Jornal Página 3

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Oposição a Bolsonaro precisa ser feita desde já, diz governador da PB
Reprodução.

Quarta, 9/1/2019 16:28.

JOÃO VALADARES
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Eleito em primeiro turno numa chapa que uniu PT, PSB e PDT, o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), espera não sofrer retaliações do governo Jair Bolsonaro.

Ele acredita existir apenas uma saída para a esquerda no Brasil e diz que a oposição precisa ser feita desde o primeiro dia de governo.
"Buscar a unidade é o que nós temos que fazer. Não há outro caminho."

Azevêdo reconhece erros eleitorais que levaram à vitória de Bolsonaro. "Vaidades pessoais foram colocadas acima dos interesses do país e isso nos levou para esta situação", disse em entrevista à reportagem.

O sr. integra um bloco de governadores nordestinos que apoiou Fernando Haddad (PT) e que fez críticas contundentes ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Teme sofrer algum tipo de retaliação?

Azevêdo - O que eu espero é que a relação possa ser republicana da maneira que tem que ser. Isso não significa de forma alguma que divergências políticas e compreensão diferente faça com que um estado possa sofrer penalidades ou discriminação por parte do governo federal. Espero realmente que seja um tratamento republicano. Claro que essa é a minha expectativa, mas vamos aguardar para saber o que vai acontecer.

Por que então o sr. não participou do encontro com Bolsonaro após as eleições, em novembro? Isso não faz parte desta relação republicana?

Azevêdo - Faz sim. Primeiro é importante entender que ainda hoje não houve um convite oficial do governo, nem antes de tomar posse e nem agora, para participar de qualquer reunião. Naquele dia, pela proximidade da reunião, eu tinha outra agenda e não participei. Em nenhum momento, vou me negar a participar de reunião desde que seja oficialmente convidado, é claro.

Durante a campanha, o sr. disse que os estados ficam sempre à mercê dos ministros e da boa vontade do presidente. O senhor é otimista em relação à mudança de cenário?

Azevêdo - Não sou realmente muito otimista não. Eu espero que frases que foram ditas, a exemplo de "menos Brasília e mais Brasil", sejam postas em prática. Você não pode imaginar um país que tem uma distribuição dos royalties de petróleo suspensa por uma liminar e ninguém decide. Você não pode imaginar que os recursos oriundos da assinatura dos contratos para exploração do pré-sal vá para um fundo social e o governo federal não regulamenta este fundo e, consequentemente, não há transferência para estados e municípios.

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), seu principal cabo eleitoral, sempre foi leal a Lula, mesmo quando o partido decidiu apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma. Como o sr. enxerga um bloco de oposição a Bolsonaro com o PSB, PC do B e PDT, mas sem o PT?

Azevêdo - A posição do partido está acima de posições pessoais dos membros. Eu acho que a posição está correta. Ela precisa ser considerada.

Então o sr. concorda com o bloco de oposição sem o PT?

Azevêdo - É uma opção do PT não participar do bloco de oposição. Não é uma posição do PSB. Se o PT quiser participar junto com o bloco, eu defendo essa posição. Aqui nós fomos aliados ao PT, tivemos um candidato ao Senado do PT e continuamos participando juntamente aqui e, inclusive, com a participação do PT dentro da gestão.

Ciro Gomes defendeu que é preciso esperar uns cem dias para a oposição fazer cobranças efetivas ao novo governo. Concorda com ele?

Azevêdo - A oposição precisa começar a apresentar exatamente o que espera do novo governo e fazer as cobranças no dia-a-dia, a partir de hoje. Não existe prazo para isso. Fala-se muito e não se sabe o que vai acontecer. Fica difícil você cobrar, mas o posicionamento da oposição precisa ser claro e desde o primeiro dia.

Qual a saída para as forças de esquerda?

Azevêdo - Eu acho que a esquerda cometeu um erro nestas eleições, que foi exatamente não ter tido a capacidade de ter se unido. Se nós tivéssemos nos unido, teríamos um outro resultado. Vaidades pessoais foram colocadas acima dos interesses do país e isso nos levou para esta situação.

Mas ainda há uma clara desunião da esquerda.

Azevêdo - Sim. Buscar a unidade é o que nós temos o que fazer. Não há outro caminho. O que mais interessa para qualquer grupo é ter a oposição desarticulada.

E quem deve liderar essa oposição?

Azevêdo - Isso todos os partidos precisam se unir para debater. O PT tem uma importância muito grande nesse processo, mas precisa fazer uma autocrítica no sentido de que, durante esse processo, o próprio desgaste do partido nos levou a esta situação. O próprio Haddad entendia assim. Agora, o PT não se colocar dentro do bloco de oposição junto com os outros partidos nos leva a essas dificuldades. Eu continuo insistindo que precisamos buscar a unidade das oposições. É o único caminho para as esquerdas no Brasil.

A curto prazo o que o sr. acha que Bolsonaro poderia fazer para ajudar os estados do Nordeste?

Azevêdo - O que precisa ser feito e mantido para os estados do Nordeste é um nível de investimento que, no caso específico da Paraíba, nós possamos atingir, dentro de pouco tempo, a segurança hídrica que nós precisamos.

A dessalinização é uma solução viável?

Azevêdo - Precisamos separar entre aquilo que é atendido por dessalinizadores para pequenas comunidades como nós fazemos hoje. Muitas vezes você perfura um poço e o teor de sal é muito alto. Você implanta um dessalinizador e resolve o problema. O custo desse sistema é baixo e funciona sem muita despesa para o usuário. Entretanto, para você fazer dessalinização de água do mar para grandes populações, isso, por exemplo, tem um custo muito mais alto do que trazer água do São Francisco. Temos soluções mais baratas do que a dessalinização.

Quais são?

Azevêdo - A transposição é uma delas. O Eixo Leste está concluído. Falta concluir o Eixo Norte. Essa transposição funcionando adequadamente, ela pode trazer segurança hídrica por um custo muito mais baixo. Uma coisa é a dessalinização que acontece em Israel. Israel é um país que é paralelo ao mar. A população que demanda água está próxima do mar. Para as cidades que estão próximas do mar, o custo é bem mais baixo. Imagine um estado como a Paraíba ou Pernambuco que, do litoral até a última cidade, tem 500 a 800 quilômetros. O custo dessa água é muito alto. O bombeamento com o custo da energia que temos hoje ficaria praticamente inviável.

O Judiciário recebeu aquele aumento nacional que, evidentemente, terá rebatimento nos estados por causa do efeito cascata. Qual tamanho desse impacto?

Azevêdo - A Paraíba manteve para 2019 a mesma previsão orçamentária de 2018. O valor que foi repassado no ano passado, aproximadamente R$ 620 milhões, para o Judiciário, é a nossa previsão de repassar neste ano. Não temos como aumentar duodécimos, seja do Judiciário, do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, porque é em função da receita. Se não tem aumento de receita, não podemos aumentar a despesa. Estamos trabalhando aqui dessa forma. O Judiciário, bem como todos os outros poderes, tem que se adequar às condições do orçamento. O orçamento é o mesmo do ano passado. Não há acréscimo.

O sr. acumulou vencimentos enquanto secretário e chegou, segundo o TCE, a receber R$ 44 mil em um único mês. Não há um contrassenso aí?
Azevêdo - Eu trabalhei mais de 30 anos como engenheiro e sou aposentado. Como sou aposentado como professor. A legislação, evidentemente, permite que você receba sua aposentadoria com o salário do cargo que você está exercendo. A questão do acúmulo não é vínculo empregatício. O que existe é presidência de conselho e que é um pagamento de jeton, na época era R$ 900 mensais, pelas reuniões que você tinha em determinados órgãos. Isso é uma legislação que inclusive foi alterada agora. Não era vínculo empregatício. 

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade



Cidade

Seria um negócio imobiliário bastante vantajoso. Cidade continuará recebendo navios de cruzeiro.


Cidade

“Tem que ver se não é um problema de gestão deles”, dispara referindo-se aos hoteleiros  


Opinião


Opinião

"Não tente enrolar um brasileiro divulgando uma coisa e entregando outra" 


Publicidade


Publicidade


Cidade

Balneário Camboriú adotará entrega voluntária em ponto da prefeitura  


Divulgação

Excelente opção para os micro empreendedores, pequenas empresas e freelancers.


Geral

Até embarcações de pequeno porte levantam areia, depende das condições 


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Página 3

Oposição a Bolsonaro precisa ser feita desde já, diz governador da PB

Reprodução.
Quarta, 9/1/2019 16:28.

JOÃO VALADARES
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Eleito em primeiro turno numa chapa que uniu PT, PSB e PDT, o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), espera não sofrer retaliações do governo Jair Bolsonaro.

Ele acredita existir apenas uma saída para a esquerda no Brasil e diz que a oposição precisa ser feita desde o primeiro dia de governo.
"Buscar a unidade é o que nós temos que fazer. Não há outro caminho."

Azevêdo reconhece erros eleitorais que levaram à vitória de Bolsonaro. "Vaidades pessoais foram colocadas acima dos interesses do país e isso nos levou para esta situação", disse em entrevista à reportagem.

O sr. integra um bloco de governadores nordestinos que apoiou Fernando Haddad (PT) e que fez críticas contundentes ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Teme sofrer algum tipo de retaliação?

Azevêdo - O que eu espero é que a relação possa ser republicana da maneira que tem que ser. Isso não significa de forma alguma que divergências políticas e compreensão diferente faça com que um estado possa sofrer penalidades ou discriminação por parte do governo federal. Espero realmente que seja um tratamento republicano. Claro que essa é a minha expectativa, mas vamos aguardar para saber o que vai acontecer.

Por que então o sr. não participou do encontro com Bolsonaro após as eleições, em novembro? Isso não faz parte desta relação republicana?

Azevêdo - Faz sim. Primeiro é importante entender que ainda hoje não houve um convite oficial do governo, nem antes de tomar posse e nem agora, para participar de qualquer reunião. Naquele dia, pela proximidade da reunião, eu tinha outra agenda e não participei. Em nenhum momento, vou me negar a participar de reunião desde que seja oficialmente convidado, é claro.

Durante a campanha, o sr. disse que os estados ficam sempre à mercê dos ministros e da boa vontade do presidente. O senhor é otimista em relação à mudança de cenário?

Azevêdo - Não sou realmente muito otimista não. Eu espero que frases que foram ditas, a exemplo de "menos Brasília e mais Brasil", sejam postas em prática. Você não pode imaginar um país que tem uma distribuição dos royalties de petróleo suspensa por uma liminar e ninguém decide. Você não pode imaginar que os recursos oriundos da assinatura dos contratos para exploração do pré-sal vá para um fundo social e o governo federal não regulamenta este fundo e, consequentemente, não há transferência para estados e municípios.

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), seu principal cabo eleitoral, sempre foi leal a Lula, mesmo quando o partido decidiu apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma. Como o sr. enxerga um bloco de oposição a Bolsonaro com o PSB, PC do B e PDT, mas sem o PT?

Azevêdo - A posição do partido está acima de posições pessoais dos membros. Eu acho que a posição está correta. Ela precisa ser considerada.

Então o sr. concorda com o bloco de oposição sem o PT?

Azevêdo - É uma opção do PT não participar do bloco de oposição. Não é uma posição do PSB. Se o PT quiser participar junto com o bloco, eu defendo essa posição. Aqui nós fomos aliados ao PT, tivemos um candidato ao Senado do PT e continuamos participando juntamente aqui e, inclusive, com a participação do PT dentro da gestão.

Ciro Gomes defendeu que é preciso esperar uns cem dias para a oposição fazer cobranças efetivas ao novo governo. Concorda com ele?

Azevêdo - A oposição precisa começar a apresentar exatamente o que espera do novo governo e fazer as cobranças no dia-a-dia, a partir de hoje. Não existe prazo para isso. Fala-se muito e não se sabe o que vai acontecer. Fica difícil você cobrar, mas o posicionamento da oposição precisa ser claro e desde o primeiro dia.

Qual a saída para as forças de esquerda?

Azevêdo - Eu acho que a esquerda cometeu um erro nestas eleições, que foi exatamente não ter tido a capacidade de ter se unido. Se nós tivéssemos nos unido, teríamos um outro resultado. Vaidades pessoais foram colocadas acima dos interesses do país e isso nos levou para esta situação.

Mas ainda há uma clara desunião da esquerda.

Azevêdo - Sim. Buscar a unidade é o que nós temos o que fazer. Não há outro caminho. O que mais interessa para qualquer grupo é ter a oposição desarticulada.

E quem deve liderar essa oposição?

Azevêdo - Isso todos os partidos precisam se unir para debater. O PT tem uma importância muito grande nesse processo, mas precisa fazer uma autocrítica no sentido de que, durante esse processo, o próprio desgaste do partido nos levou a esta situação. O próprio Haddad entendia assim. Agora, o PT não se colocar dentro do bloco de oposição junto com os outros partidos nos leva a essas dificuldades. Eu continuo insistindo que precisamos buscar a unidade das oposições. É o único caminho para as esquerdas no Brasil.

A curto prazo o que o sr. acha que Bolsonaro poderia fazer para ajudar os estados do Nordeste?

Azevêdo - O que precisa ser feito e mantido para os estados do Nordeste é um nível de investimento que, no caso específico da Paraíba, nós possamos atingir, dentro de pouco tempo, a segurança hídrica que nós precisamos.

A dessalinização é uma solução viável?

Azevêdo - Precisamos separar entre aquilo que é atendido por dessalinizadores para pequenas comunidades como nós fazemos hoje. Muitas vezes você perfura um poço e o teor de sal é muito alto. Você implanta um dessalinizador e resolve o problema. O custo desse sistema é baixo e funciona sem muita despesa para o usuário. Entretanto, para você fazer dessalinização de água do mar para grandes populações, isso, por exemplo, tem um custo muito mais alto do que trazer água do São Francisco. Temos soluções mais baratas do que a dessalinização.

Quais são?

Azevêdo - A transposição é uma delas. O Eixo Leste está concluído. Falta concluir o Eixo Norte. Essa transposição funcionando adequadamente, ela pode trazer segurança hídrica por um custo muito mais baixo. Uma coisa é a dessalinização que acontece em Israel. Israel é um país que é paralelo ao mar. A população que demanda água está próxima do mar. Para as cidades que estão próximas do mar, o custo é bem mais baixo. Imagine um estado como a Paraíba ou Pernambuco que, do litoral até a última cidade, tem 500 a 800 quilômetros. O custo dessa água é muito alto. O bombeamento com o custo da energia que temos hoje ficaria praticamente inviável.

O Judiciário recebeu aquele aumento nacional que, evidentemente, terá rebatimento nos estados por causa do efeito cascata. Qual tamanho desse impacto?

Azevêdo - A Paraíba manteve para 2019 a mesma previsão orçamentária de 2018. O valor que foi repassado no ano passado, aproximadamente R$ 620 milhões, para o Judiciário, é a nossa previsão de repassar neste ano. Não temos como aumentar duodécimos, seja do Judiciário, do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, porque é em função da receita. Se não tem aumento de receita, não podemos aumentar a despesa. Estamos trabalhando aqui dessa forma. O Judiciário, bem como todos os outros poderes, tem que se adequar às condições do orçamento. O orçamento é o mesmo do ano passado. Não há acréscimo.

O sr. acumulou vencimentos enquanto secretário e chegou, segundo o TCE, a receber R$ 44 mil em um único mês. Não há um contrassenso aí?
Azevêdo - Eu trabalhei mais de 30 anos como engenheiro e sou aposentado. Como sou aposentado como professor. A legislação, evidentemente, permite que você receba sua aposentadoria com o salário do cargo que você está exercendo. A questão do acúmulo não é vínculo empregatício. O que existe é presidência de conselho e que é um pagamento de jeton, na época era R$ 900 mensais, pelas reuniões que você tinha em determinados órgãos. Isso é uma legislação que inclusive foi alterada agora. Não era vínculo empregatício. 

Publicidade

Publicidade