Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Dentistas do CEO atendem média de 15 urgências por dia

Para isso precisam estar super protegidos porque tem contato direto com o paciente

Sexta, 15/5/2020 17:35.
Divulgação/CEO

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O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) da Secretaria Municipal de Saúde, que fazia quase dois mil atendimentos por mês antes da pandemia, agora está tratando somente urgências, em média 15 a 20 pacientes por dia, em horário reduzido, das 7h às 13h, para evitar aglomerações.

Profissionais superprotegidos

A diretora de Saúde Bucal do CEO, Priscila Teixeira disse que a nova situação trouxe grande preocupação aos dentistas, por causa do contato direto com o paciente.

A diretora Priscila e a dentista Larissa Gaya

“Desde o começo da pandemia não paramos nenhum dia. Os dentistas atuam diretamente na cavidade bucal, é a profissão mais perigosa, onde o paciente tira a máscara para nós e ao utilizarmos os instrumentos, o aerosol gerado pode nos infectar. Mas estamos todos paramentados e empenhados de uma forma muito especial em nossa função. Conheço essa equipe há 18 anos, então tenho a colaboração total deles, somos muito unidos”, disse Priscila.

Ela conversou com a reportagem sobre o atendimento diferenciado e os profissionais que trabalham no CEO. Acompanhe:

Medos iguais

“Está muito difícil realmente, temos profissionais com pais e mães idosos, temos filhos pequenos, temos os mesmos medos da população, porém não podemos nos ocultar nesse momento, a população continua com dor de origem odontogênica”.

Paramentação total

“Essa dor, na maioria das vezes, não é amenizada sem a intervenção do profissional, a urgência odontológica mesmo normalmente não cessa somente com medicação e sim temos que intervir. Essa intervenção gera aerosol que sai da boca do paciente e vai direto ao jaleco e rosto do profissional. Por isso a necessidade dos odontólogos estarem com essa paramentação total. Quanto aos processos de esterilização posso dizer que nós dentistas somos muito exigentes, quanto a isso não tivemos grandes modificações, o que nos preocupou mais realmente foi nossa paramentação, pois antes atendíamos com máscara cirúrgica simples e hoje com N95; usávamos jaleco e hoje utilizamos macacão totalmente fechado; alguns nem óculos usavam e hoje usamos óculos mais Face shield (com proteção total do rosto)”.

Só urgências

“No SUS o tratamento odontológico atualmente é somente urgência, pois difere muito de um consultório particular onde o tratamento é totalmente individualizado. Os atendimentos no CEO estão sendo realizados somente nas salas individuais, ou seja, a clínica onde há mais de uma cadeira, não estamos utilizando. Os tratamentos odontológicos eletivos (com as especialidades) no SUS estão totalmente cancelados por enquanto”.

A demanda

“Nossa principal demanda, tipos de urgência que mais atendemos são abertura coronária (início de tratamento de canal), remoção de resto radicular e drenagem de abscesso”.

Horário reduzido

“Atendimento de urgências das 7h às 13h. Horário reduzido para evitarmos aglomeração de funcionários em período onde não há atendimento, mais de 90% dos atendimentos estavam sendo no período matutino por isso resolvemos reduzir o horário. Somente urgências pois estamos seguindo as recomendações da ANVISA e do Departamento de Saúde bucal do Estado. O atendimento é por ordem de chegada, não realizamos agendamento”.

Os profissionais

Também atuaram nas barreiras

“Estamos realizando rodízio dos profissionais para os atendimentos de urgência, diariamente temos três dentistas, três técnicos em saúde bucal para auxiliá-los e um técnico em saúde bucal para esterilização. Mas vale lembrar que os profissionais além dos atendimentos, realizaram as barreiras sanitárias, na Osvaldo Reis, no PIT e na rodoviária, auxiliaram os fiscais de posturas nas orientações aos estabelecimentos, foram final de semana até Blumenau realizar capacitação. Odontólogos e técnicos em saúde bucal fizeram revezamento durante as 24h enquanto permaneceram as barreiras.

Dentistas orientando nas ruas

Depoimentos de profissionais

Julian C. Jorge, na saúde desde 2003

Julian (sem óculos)

“O dentista é uma das classes que, profissionalmente, está mais exposta ao risco deste novo vírus. Num primeiro momento, apesar de estarmos acostumados ao uso dos EPI’s e aos cuidados com a biossegurança, houve muitas dúvidas e incertezas sobre a nossa segurança profissional, pessoal e dos nossos pacientes. Algumas dúvidas ainda persistem e algumas mudanças serão necessárias para algumas situações. Outras, desde há muito, já eram prática comum nos consultórios. Apesar das incertezas e do risco ao dentista e ao pessoal auxiliar, não podemos deixar de prestar assistência para quem precisa. A dor e a urgência não escolhem hora nem momento. Temos que estar prontos e preparados para resolver estas situações da melhor forma possível. E estamos”.

Lisiane B. V. Foletto, servidora do município desde 2003

Lisiane nas barreiras sanitárias

“Este momento proporcionou mudanças na odontologia, ocasionando uma alteração expressiva na forma de atendimento. Conhecimentos sobre infecção cruzada, infecções respiratórias, formação de aerossóis e biossegurança fazem parte de nosso cotidiano. Trabalhamos com a forma direto de contágio: a saliva do paciente. Fizemos um juramento de ética e dignidade. Agora mais do que nunca, estamos juntos, lutando pela saúde e pela vida!”


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Página 3
Divulgação/CEO

Dentistas do CEO atendem média de 15 urgências por dia

Para isso precisam estar super protegidos porque tem contato direto com o paciente

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Sexta, 15/5/2020 17:35.

O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) da Secretaria Municipal de Saúde, que fazia quase dois mil atendimentos por mês antes da pandemia, agora está tratando somente urgências, em média 15 a 20 pacientes por dia, em horário reduzido, das 7h às 13h, para evitar aglomerações.

Profissionais superprotegidos

A diretora de Saúde Bucal do CEO, Priscila Teixeira disse que a nova situação trouxe grande preocupação aos dentistas, por causa do contato direto com o paciente.

A diretora Priscila e a dentista Larissa Gaya

“Desde o começo da pandemia não paramos nenhum dia. Os dentistas atuam diretamente na cavidade bucal, é a profissão mais perigosa, onde o paciente tira a máscara para nós e ao utilizarmos os instrumentos, o aerosol gerado pode nos infectar. Mas estamos todos paramentados e empenhados de uma forma muito especial em nossa função. Conheço essa equipe há 18 anos, então tenho a colaboração total deles, somos muito unidos”, disse Priscila.

Ela conversou com a reportagem sobre o atendimento diferenciado e os profissionais que trabalham no CEO. Acompanhe:

Medos iguais

“Está muito difícil realmente, temos profissionais com pais e mães idosos, temos filhos pequenos, temos os mesmos medos da população, porém não podemos nos ocultar nesse momento, a população continua com dor de origem odontogênica”.

Paramentação total

“Essa dor, na maioria das vezes, não é amenizada sem a intervenção do profissional, a urgência odontológica mesmo normalmente não cessa somente com medicação e sim temos que intervir. Essa intervenção gera aerosol que sai da boca do paciente e vai direto ao jaleco e rosto do profissional. Por isso a necessidade dos odontólogos estarem com essa paramentação total. Quanto aos processos de esterilização posso dizer que nós dentistas somos muito exigentes, quanto a isso não tivemos grandes modificações, o que nos preocupou mais realmente foi nossa paramentação, pois antes atendíamos com máscara cirúrgica simples e hoje com N95; usávamos jaleco e hoje utilizamos macacão totalmente fechado; alguns nem óculos usavam e hoje usamos óculos mais Face shield (com proteção total do rosto)”.

Só urgências

“No SUS o tratamento odontológico atualmente é somente urgência, pois difere muito de um consultório particular onde o tratamento é totalmente individualizado. Os atendimentos no CEO estão sendo realizados somente nas salas individuais, ou seja, a clínica onde há mais de uma cadeira, não estamos utilizando. Os tratamentos odontológicos eletivos (com as especialidades) no SUS estão totalmente cancelados por enquanto”.

A demanda

“Nossa principal demanda, tipos de urgência que mais atendemos são abertura coronária (início de tratamento de canal), remoção de resto radicular e drenagem de abscesso”.

Horário reduzido

“Atendimento de urgências das 7h às 13h. Horário reduzido para evitarmos aglomeração de funcionários em período onde não há atendimento, mais de 90% dos atendimentos estavam sendo no período matutino por isso resolvemos reduzir o horário. Somente urgências pois estamos seguindo as recomendações da ANVISA e do Departamento de Saúde bucal do Estado. O atendimento é por ordem de chegada, não realizamos agendamento”.

Os profissionais

Também atuaram nas barreiras

“Estamos realizando rodízio dos profissionais para os atendimentos de urgência, diariamente temos três dentistas, três técnicos em saúde bucal para auxiliá-los e um técnico em saúde bucal para esterilização. Mas vale lembrar que os profissionais além dos atendimentos, realizaram as barreiras sanitárias, na Osvaldo Reis, no PIT e na rodoviária, auxiliaram os fiscais de posturas nas orientações aos estabelecimentos, foram final de semana até Blumenau realizar capacitação. Odontólogos e técnicos em saúde bucal fizeram revezamento durante as 24h enquanto permaneceram as barreiras.

Dentistas orientando nas ruas

Depoimentos de profissionais

Julian C. Jorge, na saúde desde 2003

Julian (sem óculos)

“O dentista é uma das classes que, profissionalmente, está mais exposta ao risco deste novo vírus. Num primeiro momento, apesar de estarmos acostumados ao uso dos EPI’s e aos cuidados com a biossegurança, houve muitas dúvidas e incertezas sobre a nossa segurança profissional, pessoal e dos nossos pacientes. Algumas dúvidas ainda persistem e algumas mudanças serão necessárias para algumas situações. Outras, desde há muito, já eram prática comum nos consultórios. Apesar das incertezas e do risco ao dentista e ao pessoal auxiliar, não podemos deixar de prestar assistência para quem precisa. A dor e a urgência não escolhem hora nem momento. Temos que estar prontos e preparados para resolver estas situações da melhor forma possível. E estamos”.

Lisiane B. V. Foletto, servidora do município desde 2003

Lisiane nas barreiras sanitárias

“Este momento proporcionou mudanças na odontologia, ocasionando uma alteração expressiva na forma de atendimento. Conhecimentos sobre infecção cruzada, infecções respiratórias, formação de aerossóis e biossegurança fazem parte de nosso cotidiano. Trabalhamos com a forma direto de contágio: a saliva do paciente. Fizemos um juramento de ética e dignidade. Agora mais do que nunca, estamos juntos, lutando pela saúde e pela vida!”


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