, sendo endossado pelo pai.

Em meio ao temor dentro do governo de possíveis revelações do ex-braço direito na campanha, Bolsonaro gravou um vídeo agradecendo ao trabalho de Bebianno e dizendo acreditar na "seriedade e qualidade de seu trabalho".

"Desde a semana passada, diferentes pontos de vista sobre questões relevantes trouxeram a necessidade de uma reavaliação. Avalio que pode ter havido incompreensões e questões mal entendidas de parte a parte, não sendo adequados pré-julgamentos de qualquer natureza", afirmou Bolsonaro na mensagem.

O presidente não fez menção às suspeitas do esquema de candidaturas de laranjas revelado pela Folha de S.Paulo e que também envolve outro ministro de seu governo -Marcelo Álvaro Antônio, titular do Turismo e sob suspeita pela campanha em Minais Gerais.

O porta-voz Otávio Rêgo Barros foi questionado pela reportagem sobre a situação do ministro do Turismo e respondeu não haver decisão do presidente de exonerá-lo. "Não cabe avançar qualquer suposição nesse caso", afirmou.

A saída de Bebianno fortaleceu a ala militar no governo, que tentou evitar a demissão inicialmente, mas, depois de consolidada, impôs o nome do general da reserva Floriano Peixoto para substitui-lo.

Além do temor de eventuais revelações de Bebianno, uma preocupação no governo agora é a dificuldade para viabilizar projetos no Congresso, já que a fritura do ex-ministro e a influência do filho do presidente provocaram desgaste na própria bancada do PSL.

Com a saída do ministro da Secretaria-Geral, a comunicação do governo com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, fica restrita à equipe econômica. Bebianno era o único do primeiro escalão do Planalto a falar diretamente com Maia, que é desafeto do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

O presidente da Câmara e o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegaram a entrar no circuito para tentar evitar a saída de Bebianno, com o discurso de que a queda do ministro poderia colocar em risco as negociações da reforma da Previdência, que chega ao Congresso nesta semana.

Mas a gota-d'água para a demissão, segundo integrantes do Planalto, foi o vazamento de diálogos privados entre Bolsonaro e Bebianno, exclusivos da Presidência, ao site O Antagonista e à revista Veja.

Bolsonaro e Bebianno tiveram um encontro ríspido na sexta-feira sobre o tema.

A série de reportagens da Folha de S.Paulo sobre o caso de laranjas começou em 4 de fevereiro mostrando que o ministro do Turismo havia patrocinado o esquema em Minas -onde ele presidia a sigla.

O comando nacional do PSL repassou R$ 279 mil de verba pública a quatro candidatas de fachada no estado -que juntas somaram só 2.000 votos. Parte do gasto que elas declararam foram para empresas com ligação com o gabinete de Álvaro Antônio na Câmara. O ministro nega irregularidades.

No último dia 10, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que o PSL criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018.

Ela teve 274 votos e gastou R$ 380 mil em uma gráfica com endereço de fachada, sem máquinas para impressões em massa.

O dinheiro foi liberado por Bebianno, que presidia o partido na ocasião. Naquele mesmo dia, em entrevista à rádio CBN, ele afirmou que a responsabilidade pelo repasse dos recursos foi do deputado federal Luciano Bivar, presidente atual do PSL, cujo reduto eleitoral é Pernambuco.

À Folha de S.Paulo Bivar jogou a decisão para Bebianno: "Quem decidiu foi a [direção] nacional, na época eu não era presidente. Nem da nacional nem no estado". Ata do PSL divulgada pela Folha de S.Paulo entregou a Bebianno a responsabilidade pelos repasses dessa verba.

Candidata laranja em Pernambuco, Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.


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