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Bolsonaro usa vídeos antigos e fake news como ‘prova’ de fraude na urna

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As “provas” de fraude nas urnas eletrônicas que o presidente Jair Bolsonaro prometeu apresentar, nesta quinta-feira, 29, foram uma mistura de fake news, vídeos descontextualizados que circulam há anos na internet e análises enviesadas sobre números oficiais da apuração dos votos.

Na transmissão semanal feita para as redes sociais, Bolsonaro e um “analista de inteligência” levado por ele para exibir vídeos e recortes não apresentaram nenhuma prova de que os resultados de 2014 ou 2018 poderiam ter sido fraudados.

Bolsonaro dedicou os primeiros 40 minutos da live para atacar adversários petistas e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, com perguntas retóricas e ventilar teorias conspiratórias.

“É justo quem tirou Lula da cadeia, quem o tornou elegível, ser o mesmo que vai contar o voto numa sala secreta no TSE?”, perguntou.

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Quando o analista prosseguiu à apresentação das supostas provas, a primeira “denúncia” foi um vídeo amplamente desmentido por serviços de checagem que circula na internet desde 2018.

Na gravação, um homem se apresenta como desenvolvedor de sistemas e apresenta um “simulador simplificado da urna eletrônica”. O programa que ele mostra no computador não guarda qualquer relação com o sistema usado pelo TSE desde 1996 e aperfeiçoado periodicamente.

A transmissão também usa vídeos aleatórios de apoiadores, em 2018, dizendo que as urnas não aceitavam o número que identificava Jair Bolsonaro. Na live, Bolsonaro não apresentou locais em que os casos teriam acontecido, tampouco se os casos foram devidamente apurados.

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Outra estratégia do presidente foi lançar dúvidas sobre o ritmo da apuração dos votos de 2018 nas diferentes regiões do País. Segundo essa teoria, o ritmo dos votos que recebeu não poderiam sofrer alterações a partir do momento em que 53% das urnas estavam apuradas.

A alegação não faz sentido. A contabilização dos votos não é distribuída de maneira uniforme durante a apuração. Na live, Bolsonaro apresentou vídeos editados de analistas comentando a apuração dos votos.

O “analista” escalado por Bolsonaro também fez menção expressa a uma denúncia protocolada no TSE ainda em outubro de 2018 segundo a qual números apresentados no mesmo horário pelo TSE e pela GloboNews seriam diferentes. A Justiça Eleitoral já reiterou inúmeras vezes que as divergências se deram apenas por causa da velocidade da distribuição dos resultados para as emissoras de TV.

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