Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Brasil tem 653 mortes e 15 mil novos casos de coronavírus em 24 horas

Teich: navegamos em situação de incapacidade de enxergar o que vai acontecer

Segunda, 25/5/2020 6:55.
Andréa Rêgo Barros

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Por Fabiana Cambricoli

O Brasil registrou 653 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas, o que aumentou o total de óbitos pela doença para 22.666 no País, segundo balanço divulgado na noite deste domingo, 24, pelo Ministério da Saúde. De ontem para hoje, 15.813 novos casos de infecção pelo novo coronavírus foram registrados e agora já são 363.211 pessoas contaminadas.

Embora os números sejam inferiores aos registrados ao longo da última semana, quando o volume de contaminados e mortos bateu recorde, com 20.803 novas infecções na sexta-feira e 1.188 novos óbitos na quinta, ainda não é possível dizer que há desaceleração da pandemia no País pois o total de confirmações aos fins de semana costuma ser mais baixo que o dos dias úteis. Isso ocorre por causa da redução no funcionamento das estruturas de notificação.

Do total de óbitos confirmados ontem, somente 275 ocorreram nos últimos três dias. O restante aconteceu em período anterior, mas só teve agora a confirmação. O ministério informou que outros 3 544 óbitos estão em investigação por suspeita de covid-19.

O Brasil segue ocupando a segunda posição entre as nações com mais casos de covid-19 no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que acumula mais de 1,6 milhão de infectados, segundo dados compilados pela plataforma da Universidade Johns Hopkins até as 19h deste domingo.

Na lista de países com mais mortes acumuladas, o Brasil ocupa a sexta posição. Só fica atrás de Estados Unidos (97.672), Reino Unido (36.875), Itália (32.785), Espanha (28.752) e França (28 219).

Em todo o mundo, a covid-19 já infectou 5,3 milhões de pessoas, causando a morte de 343 mil delas, também de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins. Depois do início do surto na China em dezembro, pico na Europa e nos Estados Unidos em março e abril, a América do Sul passou a ser considerada o novo epicentro da doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Estado brasileiro mais afetado segue sendo São Paulo, que, neste domingo, 23, chegou a 6.163 mortos pela doença e mais de 82 mil infectados. Segundo balanço da Secretaria Estadual da Saúde, 91,8% dos leitos da Grande São Paulo dedicados para covid-19 na rede pública paulista estava ocupada neste domingo. É o segundo índice mais alto desde o início da pandemia.

O índice de ocupação dos leitos de UTI de todo o Estado segue inferior ao observado na região metropolitana de São Paulo, mas bateu recorde neste domingo, o que mostra o avanço da pandemia para o interior e o litoral. Hoje, 75,7% de todos os leitos de UTI da rede pública paulista dedicados para pacientes com coronavírus estão ocupados.

No ranking de unidades da federação mais atingidas pela pandemia aparecem, depois de São Paulo, os Estados do Rio de Janeiro, com 37.912 casos e 3.993 mortes e Ceará, com 35.595 infecções e 2 324 óbitos, segundo os números do ministério.

Teich: navegamos em situação de incapacidade de enxergar o que vai acontecer

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou na noite deste domingo, 24, em entrevista à Globonews que neste momento não se sabe o que vai acontecer com o coronavírus no Brasil, como a doença vai evoluir e quanto tempo vai durar. "Navegamos hoje em situação de absoluta incapacidade de enxergar o que vai acontecer pela frente."

Sobre o general Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde após sua saída, Teich disse que o próprio militar afirmou que não tem intenção de permanecer no cargo. "A proposta dele, não sei como ficou, era que, depois que a pandemia passasse e a coisa se estabilizasse, eles voltariam e seriam substituídos", disse. "Não podemos ter um pré-julgamento porque ele é militar. Tenho que julgar se ele é competente ou não e para o que ele veio ele é competente."

O ex-ministro disse que Pazuello tem experiência com as Olimpíadas e com a Venezuela e por isso tinha condições de entrar no ministério em sua gestão, nomeado como secretário executivo. "Achava que ele tinha experiência em conduzir situações difíceis. Se eu não tivesse visto nele pessoa certa naquela posição, uma dos dois não ficaria, ou ele ou eu."

Teich minimizou a ida de vários militares para o ministério, ressaltando que é natural que Pazuello leve sua equipe.

Em diversos pontos da entrevista, que durou mais de 90 minutos, Teich afirmou querer evitar a polarização. Ele mencionou, por exemplo, a discussão do isolamento social e a economia. "Se tratou economia como se fosse dinheiro e não vida, eu trato a economia como gente, não como dinheiro."

Teich disse que Bolsonaro está preocupado "com as pessoas", mas talvez sua forma de comunicar isso, defendendo o fim do isolamento, não foi a boa. "Não vou julgar o presidente. Quem vai julgar o presidente é o futuro", disse ao falar de Bolsonaro "O que não faltou no meu período foi compaixão."

Por pouco se saber sobre a doença e os próximos passos, a tomada de decisão é frágil, porque você tem que trabalhar com dados ainda incertos. "Se os indicadores mostrarem que não foi a melhor decisão, volto a trás. Foi a melhor decisão naquele momento."


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Página 3
Andréa Rêgo Barros

Brasil tem 653 mortes e 15 mil novos casos de coronavírus em 24 horas

Teich: navegamos em situação de incapacidade de enxergar o que vai acontecer

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Segunda, 25/5/2020 6:55.

Por Fabiana Cambricoli

O Brasil registrou 653 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas, o que aumentou o total de óbitos pela doença para 22.666 no País, segundo balanço divulgado na noite deste domingo, 24, pelo Ministério da Saúde. De ontem para hoje, 15.813 novos casos de infecção pelo novo coronavírus foram registrados e agora já são 363.211 pessoas contaminadas.

Embora os números sejam inferiores aos registrados ao longo da última semana, quando o volume de contaminados e mortos bateu recorde, com 20.803 novas infecções na sexta-feira e 1.188 novos óbitos na quinta, ainda não é possível dizer que há desaceleração da pandemia no País pois o total de confirmações aos fins de semana costuma ser mais baixo que o dos dias úteis. Isso ocorre por causa da redução no funcionamento das estruturas de notificação.

Do total de óbitos confirmados ontem, somente 275 ocorreram nos últimos três dias. O restante aconteceu em período anterior, mas só teve agora a confirmação. O ministério informou que outros 3 544 óbitos estão em investigação por suspeita de covid-19.

O Brasil segue ocupando a segunda posição entre as nações com mais casos de covid-19 no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que acumula mais de 1,6 milhão de infectados, segundo dados compilados pela plataforma da Universidade Johns Hopkins até as 19h deste domingo.

Na lista de países com mais mortes acumuladas, o Brasil ocupa a sexta posição. Só fica atrás de Estados Unidos (97.672), Reino Unido (36.875), Itália (32.785), Espanha (28.752) e França (28 219).

Em todo o mundo, a covid-19 já infectou 5,3 milhões de pessoas, causando a morte de 343 mil delas, também de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins. Depois do início do surto na China em dezembro, pico na Europa e nos Estados Unidos em março e abril, a América do Sul passou a ser considerada o novo epicentro da doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Estado brasileiro mais afetado segue sendo São Paulo, que, neste domingo, 23, chegou a 6.163 mortos pela doença e mais de 82 mil infectados. Segundo balanço da Secretaria Estadual da Saúde, 91,8% dos leitos da Grande São Paulo dedicados para covid-19 na rede pública paulista estava ocupada neste domingo. É o segundo índice mais alto desde o início da pandemia.

O índice de ocupação dos leitos de UTI de todo o Estado segue inferior ao observado na região metropolitana de São Paulo, mas bateu recorde neste domingo, o que mostra o avanço da pandemia para o interior e o litoral. Hoje, 75,7% de todos os leitos de UTI da rede pública paulista dedicados para pacientes com coronavírus estão ocupados.

No ranking de unidades da federação mais atingidas pela pandemia aparecem, depois de São Paulo, os Estados do Rio de Janeiro, com 37.912 casos e 3.993 mortes e Ceará, com 35.595 infecções e 2 324 óbitos, segundo os números do ministério.

Teich: navegamos em situação de incapacidade de enxergar o que vai acontecer

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou na noite deste domingo, 24, em entrevista à Globonews que neste momento não se sabe o que vai acontecer com o coronavírus no Brasil, como a doença vai evoluir e quanto tempo vai durar. "Navegamos hoje em situação de absoluta incapacidade de enxergar o que vai acontecer pela frente."

Sobre o general Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde após sua saída, Teich disse que o próprio militar afirmou que não tem intenção de permanecer no cargo. "A proposta dele, não sei como ficou, era que, depois que a pandemia passasse e a coisa se estabilizasse, eles voltariam e seriam substituídos", disse. "Não podemos ter um pré-julgamento porque ele é militar. Tenho que julgar se ele é competente ou não e para o que ele veio ele é competente."

O ex-ministro disse que Pazuello tem experiência com as Olimpíadas e com a Venezuela e por isso tinha condições de entrar no ministério em sua gestão, nomeado como secretário executivo. "Achava que ele tinha experiência em conduzir situações difíceis. Se eu não tivesse visto nele pessoa certa naquela posição, uma dos dois não ficaria, ou ele ou eu."

Teich minimizou a ida de vários militares para o ministério, ressaltando que é natural que Pazuello leve sua equipe.

Em diversos pontos da entrevista, que durou mais de 90 minutos, Teich afirmou querer evitar a polarização. Ele mencionou, por exemplo, a discussão do isolamento social e a economia. "Se tratou economia como se fosse dinheiro e não vida, eu trato a economia como gente, não como dinheiro."

Teich disse que Bolsonaro está preocupado "com as pessoas", mas talvez sua forma de comunicar isso, defendendo o fim do isolamento, não foi a boa. "Não vou julgar o presidente. Quem vai julgar o presidente é o futuro", disse ao falar de Bolsonaro "O que não faltou no meu período foi compaixão."

Por pouco se saber sobre a doença e os próximos passos, a tomada de decisão é frágil, porque você tem que trabalhar com dados ainda incertos. "Se os indicadores mostrarem que não foi a melhor decisão, volto a trás. Foi a melhor decisão naquele momento."


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