Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Pesquisa de 55 hospitais revela ineficácia da Hidroxicloroquina sozinha ou associada à Azitromicina

Coalizão Covid-19 Brasil, reúne vários dos mais afamados hospitais brasileiros

Quinta, 23/7/2020 18:31.
Divulgação
Bolsonaro age como charlatão, promovendo remédio que não é indicado pela ciência.

Publicidade

Por Cilene Pereira, da Agência Einstein

Pesquisa realizada pela Coalizão Covid-19 Brasil - formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital do Coração - HCor), Hospital Sirio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP - a Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva BRICNet) – concluiu que o uso da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados apresentando nível leve a moderado de gravidade da Covid-19 não melhora a evolução clínica da doença.

A medicação também não previne a necessidade de ventilação mecânica, não reduz o tempo de internação ou o índice de mortalidade.

O trabalho foi publicado na edição online de hoje do The New England Journal of Medicine, um dos mais respeitados jornais científicos do mundo.

A pesquisa teve a participação de 667 pacientes, de 55 hospitais no Brasil, com confirmação ou suspeita de Covid-19, internados em estado leve a moderado de gravidade (necessitavam de no máximo 4 litros de oxigênio por dia).

Desse total, 521 tiveram o diagnóstico confirmado e integraram o conjunto de indivíduos sobre o qual foi feita a análise principal. Eles foram divididos em três grupos: 168 receberam hidroxicloroquina, 175 foram medicados com hidroxicloroquina e azitromicina e 178 não tiveram adicionadas nenhuma das drogas ao tratamento. O estudo começou em março e foi concluído em junho.

O objetivo era analisar a evolução da doença nos pacientes quinze dias depois do início da adoção dos modelos terapêuticos propostos. A avaliação foi feita de acordo com uma escala de sete pontos: estar fora do hospital sem apresentar limitações; ter recebido alta, mas manifestar sequela; estar internado, porém sem limitações; permanecer internado e continuar recebendo oxigênio; precisar de oxigênio, mas sem ventilação mecânica; fazer uso de ventilação mecânica e, por fim, ter vindo a óbito.

O estudo mostrou que a adição de hidroxicloroquina ou do remédio em conjunto com a azitromicina não teve qualquer efeito na evolução do estado clínico dos pacientes. As taxas de mortalidade também não foram diferentes entre os grupos. Assim sendo, durante o período de hospitalização, a taxa de óbitos foi cerca de 3%, esperada para pacientes com nível moderado de gravidade.

Efeitos colaterais

A pesquisa dos cientistas brasileiros não registrou a ocorrência de eventos colaterais graves ou fatais após a administração dos medicamentos. A observação mais significativa foi a manifestação de um processo chamado prolongamento do intervalo QT. Trata-se de uma alteração no ritmo elétrico do coração que pode levar à geração de arritmias fatais.

Entre os pacientes que não receberam os remédios, 2,5% apresentaram o distúrbio. O índice foi de 16% entre os pacientes que usaram hidroxicloroquina ou hidroxicloroquina e azitromicina. No entanto, os remédios não elevaram o índice de arritmias graves, que foi semelhante nos três grupos.

A conclusão, pelos brasileiros, da ineficácia do medicamento quando usado isoladamente ou em associação à azitromicina, converge com os resultados recentes obtidos em outras pesquisas e se somará às evidências científicas mais robustas levantadas até hoje sobre o tema.

O trabalho em conjunto permitiu agilidade ao andamento da investigação. “A possibilidade de realizarmos estudos em aliança com os diversos hospitais e institutos que fazem parte da coalizão maximizou recursos humanos e materiais e possibilitou termos respostas rápidas e confiáveis em curto espaço de tempo”, afirma Luciano Cesar Pontes de Azevedo, médico intensivista pesquisador e superintendente do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa e integrante do Comitê Executivo da Coalizão.

“Esses resultados são importantes para a ciência global e coloca o Brasil na vitrine cientifica do mundo. É apenas o começo do que esse grupo Coalizão do Brasil poderá contribuir para a literatura médica e avanço da medicina que irá além da COVID-19”, reforça Renato D. Lopes, cardiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de São Paulo e da Duke University, diretor do Brazilian Clinical Research Institute.

O médico Álvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirma que “o estudo Coalizão 1 avaliou de forma robusta a eficácia e a segurança de Hidroxicloroquina associada ou não à Azitromicina por meio de Coalizão eficiente com hospitais brasileiros fornecendo informações clinicamente úteis para a prática médica em pacientes com COVID-19 hospitalizados”.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade













Página 3
Divulgação
Bolsonaro age como charlatão, promovendo remédio que não é indicado pela ciência.
Bolsonaro age como charlatão, promovendo remédio que não é indicado pela ciência.

Pesquisa de 55 hospitais revela ineficácia da Hidroxicloroquina sozinha ou associada à Azitromicina

Coalizão Covid-19 Brasil, reúne vários dos mais afamados hospitais brasileiros

Publicidade

Quinta, 23/7/2020 18:31.

Por Cilene Pereira, da Agência Einstein

Pesquisa realizada pela Coalizão Covid-19 Brasil - formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital do Coração - HCor), Hospital Sirio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP - a Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva BRICNet) – concluiu que o uso da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados apresentando nível leve a moderado de gravidade da Covid-19 não melhora a evolução clínica da doença.

A medicação também não previne a necessidade de ventilação mecânica, não reduz o tempo de internação ou o índice de mortalidade.

O trabalho foi publicado na edição online de hoje do The New England Journal of Medicine, um dos mais respeitados jornais científicos do mundo.

A pesquisa teve a participação de 667 pacientes, de 55 hospitais no Brasil, com confirmação ou suspeita de Covid-19, internados em estado leve a moderado de gravidade (necessitavam de no máximo 4 litros de oxigênio por dia).

Desse total, 521 tiveram o diagnóstico confirmado e integraram o conjunto de indivíduos sobre o qual foi feita a análise principal. Eles foram divididos em três grupos: 168 receberam hidroxicloroquina, 175 foram medicados com hidroxicloroquina e azitromicina e 178 não tiveram adicionadas nenhuma das drogas ao tratamento. O estudo começou em março e foi concluído em junho.

O objetivo era analisar a evolução da doença nos pacientes quinze dias depois do início da adoção dos modelos terapêuticos propostos. A avaliação foi feita de acordo com uma escala de sete pontos: estar fora do hospital sem apresentar limitações; ter recebido alta, mas manifestar sequela; estar internado, porém sem limitações; permanecer internado e continuar recebendo oxigênio; precisar de oxigênio, mas sem ventilação mecânica; fazer uso de ventilação mecânica e, por fim, ter vindo a óbito.

O estudo mostrou que a adição de hidroxicloroquina ou do remédio em conjunto com a azitromicina não teve qualquer efeito na evolução do estado clínico dos pacientes. As taxas de mortalidade também não foram diferentes entre os grupos. Assim sendo, durante o período de hospitalização, a taxa de óbitos foi cerca de 3%, esperada para pacientes com nível moderado de gravidade.

Efeitos colaterais

A pesquisa dos cientistas brasileiros não registrou a ocorrência de eventos colaterais graves ou fatais após a administração dos medicamentos. A observação mais significativa foi a manifestação de um processo chamado prolongamento do intervalo QT. Trata-se de uma alteração no ritmo elétrico do coração que pode levar à geração de arritmias fatais.

Entre os pacientes que não receberam os remédios, 2,5% apresentaram o distúrbio. O índice foi de 16% entre os pacientes que usaram hidroxicloroquina ou hidroxicloroquina e azitromicina. No entanto, os remédios não elevaram o índice de arritmias graves, que foi semelhante nos três grupos.

A conclusão, pelos brasileiros, da ineficácia do medicamento quando usado isoladamente ou em associação à azitromicina, converge com os resultados recentes obtidos em outras pesquisas e se somará às evidências científicas mais robustas levantadas até hoje sobre o tema.

O trabalho em conjunto permitiu agilidade ao andamento da investigação. “A possibilidade de realizarmos estudos em aliança com os diversos hospitais e institutos que fazem parte da coalizão maximizou recursos humanos e materiais e possibilitou termos respostas rápidas e confiáveis em curto espaço de tempo”, afirma Luciano Cesar Pontes de Azevedo, médico intensivista pesquisador e superintendente do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa e integrante do Comitê Executivo da Coalizão.

“Esses resultados são importantes para a ciência global e coloca o Brasil na vitrine cientifica do mundo. É apenas o começo do que esse grupo Coalizão do Brasil poderá contribuir para a literatura médica e avanço da medicina que irá além da COVID-19”, reforça Renato D. Lopes, cardiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de São Paulo e da Duke University, diretor do Brazilian Clinical Research Institute.

O médico Álvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirma que “o estudo Coalizão 1 avaliou de forma robusta a eficácia e a segurança de Hidroxicloroquina associada ou não à Azitromicina por meio de Coalizão eficiente com hospitais brasileiros fornecendo informações clinicamente úteis para a prática médica em pacientes com COVID-19 hospitalizados”.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade