Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Política
Autora de texto com fala deturpada de jornalista é assessora de deputado do PSL

Segunda, 11/3/2019 20:59.
Reprodução

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FERNANDA CANOFRE(FOLHAPRESS)

A autora do texto publicado no site Terça Livre que usa falas deturpadas de uma jornalista para dizer que sua intenção era "arruinar" o governo de Jair Bolsonaro é assessora de um deputado estadual do PSL, partido do presidente, em Minas Gerais.

Fernanda Salles trabalha como assessora de imprensa e é responsável pelas mídias digitais de Bruno Engler (PSL-MG) -terceiro deputado mais votado para a Assembleia em 2018, com 120.252 votos. Nas redes, Engler tem vários vídeos de apoio a Bolsonaro.

A informação foi publicada nesta segunda (11) pelo Blog do Berta, do jornalista Ruben Berta.

O nome de Fernanda saiu no Diário Oficial da Assembleia Legislativa no dia 2 de fevereiro, como "Fernanda Ribeiro de Salles". No dia 26, foi publicada a correção, colocando o nome "Fernanda de Salles Andrade".

Com contrato de seis horas diárias, sem horário fixo, ela recebe R$ 6.543,69 por mês, segundo o site do Legislativo. Nas redes sociais dela, não há menções ao cargo de assessora parlamentar, apenas ao de repórter do Terça Livre.

No domingo (10), Fernanda assinou o texto intitulado "Jornalista do Estadão: a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo", em que cita artigos publicados nas sessões de opinião do site francês Mediapart e do jornal norte-americano Washington Times, e faz um relato deturpado de conversas gravadas entre a repórter Constança Rezende, do jornal O Estado de S. Paulo, e um homem não identificado.

Uma parte da conversa foi reproduzida na conta oficial de Bolsonaro no Twitter.

Fernanda Salles, assessora de deputado do PSL-MG e autora de texto no site Terça Livre que deturpou falas de jornalista para dizer que sua intenção era "arruinar" o governo Bolsonaro Reprodução/Facebook Fernanda Salles, assessora de deputado do PSL-MG e repórter do site Terça Livre O site Mediapart, que hospedou o artigo original no qual Fernanda se baseia, se manifestou nas redes sociais, nesta segunda, dizendo que as informações publicadas são falsas.

A reportagem tentou entrar em contato com Fernanda através do gabinete de Engler, por email e deixando contato com o próprio deputado, mas não teve resposta até as 20h.

Em postagem pública no seu perfil pessoal do Facebook, ela escreveu que "a grande mídia" estaria tentando criar "uma cortina de fumaça para que a denúncia seja esquecida". "Vão querer colocar o meu nome acima do FATO envolvendo Constança Rezende. Assim eles INVERTEM a narrativa. Canalhice! #EstadãoMentiu", diz a publicação.

Engler diz "tirar o chapéu" para o texto, que avalia como "excelente". Ele também classifica a resposta do jornal O Estado de S. Paulo, desmentindo as afirmações do Terça Livre, como "mentirosa e covarde".

"O que acho importante salientar, com todo respeito a você, acho que a Folha de S.Paulo não vai publicar, é que isso é uma imagem clara de uma imprensa desesperada para atacar o presidente", afirma o deputado.

Para o deputado, "os áudios dizem exatamente o que o presidente", o site Terça Livre e os artigos estrangeiros apontam. "Eu, graças a Deus, eu falo inglês muito bem, meus pais se preocuparam com isso, eu escutei o áudio e vi o que o presidente reportou, é o que está no vídeo", diz ele.

O parlamentar afirma que já sabia do vínculo da sua assessora com o site, que é alimentado por apoiadores de Bolsonaro.

"Quando eu a contratei para ser minha assessora de imprensa e cuidar das minhas mídias digitais, eu já sabia que ela trabalhava para o Terça Livre. Inclusive, eu queria contratá-la num regime de oito horas, ela pediu para trabalhar em um regime de seis horas aqui na Assembleia, justamente para poder conciliar com o trabalho dela de repórter", afirma.


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Autora de texto com fala deturpada de jornalista é assessora de deputado do PSL

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Segunda, 11/3/2019 20:59.

FERNANDA CANOFRE(FOLHAPRESS)

A autora do texto publicado no site Terça Livre que usa falas deturpadas de uma jornalista para dizer que sua intenção era "arruinar" o governo de Jair Bolsonaro é assessora de um deputado estadual do PSL, partido do presidente, em Minas Gerais.

Fernanda Salles trabalha como assessora de imprensa e é responsável pelas mídias digitais de Bruno Engler (PSL-MG) -terceiro deputado mais votado para a Assembleia em 2018, com 120.252 votos. Nas redes, Engler tem vários vídeos de apoio a Bolsonaro.

A informação foi publicada nesta segunda (11) pelo Blog do Berta, do jornalista Ruben Berta.

O nome de Fernanda saiu no Diário Oficial da Assembleia Legislativa no dia 2 de fevereiro, como "Fernanda Ribeiro de Salles". No dia 26, foi publicada a correção, colocando o nome "Fernanda de Salles Andrade".

Com contrato de seis horas diárias, sem horário fixo, ela recebe R$ 6.543,69 por mês, segundo o site do Legislativo. Nas redes sociais dela, não há menções ao cargo de assessora parlamentar, apenas ao de repórter do Terça Livre.

No domingo (10), Fernanda assinou o texto intitulado "Jornalista do Estadão: a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo", em que cita artigos publicados nas sessões de opinião do site francês Mediapart e do jornal norte-americano Washington Times, e faz um relato deturpado de conversas gravadas entre a repórter Constança Rezende, do jornal O Estado de S. Paulo, e um homem não identificado.

Uma parte da conversa foi reproduzida na conta oficial de Bolsonaro no Twitter.

Fernanda Salles, assessora de deputado do PSL-MG e autora de texto no site Terça Livre que deturpou falas de jornalista para dizer que sua intenção era "arruinar" o governo Bolsonaro Reprodução/Facebook Fernanda Salles, assessora de deputado do PSL-MG e repórter do site Terça Livre O site Mediapart, que hospedou o artigo original no qual Fernanda se baseia, se manifestou nas redes sociais, nesta segunda, dizendo que as informações publicadas são falsas.

A reportagem tentou entrar em contato com Fernanda através do gabinete de Engler, por email e deixando contato com o próprio deputado, mas não teve resposta até as 20h.

Em postagem pública no seu perfil pessoal do Facebook, ela escreveu que "a grande mídia" estaria tentando criar "uma cortina de fumaça para que a denúncia seja esquecida". "Vão querer colocar o meu nome acima do FATO envolvendo Constança Rezende. Assim eles INVERTEM a narrativa. Canalhice! #EstadãoMentiu", diz a publicação.

Engler diz "tirar o chapéu" para o texto, que avalia como "excelente". Ele também classifica a resposta do jornal O Estado de S. Paulo, desmentindo as afirmações do Terça Livre, como "mentirosa e covarde".

"O que acho importante salientar, com todo respeito a você, acho que a Folha de S.Paulo não vai publicar, é que isso é uma imagem clara de uma imprensa desesperada para atacar o presidente", afirma o deputado.

Para o deputado, "os áudios dizem exatamente o que o presidente", o site Terça Livre e os artigos estrangeiros apontam. "Eu, graças a Deus, eu falo inglês muito bem, meus pais se preocuparam com isso, eu escutei o áudio e vi o que o presidente reportou, é o que está no vídeo", diz ele.

O parlamentar afirma que já sabia do vínculo da sua assessora com o site, que é alimentado por apoiadores de Bolsonaro.

"Quando eu a contratei para ser minha assessora de imprensa e cuidar das minhas mídias digitais, eu já sabia que ela trabalhava para o Terça Livre. Inclusive, eu queria contratá-la num regime de oito horas, ela pediu para trabalhar em um regime de seis horas aqui na Assembleia, justamente para poder conciliar com o trabalho dela de repórter", afirma.


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