Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Saúde
Educação: Coronavírus afeta a rotina e força novos hábitos

Escolas e universidades se adaptam ao Coronavírus: atividades seguem online

Quinta, 26/3/2020 0:34.

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A suspensão das aulas presenciais nas escolas e universidades é outra rotina que afetou todas as famílias. A maioria das escolas, principalmente as particulares, estão optando por aulas online com vídeos e interação entre professores e alunos por meio de aplicativos.

A rede municipal de Balneário Camboriú está atuando nesse sentido de modo informal, já as escolas estaduais aguardam a decisão do Governo do Estado, que está analisando o regime especial de atividades escolares não presenciais para o cumprimento do calendário letivo de 2020.

A Secretaria de Estado da Educação (SED) estuda a flexibilização das atividades pedagógicas a distância, e a maior dificuldade tem sido que parte dos alunos não têm acesso a computador ou internet em casa.

“Quarentena não é férias, queremos estabelecer rotina”

Rosângela, em conferência online com secretários regionais

Rosângela Percegona, secretária de Educação de Balneário Camboriú

“De modo informal os professores estão em contato com as famílias e seus alunos, eles elaboraram atividades, jogos e brincadeiras, contação de histórias, desafios. Já preparamos uma plataforma, caso o Governo Federal solicite aulas à distância. Incluímos nesse sistema os 15 mil e-mails de familiares dos alunos, então se o Governo Federal decidir já estamos prontos, mas ainda não houve uma demanda oficial. Na quarta-feira (25) o Colegiado de Secretárias Municipais de Educação da AMFRI realizou reunião extraordinária, de maneira virtual, para tentarmos alinhar um calendário escolar de reposição de atividades e aulas a partir das orientações do Conselho Nacional de Educação. Se as aulas à distância vierem a acontecer queremos estabelecer rotina, mesmo em casa. Há a possibilidade de repormos aulas também, estamos discutindo o modo mais viável. Quarentena não é férias, por isso que mandamos atividades para os alunos, para que eles não percam o vínculo com questões educativas. Alguns professores estão fazendo vídeo, estão em contato frequente, está havendo essa interação, mas ainda não é de modo oficial. Se houver determinação do Governo Federal estamos preparados”.


“Proteção à saúde, a principal questão”

Foto: Arquivo Pessoal

Melania B. Horst, diretora da Escola Quintal Mágico, que atende crianças de 1 ano até 12 anos

Na escola muitas coisas mudam, pois não é um vírus qualquer, o momento exige mais atenção as higienes, principalmente com álcool gel e, as lavagens das mãos, que necessariamente passam a ser prioridades. Estamos buscando um secador a ar para as mãos, para não ser só as toalhas de papel. Entendemos que de hora em hora as carteiras, necessitam serem higienizadas, deixar tudo aberto para que haja correntes de ar, auxiliando as crianças passarem o álcool gel nas mãos, nas garrafinhas, durante o fazer das atividades, pois pegam em canetas, diversos materiais escolares, sempre procurando esclarecer estas atitudes para as crianças, contando com a participação ativa delas, na cooperação! Momentos importantes para refletirmos sobre estas questões, necessariamente passam pelos adultos. A forma de conduzir não pode ser obsessiva, ou persecutória, mas ir conversando, fazendo, pontuando, contando com a atenção dos pais, quanto o andamento das febres, tosses, ou má disposição das crianças, para não estarem no espaço social da escola. Aos poucos são bons hábitos e mudanças de atitudes mais cuidadosas, que todos vão introjetando no seu dia a dia! Outras possibilidades de ensinamentos, são os áudios visuais, que hoje já trazem conhecimentos integrados com as áreas das ciências humanas e naturais, como meio ambiente, corpo e mente. Os mesmos são muito esclarecedores, nos possibilitando integrar os cuidados consigo mesmo, com outro, com o planeta, com abordagens científicas, bem elaboradas! Esta dimensão de transmissão, faz parte do campo da educação, do nosso dever ensinar, aplicar! Sabemos que estes hábitos são repetitivos, e que se aprende nas rotinas, e no exercício das ações diárias, pois para cada criança é de um jeito, os mais ansiosos exigem mais calma e paciência por parte dos adultos, buscar estratégias para os ensinamentos como empatia, cooperação, solidariedade, está na tarefa dos adultos na educação, com os filhos e com os alunos, com os professores! É um momento oportuno para aprendermos, crescer emocionalmente através dos desafios que surgem, buscarmos meios para entender que: a proteção a nossa saúde, torna-se a principal questão, que os cuidados com a vida, exige responsabilidades, aprender a valorizar toda forma de vida, que ela tem valor essencial, e que diante de grandes desafios, como este, podemos entender o quão complexa é a nossa existência!”


“O trabalho em casa está até mais intenso”

Foto: Flávio Fernandes

Denis Kerber, professor de Biologia do curso pré-vestibular do COC Balneário Camboriú e COC Floripa

“Temos um planejamento a seguir, dou aula mais para cursinho pré-vestibular, temos muito conteúdo, o conteúdo para ensino Médio inteiro e consequentemente do Fundamental, que é base para o Médio, para dar no curso do semi em quatro meses, dois bimestres e o conteúdo do Extensivo tem que dar em oito meses. Alternativa que temos para não atrasar, porque não sabemos quanto tempo vamos ficar parados, já estamos na segunda sem aula... mesmo uma semana só já atrasaria muito, principalmente o curso semi extensivo que é de apenas um semestre... a escola já usa no COC de Floripa uma plataforma de questões, onde fazemos simulados, provas, é possível fazer lista de exercícios, simulados, provas e ela é avaliativa. O professor entra lá, faz uma lista de exercícios, os alunos vão respondendo e só no final, quando encerram a atividade é que sai o resultado. Com esse resultado podemos ir montando a nota deles. As aulas, estamos continuando o currículo, gravando as aulas. Usamos um aplicativo igual para todo mundo e gravamos de casa, usando nossos slides, aparece num cantinho nossa imagem dando aula e no final da aula, no último slide, colocamos uma lista de atividades para eles fazerem sobre aquela aula e isso durante as manhãs, vamos disponibilizando as aulas de acordo com o número de aulas que eles teriam normalmente por dia. À tarde eles fazem exercícios, provas, tem agendado plantões com os professores. Cada professor montou uma grade de plantões via Skype, fazemos meia hora por turma, eles entram, tiram dúvidas, nós explicamos e assim por diante. Tudo isso para não quebrar o ritmo de aulas com os avaliativos do ensino médio e para nossos alunos que vão fazer vestibular, que também não podem parar. Provavelmente as datas dos vestibulares devem ser mantidas. O que pode acontecer é uma alteração das datas no vestibular do meio do ano...acredito que Udesc, Acafe, UFSC/Araranguá deverão repensar datas. Nossos alunos continuam estudando, assistindo aulas. Claro que a aula desta forma, sem alunos perguntando, sem um quadro para escrever, nos dá muito mais trabalho na hora de produzir slides, porque nossos slides na aula geralmente servem como um roteiro, sendo que a gente vai complementando muita coisa no quadro e também com as dúvidas imediatas dos alunos. Uma aula presencial é muito diferente. Então acabamos montando em uma semana um curso completo online com método avaliativo e tudo. Então ao contrário do que possam imaginar, que os professores estão em casa, sem fazer nada, posso afirmar que o trabalho em casa está até mais intenso, estamos o tempo todo produzindo aulas, tivemos que nos adaptar usar ferramentas que não sabia, alguns têm mais dificuldades com tecnologia e tiveram que se adaptar, mas estão todos super engajados e assim estamos funcionando e os alunos estão elogiando bastante. Eu trabalho em dois colégios diferentes, Florianópolis e Balneário Camboriú, eles têm o mesmo nome fantasia, mas são donos diferentes, um dos donos disse que muitos pais ligam para saber como vai ser a mensalidade, porque não estão tendo aulas, então existe a necessidade desse respaldo também de manter o aluno ocupado, estudando até para justificar o pagamento de uma mensalidade e a resposta dos pais, depois de explicar tudo... justifica os pais continuarem pagando mensalidade. Por causa de cursinho pré-vestibular, já existem muitos cursos online, porque são mais em conta do que o presencial, então somos obrigados até a oferecer mais do que esses cursos online oferecem, que é isso que estamos fazendo. Esta plataforma que usamos analisa por gráficos o desempenho do aluno a cada simulado que ele faz. Então algumas coisas já tinha, mas é isso, gravando aula em casa e vamos levando assim até essa loucura acabar”.


“Professores hoje precisam estar preparados para situações como essa”

Foto: Reprodução

Rogério José Novaes de Carvalho (Professor Baiano) é diretor e professor do COC BC e professor no COC Floripa

“No dia-a-dia a escola lida com situações diversas e diariamente temos uma equipe que mantém esforços para resolver estes problemas e transformá-los em um ato vibrante. Como já dizia Paulo Freire: “O mundo não é, o mundo está sendo”. A escola precisa estar num engajamento constante na sociedade onde se está inserida, compreendendo essa complexidade da vida. Na busca por uma trilha de conhecimento diário, através de uma educação personalizada, com metodologias ativas e com o uso de tecnologias colaborativas, que toda a equipe do COC Balneário Camboriú se movimenta. Procuramos estar sempre na busca de uma maturidade intelectual e de tecnologia digital em todas as nossas unidades, pois os professores hoje, atuam num mundo complexo e precisam estar sempre preparados para poder auxiliar os alunos a enfrentar inclusive situações como estas que estamos vivendo. A função da escola nos dias de hoje, é preparar/mediar as aprendizagens dos alunos para que saiam da zona de conforto. As ferramentas tecnológicas estão sendo primordiais neste contexto; e nosso aluno está tendo a oportunidade de aprender que as tecnologias estão muito além das redes sociais ou de um cola/copia. Concordamos que as aprendizagens precisam ter interações, precisa ser divertida, gratificante e prática; com a possibilidade de erro e com desafios que exijam a colaboração do aluno. E o aluno precisa construir conhecimento e precisa se reconectar com prazer, com esta forma de aprendizagem. “O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir, Cria situações-problemas.” (Jean Piaget) Este é um momento de colocarmos as coisas em ordem e investirmos tempo e dedicação a novos projetos e quem estiver preparado vai sair melhor do que entrou. Nesta retórica o colégio COC Balneário Camboriú se engajou num projeto virtual onde através de uma plataforma educacional com tecnologia que tange o que há de mais moderno no mundo, propicia aos seus alunos um planejamento diário e individualizado de estudos via EAD, que além de fomentar vídeo aulas, monitorias, material didático de apoio, projeto de aprofundamento, correção de redações online, tutoriais via WhatsApp e apoio emocional (via profissionais da área linkados no processo), consegue parametrizar todo o comprometimento diário do estudante com os eventos e fóruns de discussão, propiciando uma nota pertinente à integração do aluno a todo este contexto, e não simplesmente a uma prova que nunca conseguiu, na sua essência, traduzir o potencial deste estudante, indo em consonância a um movimento mundial de avaliação qualitativa. Neste atual cenário, onde via decreto se possibilitou o uso deste mecanismo como dia letivo válido, a nossa dinâmica deixou de ser um instrumento de acompanhamento para ser o braço da escola em cada lar como nossa contribuição na educação do nosso país”.


“Há muitos universitários que não tem acesso ao computador ou até mesmo internet”

Vinicius, aluno da UFSC, segue com sua atuação na pesquisa em casa

Vinícius Rutes Henning, 21 anos, acadêmico de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

A UFSC estava bem à frente da situação do Corona, já estavam discutindo antes de dar o ‘estouro’, sendo uma das primeiras universidades do Brasil a parar por tempo indeterminado. A paralisação de Balneário foi decretada na terça (17), e a da UFSC ainda na quinta (12). Todas as atividades presenciais foram suspensas, desde aulas, eventos, laboratório, biblioteca, restaurante universitário. Foi uma decisão sábia, porque as salas são muito apertadas. Eu estudo no CCE, que é o bloco mais antigo da UFSC, sendo bem pouco ventilado, com corredores sem janela, salas pequenas e com muita gente. Seria bem preocupante se não houvesse a suspensão. Não dá para dar bobeira. Fui afetado não só pela suspensão das aulas, mas também pelo laboratório de pesquisa, o qual faço parte. Teríamos reunião na sexta-feira (13), e foi cancelado de imediato. Estamos recebendo notícias frequentes, a UFSC está apoiando a população, cedendo espaços, já doaram equipamentos e possuem relação com o HU, o Hospital Universitário, e estão seguindo todas as recomendações da OMS e do Governo Estadual e Municipal de Floripa. Absolutamente todo mundo está indo contra as atitudes do presidente Bolsonaro, ele está indo contra os pronunciamentos estaduais e municipais, na verdade. Até este momento não estamos tendo aula, nem à distância, estudaram a possibilidade, mas foi cancelado. É um pouco difícil, me preocupo com a situação do semestre, ninguém quer perder aulas, poderíamos estar com modalidade EAD, mas não deixa de ser um pensamento egoísta, porque há muitos universitários que não tem acesso ao computador ou até mesmo internet. É uma situação imprevisível e complicado exigir que todos tenham acesso a um computador para continuar um curso presencial à distância. Eu queria o EAD, mas sou privilegiado por ter um computador e não é a realidade de todos; basta uma pessoa não poder acessar que não tem como mais ninguém seguir, então achei sábia a decisão. Vale lembrar que a UFSC não é só graduação, a pesquisa em si continua acontecendo à distância. Eu estou em um grupo e estamos nos reunindo, inclusive em parceria com a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em um grupo de pesquisa de literatura digital e estamos pensando também em fazer workshops, debates e palestras online”.


“Não podemos confundir aulas online com aulas à distância”

UniAvan apresenta aulas online

Professor André Gobbo, Doutorando em Educação Científica e Tecnológica na Universidade de Santa Catarina e Coordenador dos Núcleos do Centro Universitário Avantis (UniAvan)

“Inicialmente, no dia 16 de março, quando instituímos o Comitê de Crise no UniAvan, decidimos antecipar aos alunos seis dias de férias, no período compreendido entre 16 e 21 de março de 2020, a ser compensado no mês de julho. No dia seguinte, considerando o Decreto n. 509, do Governador, tomamos a decisão de suspender, até o dia 21 de abril, as aulas presenciais na UniAvan. No entanto, para garantirmos o cumprimento do calendário letivo o processo de ensino-aprendizagem, decidimos que a partir de 23 de março as aulas seriam retomadas para todos os cursos da modalidade presencial e EaD, porém, com aulas on-line, por meio da Plataforma de Ensino. A partir desse momento começamos a instruir nossos professores para se adequarem a essa nova forma de ministrarem as aulas e, nesse período, muitos alunos não confiavam que as aulas on-line dariam certo. Por mais que estão envoltos pelas tecnologias, muitos ainda acreditam que só aprendem tendo o professor na sala de aula. Muitos confundiram aulas online com ensino a distância, mas estabelecemos um canal de comunicação com os estudantes para elucidarmos as diferenças entre essas duas formas distintas do processo de ensino-aprendizagem. Agora que as aulas on-line iniciaram acredito que eles compreenderam que também é possível aprender por meio das tecnologias de informação e comunicação, mediados pelo professor e pelo tutor que estão do outro lado da tela. Não podemos confundir aulas online com aulas a distância, optamos pelas aulas online, onde o professor ministra as aulas normalmente em uma plataforma de ensino-aprendizagem, mas do outro lado da tela. Os alunos assistem às aulas ao vivo e podem interagir tanto com o professor quanto com os seus colegas, tanto verbal ou pela escrita. Além desse contato contamos com uma Plataforma onde aí eles têm acesso aos vídeos horas por dia, tanto às aulas que o professor gravou, quanto aos materiais de apoio e exercícios. Os encontros acontecem diariamente no horário normal de aula. O que mudou é apenas o ambiente dos encontros presenciais - que antes acontecia no UniAvan – mas agora acontece nas residências ou locais de trabalho de cada um. Quanto ao tempo de atividade julgo ser suficiente, isso porque os professores tiveram uma semana para reprogramarem as suas aulas para esse novo estilo que está envolvendo muito os alunos. Percebo que essa situação desafiou a nós, professores, a revermos as nossas aulas e a nos abrirmos e descobrirmos novas tecnologias que estavam aí, a nossa disposição, mas que ignorávamos porque acreditávamos que estávamos fazendo da melhor forma possível. Hoje, se acompanharmos como os professores estão ministrando as aulas percebemos o quanto foram capazes de serem criativos para reconfigurarem todas as suas práticas pedagógicas em tão pouco tempo. São nossos heróis! É claro que, nessa situação emergencial, as atividades práticas foram comprometidas nesse momento, isso porque os estágios obrigatórios, em muitos casos, não podem ser feitos virtualmente. Porém, todas as horas de atividades práticas serão repostas quando voltarmos à normalidade, dentro do que a legislação nos obriga. O que devemos fazer agora é zelar pela vida de todos, garantindo a excelência no processo de ensino-aprendizagem. Há tempos já dispomos de uma plataforma onde os conteúdos complementares eram disponibilizados aos alunos. Acompanhando as tendências da educação superior, estamos formando nossos professores para o Ensino Híbrido, que consiste em atividades online e presenciais. Essa foi a nossa sorte nesse momento de crise! Tanto nossos alunos quanto nossos professores já tinham essa noção e já utilizavam essa estratégia de ensino-aprendizagem. Não começamos do zero... A partir dessa semana os professores começaram a ministrar as aulas online. Num primeiro momento eles criam uma sala de aula virtual e às 19h começam a problematizar e explicar os conteúdos programados. Após isso é proposta alguma atividade na plataforma EaD: leituras complementares, produção de textos, resolução de questões, estudos de casos, fóruns de discussão, e até mesmo gravar vídeos em casa e depois encaminhar ao professor. Nesse período em que estão fazendo as atividades o professor fica on-line em um chat onde os alunos, caso necessitarem, podem recorrer a ele para tirarem as dúvidas. Diferentemente, na modalidade EaD os alunos contam apenas como um tutor e aprendem por meio do auto-estudo. Já nessa proposta das aulas on-line eles contam com o professor, o tutor e a interação com os colegas. Pelos comentários que recebo esta experiência está surtindo muita satisfação entre os discentes. Eles estão se sentindo assistidos pela instituição e, lógico, muito mais pelos nossos professores que fazem de tudo para garantirem a normalidade. Acredito que diante toda essa crise, fica para nós, professores e alunos, um ensinamento muito importante: juntos, fomos capazes de implementar aquilo que chamo de ‘graduação viva’, ou seja, reinventamos os processos educacionais de modo que, com o uso ético das tantas tecnologias, pudéssemos nos concentrar no desenvolvimento dos 4 C’s, tidos como competências fundamentais para o século XXI, a saber: comunicação, colaboração, criticidade e criatividade. Acredito que as tecnologias da informação são, para esse século, o que a energia elétrica foi para os anteriores. O acelerado desenvolvimento dessas tecnologias, aliado agora à crise emergencial que vivemos devido a ameaça desse vírus, impactou diretamente o sistema educacional como um todo e nos levou a repensar o que é educação. Diferentemente do que muitos apregoavam, vimos nessa experiência que a escola foi quem entrou na internet, e não vice-versa. Acredito que estamos caminhando a um futuro sem salas de aula, com ambientes mais abertos e onde as pessoas poderão adquirir conhecimentos conforme suas necessidades. No entanto, um dos maiores desafios da educação ainda é preparar nossos educandos para a realidade desse mundo cada vez mais tecnológico, globalizado, dinâmico e criativo. Para tanto novas políticas educacionais são necessárias, com abordagens inovadoras de aprendizagem e que proporcionem uma formação técnica, científica e humana mais sólida, mas que também sejam capazes de estimular uma reflexão crítica, reflexiva e criativa na resolução das tantas mazelas que acometem o nosso mundo hodierno. No entanto, por si só as tecnologias não têm esse potencial. É preciso contarmos com professores e tutores qualificados e empáticos, que incluam na pauta das discussões o trabalho da interação social com um olhar focado no bem-estar do ser humano, de modo que formemos profissionais, pensadores, leitores e críticos, incluindo o ensino de uma imensidão de incertezas em meio a poucas certezas. Nesse cenário, muito mais do que acumular e transmitir conhecimentos por meio das tecnologias, entendemos que a educação deve ser uma fonte catalisadora que mobilize todo o conhecimento para uma transformação social e positiva. Com esse entendimento é que sempre assevero: não podemos deixar levar por modismos exagerados porque senão formaremos meros usuários de tecnologias. Pelo contrário, acredito o desenvolvimento de uma nação começa pela leitura e escrita e pelo desenvolvimento de valores, contudo, a tecnologia deve ser percebida como a ‘nossa acompanhante de luxo’, mas não como a redentora de todos os problemas que afligem a educação e, consequentemente, a sociedade brasileira.”


Univali e Udesc também

Em função do decreto do Governo do Estado a Univali também continua com suas atividades suspensas, com aulas acontecendo à distância, assim como a Udesc, que segue sem previsão de retorno de suas aulas presenciais e também cancelou o vestibular de inverno, que deveria acontecer em maio. Ainda não foi estipulada uma nova data.



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Educação: Coronavírus afeta a rotina e força novos hábitos

Escolas e universidades se adaptam ao Coronavírus: atividades seguem online

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Quinta, 26/3/2020 0:34.

A suspensão das aulas presenciais nas escolas e universidades é outra rotina que afetou todas as famílias. A maioria das escolas, principalmente as particulares, estão optando por aulas online com vídeos e interação entre professores e alunos por meio de aplicativos.

A rede municipal de Balneário Camboriú está atuando nesse sentido de modo informal, já as escolas estaduais aguardam a decisão do Governo do Estado, que está analisando o regime especial de atividades escolares não presenciais para o cumprimento do calendário letivo de 2020.

A Secretaria de Estado da Educação (SED) estuda a flexibilização das atividades pedagógicas a distância, e a maior dificuldade tem sido que parte dos alunos não têm acesso a computador ou internet em casa.

“Quarentena não é férias, queremos estabelecer rotina”

Rosângela, em conferência online com secretários regionais

Rosângela Percegona, secretária de Educação de Balneário Camboriú

“De modo informal os professores estão em contato com as famílias e seus alunos, eles elaboraram atividades, jogos e brincadeiras, contação de histórias, desafios. Já preparamos uma plataforma, caso o Governo Federal solicite aulas à distância. Incluímos nesse sistema os 15 mil e-mails de familiares dos alunos, então se o Governo Federal decidir já estamos prontos, mas ainda não houve uma demanda oficial. Na quarta-feira (25) o Colegiado de Secretárias Municipais de Educação da AMFRI realizou reunião extraordinária, de maneira virtual, para tentarmos alinhar um calendário escolar de reposição de atividades e aulas a partir das orientações do Conselho Nacional de Educação. Se as aulas à distância vierem a acontecer queremos estabelecer rotina, mesmo em casa. Há a possibilidade de repormos aulas também, estamos discutindo o modo mais viável. Quarentena não é férias, por isso que mandamos atividades para os alunos, para que eles não percam o vínculo com questões educativas. Alguns professores estão fazendo vídeo, estão em contato frequente, está havendo essa interação, mas ainda não é de modo oficial. Se houver determinação do Governo Federal estamos preparados”.


“Proteção à saúde, a principal questão”

Foto: Arquivo Pessoal

Melania B. Horst, diretora da Escola Quintal Mágico, que atende crianças de 1 ano até 12 anos

Na escola muitas coisas mudam, pois não é um vírus qualquer, o momento exige mais atenção as higienes, principalmente com álcool gel e, as lavagens das mãos, que necessariamente passam a ser prioridades. Estamos buscando um secador a ar para as mãos, para não ser só as toalhas de papel. Entendemos que de hora em hora as carteiras, necessitam serem higienizadas, deixar tudo aberto para que haja correntes de ar, auxiliando as crianças passarem o álcool gel nas mãos, nas garrafinhas, durante o fazer das atividades, pois pegam em canetas, diversos materiais escolares, sempre procurando esclarecer estas atitudes para as crianças, contando com a participação ativa delas, na cooperação! Momentos importantes para refletirmos sobre estas questões, necessariamente passam pelos adultos. A forma de conduzir não pode ser obsessiva, ou persecutória, mas ir conversando, fazendo, pontuando, contando com a atenção dos pais, quanto o andamento das febres, tosses, ou má disposição das crianças, para não estarem no espaço social da escola. Aos poucos são bons hábitos e mudanças de atitudes mais cuidadosas, que todos vão introjetando no seu dia a dia! Outras possibilidades de ensinamentos, são os áudios visuais, que hoje já trazem conhecimentos integrados com as áreas das ciências humanas e naturais, como meio ambiente, corpo e mente. Os mesmos são muito esclarecedores, nos possibilitando integrar os cuidados consigo mesmo, com outro, com o planeta, com abordagens científicas, bem elaboradas! Esta dimensão de transmissão, faz parte do campo da educação, do nosso dever ensinar, aplicar! Sabemos que estes hábitos são repetitivos, e que se aprende nas rotinas, e no exercício das ações diárias, pois para cada criança é de um jeito, os mais ansiosos exigem mais calma e paciência por parte dos adultos, buscar estratégias para os ensinamentos como empatia, cooperação, solidariedade, está na tarefa dos adultos na educação, com os filhos e com os alunos, com os professores! É um momento oportuno para aprendermos, crescer emocionalmente através dos desafios que surgem, buscarmos meios para entender que: a proteção a nossa saúde, torna-se a principal questão, que os cuidados com a vida, exige responsabilidades, aprender a valorizar toda forma de vida, que ela tem valor essencial, e que diante de grandes desafios, como este, podemos entender o quão complexa é a nossa existência!”


“O trabalho em casa está até mais intenso”

Foto: Flávio Fernandes

Denis Kerber, professor de Biologia do curso pré-vestibular do COC Balneário Camboriú e COC Floripa

“Temos um planejamento a seguir, dou aula mais para cursinho pré-vestibular, temos muito conteúdo, o conteúdo para ensino Médio inteiro e consequentemente do Fundamental, que é base para o Médio, para dar no curso do semi em quatro meses, dois bimestres e o conteúdo do Extensivo tem que dar em oito meses. Alternativa que temos para não atrasar, porque não sabemos quanto tempo vamos ficar parados, já estamos na segunda sem aula... mesmo uma semana só já atrasaria muito, principalmente o curso semi extensivo que é de apenas um semestre... a escola já usa no COC de Floripa uma plataforma de questões, onde fazemos simulados, provas, é possível fazer lista de exercícios, simulados, provas e ela é avaliativa. O professor entra lá, faz uma lista de exercícios, os alunos vão respondendo e só no final, quando encerram a atividade é que sai o resultado. Com esse resultado podemos ir montando a nota deles. As aulas, estamos continuando o currículo, gravando as aulas. Usamos um aplicativo igual para todo mundo e gravamos de casa, usando nossos slides, aparece num cantinho nossa imagem dando aula e no final da aula, no último slide, colocamos uma lista de atividades para eles fazerem sobre aquela aula e isso durante as manhãs, vamos disponibilizando as aulas de acordo com o número de aulas que eles teriam normalmente por dia. À tarde eles fazem exercícios, provas, tem agendado plantões com os professores. Cada professor montou uma grade de plantões via Skype, fazemos meia hora por turma, eles entram, tiram dúvidas, nós explicamos e assim por diante. Tudo isso para não quebrar o ritmo de aulas com os avaliativos do ensino médio e para nossos alunos que vão fazer vestibular, que também não podem parar. Provavelmente as datas dos vestibulares devem ser mantidas. O que pode acontecer é uma alteração das datas no vestibular do meio do ano...acredito que Udesc, Acafe, UFSC/Araranguá deverão repensar datas. Nossos alunos continuam estudando, assistindo aulas. Claro que a aula desta forma, sem alunos perguntando, sem um quadro para escrever, nos dá muito mais trabalho na hora de produzir slides, porque nossos slides na aula geralmente servem como um roteiro, sendo que a gente vai complementando muita coisa no quadro e também com as dúvidas imediatas dos alunos. Uma aula presencial é muito diferente. Então acabamos montando em uma semana um curso completo online com método avaliativo e tudo. Então ao contrário do que possam imaginar, que os professores estão em casa, sem fazer nada, posso afirmar que o trabalho em casa está até mais intenso, estamos o tempo todo produzindo aulas, tivemos que nos adaptar usar ferramentas que não sabia, alguns têm mais dificuldades com tecnologia e tiveram que se adaptar, mas estão todos super engajados e assim estamos funcionando e os alunos estão elogiando bastante. Eu trabalho em dois colégios diferentes, Florianópolis e Balneário Camboriú, eles têm o mesmo nome fantasia, mas são donos diferentes, um dos donos disse que muitos pais ligam para saber como vai ser a mensalidade, porque não estão tendo aulas, então existe a necessidade desse respaldo também de manter o aluno ocupado, estudando até para justificar o pagamento de uma mensalidade e a resposta dos pais, depois de explicar tudo... justifica os pais continuarem pagando mensalidade. Por causa de cursinho pré-vestibular, já existem muitos cursos online, porque são mais em conta do que o presencial, então somos obrigados até a oferecer mais do que esses cursos online oferecem, que é isso que estamos fazendo. Esta plataforma que usamos analisa por gráficos o desempenho do aluno a cada simulado que ele faz. Então algumas coisas já tinha, mas é isso, gravando aula em casa e vamos levando assim até essa loucura acabar”.


“Professores hoje precisam estar preparados para situações como essa”

Foto: Reprodução

Rogério José Novaes de Carvalho (Professor Baiano) é diretor e professor do COC BC e professor no COC Floripa

“No dia-a-dia a escola lida com situações diversas e diariamente temos uma equipe que mantém esforços para resolver estes problemas e transformá-los em um ato vibrante. Como já dizia Paulo Freire: “O mundo não é, o mundo está sendo”. A escola precisa estar num engajamento constante na sociedade onde se está inserida, compreendendo essa complexidade da vida. Na busca por uma trilha de conhecimento diário, através de uma educação personalizada, com metodologias ativas e com o uso de tecnologias colaborativas, que toda a equipe do COC Balneário Camboriú se movimenta. Procuramos estar sempre na busca de uma maturidade intelectual e de tecnologia digital em todas as nossas unidades, pois os professores hoje, atuam num mundo complexo e precisam estar sempre preparados para poder auxiliar os alunos a enfrentar inclusive situações como estas que estamos vivendo. A função da escola nos dias de hoje, é preparar/mediar as aprendizagens dos alunos para que saiam da zona de conforto. As ferramentas tecnológicas estão sendo primordiais neste contexto; e nosso aluno está tendo a oportunidade de aprender que as tecnologias estão muito além das redes sociais ou de um cola/copia. Concordamos que as aprendizagens precisam ter interações, precisa ser divertida, gratificante e prática; com a possibilidade de erro e com desafios que exijam a colaboração do aluno. E o aluno precisa construir conhecimento e precisa se reconectar com prazer, com esta forma de aprendizagem. “O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir, Cria situações-problemas.” (Jean Piaget) Este é um momento de colocarmos as coisas em ordem e investirmos tempo e dedicação a novos projetos e quem estiver preparado vai sair melhor do que entrou. Nesta retórica o colégio COC Balneário Camboriú se engajou num projeto virtual onde através de uma plataforma educacional com tecnologia que tange o que há de mais moderno no mundo, propicia aos seus alunos um planejamento diário e individualizado de estudos via EAD, que além de fomentar vídeo aulas, monitorias, material didático de apoio, projeto de aprofundamento, correção de redações online, tutoriais via WhatsApp e apoio emocional (via profissionais da área linkados no processo), consegue parametrizar todo o comprometimento diário do estudante com os eventos e fóruns de discussão, propiciando uma nota pertinente à integração do aluno a todo este contexto, e não simplesmente a uma prova que nunca conseguiu, na sua essência, traduzir o potencial deste estudante, indo em consonância a um movimento mundial de avaliação qualitativa. Neste atual cenário, onde via decreto se possibilitou o uso deste mecanismo como dia letivo válido, a nossa dinâmica deixou de ser um instrumento de acompanhamento para ser o braço da escola em cada lar como nossa contribuição na educação do nosso país”.


“Há muitos universitários que não tem acesso ao computador ou até mesmo internet”

Vinicius, aluno da UFSC, segue com sua atuação na pesquisa em casa

Vinícius Rutes Henning, 21 anos, acadêmico de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

A UFSC estava bem à frente da situação do Corona, já estavam discutindo antes de dar o ‘estouro’, sendo uma das primeiras universidades do Brasil a parar por tempo indeterminado. A paralisação de Balneário foi decretada na terça (17), e a da UFSC ainda na quinta (12). Todas as atividades presenciais foram suspensas, desde aulas, eventos, laboratório, biblioteca, restaurante universitário. Foi uma decisão sábia, porque as salas são muito apertadas. Eu estudo no CCE, que é o bloco mais antigo da UFSC, sendo bem pouco ventilado, com corredores sem janela, salas pequenas e com muita gente. Seria bem preocupante se não houvesse a suspensão. Não dá para dar bobeira. Fui afetado não só pela suspensão das aulas, mas também pelo laboratório de pesquisa, o qual faço parte. Teríamos reunião na sexta-feira (13), e foi cancelado de imediato. Estamos recebendo notícias frequentes, a UFSC está apoiando a população, cedendo espaços, já doaram equipamentos e possuem relação com o HU, o Hospital Universitário, e estão seguindo todas as recomendações da OMS e do Governo Estadual e Municipal de Floripa. Absolutamente todo mundo está indo contra as atitudes do presidente Bolsonaro, ele está indo contra os pronunciamentos estaduais e municipais, na verdade. Até este momento não estamos tendo aula, nem à distância, estudaram a possibilidade, mas foi cancelado. É um pouco difícil, me preocupo com a situação do semestre, ninguém quer perder aulas, poderíamos estar com modalidade EAD, mas não deixa de ser um pensamento egoísta, porque há muitos universitários que não tem acesso ao computador ou até mesmo internet. É uma situação imprevisível e complicado exigir que todos tenham acesso a um computador para continuar um curso presencial à distância. Eu queria o EAD, mas sou privilegiado por ter um computador e não é a realidade de todos; basta uma pessoa não poder acessar que não tem como mais ninguém seguir, então achei sábia a decisão. Vale lembrar que a UFSC não é só graduação, a pesquisa em si continua acontecendo à distância. Eu estou em um grupo e estamos nos reunindo, inclusive em parceria com a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em um grupo de pesquisa de literatura digital e estamos pensando também em fazer workshops, debates e palestras online”.


“Não podemos confundir aulas online com aulas à distância”

UniAvan apresenta aulas online

Professor André Gobbo, Doutorando em Educação Científica e Tecnológica na Universidade de Santa Catarina e Coordenador dos Núcleos do Centro Universitário Avantis (UniAvan)

“Inicialmente, no dia 16 de março, quando instituímos o Comitê de Crise no UniAvan, decidimos antecipar aos alunos seis dias de férias, no período compreendido entre 16 e 21 de março de 2020, a ser compensado no mês de julho. No dia seguinte, considerando o Decreto n. 509, do Governador, tomamos a decisão de suspender, até o dia 21 de abril, as aulas presenciais na UniAvan. No entanto, para garantirmos o cumprimento do calendário letivo o processo de ensino-aprendizagem, decidimos que a partir de 23 de março as aulas seriam retomadas para todos os cursos da modalidade presencial e EaD, porém, com aulas on-line, por meio da Plataforma de Ensino. A partir desse momento começamos a instruir nossos professores para se adequarem a essa nova forma de ministrarem as aulas e, nesse período, muitos alunos não confiavam que as aulas on-line dariam certo. Por mais que estão envoltos pelas tecnologias, muitos ainda acreditam que só aprendem tendo o professor na sala de aula. Muitos confundiram aulas online com ensino a distância, mas estabelecemos um canal de comunicação com os estudantes para elucidarmos as diferenças entre essas duas formas distintas do processo de ensino-aprendizagem. Agora que as aulas on-line iniciaram acredito que eles compreenderam que também é possível aprender por meio das tecnologias de informação e comunicação, mediados pelo professor e pelo tutor que estão do outro lado da tela. Não podemos confundir aulas online com aulas a distância, optamos pelas aulas online, onde o professor ministra as aulas normalmente em uma plataforma de ensino-aprendizagem, mas do outro lado da tela. Os alunos assistem às aulas ao vivo e podem interagir tanto com o professor quanto com os seus colegas, tanto verbal ou pela escrita. Além desse contato contamos com uma Plataforma onde aí eles têm acesso aos vídeos horas por dia, tanto às aulas que o professor gravou, quanto aos materiais de apoio e exercícios. Os encontros acontecem diariamente no horário normal de aula. O que mudou é apenas o ambiente dos encontros presenciais - que antes acontecia no UniAvan – mas agora acontece nas residências ou locais de trabalho de cada um. Quanto ao tempo de atividade julgo ser suficiente, isso porque os professores tiveram uma semana para reprogramarem as suas aulas para esse novo estilo que está envolvendo muito os alunos. Percebo que essa situação desafiou a nós, professores, a revermos as nossas aulas e a nos abrirmos e descobrirmos novas tecnologias que estavam aí, a nossa disposição, mas que ignorávamos porque acreditávamos que estávamos fazendo da melhor forma possível. Hoje, se acompanharmos como os professores estão ministrando as aulas percebemos o quanto foram capazes de serem criativos para reconfigurarem todas as suas práticas pedagógicas em tão pouco tempo. São nossos heróis! É claro que, nessa situação emergencial, as atividades práticas foram comprometidas nesse momento, isso porque os estágios obrigatórios, em muitos casos, não podem ser feitos virtualmente. Porém, todas as horas de atividades práticas serão repostas quando voltarmos à normalidade, dentro do que a legislação nos obriga. O que devemos fazer agora é zelar pela vida de todos, garantindo a excelência no processo de ensino-aprendizagem. Há tempos já dispomos de uma plataforma onde os conteúdos complementares eram disponibilizados aos alunos. Acompanhando as tendências da educação superior, estamos formando nossos professores para o Ensino Híbrido, que consiste em atividades online e presenciais. Essa foi a nossa sorte nesse momento de crise! Tanto nossos alunos quanto nossos professores já tinham essa noção e já utilizavam essa estratégia de ensino-aprendizagem. Não começamos do zero... A partir dessa semana os professores começaram a ministrar as aulas online. Num primeiro momento eles criam uma sala de aula virtual e às 19h começam a problematizar e explicar os conteúdos programados. Após isso é proposta alguma atividade na plataforma EaD: leituras complementares, produção de textos, resolução de questões, estudos de casos, fóruns de discussão, e até mesmo gravar vídeos em casa e depois encaminhar ao professor. Nesse período em que estão fazendo as atividades o professor fica on-line em um chat onde os alunos, caso necessitarem, podem recorrer a ele para tirarem as dúvidas. Diferentemente, na modalidade EaD os alunos contam apenas como um tutor e aprendem por meio do auto-estudo. Já nessa proposta das aulas on-line eles contam com o professor, o tutor e a interação com os colegas. Pelos comentários que recebo esta experiência está surtindo muita satisfação entre os discentes. Eles estão se sentindo assistidos pela instituição e, lógico, muito mais pelos nossos professores que fazem de tudo para garantirem a normalidade. Acredito que diante toda essa crise, fica para nós, professores e alunos, um ensinamento muito importante: juntos, fomos capazes de implementar aquilo que chamo de ‘graduação viva’, ou seja, reinventamos os processos educacionais de modo que, com o uso ético das tantas tecnologias, pudéssemos nos concentrar no desenvolvimento dos 4 C’s, tidos como competências fundamentais para o século XXI, a saber: comunicação, colaboração, criticidade e criatividade. Acredito que as tecnologias da informação são, para esse século, o que a energia elétrica foi para os anteriores. O acelerado desenvolvimento dessas tecnologias, aliado agora à crise emergencial que vivemos devido a ameaça desse vírus, impactou diretamente o sistema educacional como um todo e nos levou a repensar o que é educação. Diferentemente do que muitos apregoavam, vimos nessa experiência que a escola foi quem entrou na internet, e não vice-versa. Acredito que estamos caminhando a um futuro sem salas de aula, com ambientes mais abertos e onde as pessoas poderão adquirir conhecimentos conforme suas necessidades. No entanto, um dos maiores desafios da educação ainda é preparar nossos educandos para a realidade desse mundo cada vez mais tecnológico, globalizado, dinâmico e criativo. Para tanto novas políticas educacionais são necessárias, com abordagens inovadoras de aprendizagem e que proporcionem uma formação técnica, científica e humana mais sólida, mas que também sejam capazes de estimular uma reflexão crítica, reflexiva e criativa na resolução das tantas mazelas que acometem o nosso mundo hodierno. No entanto, por si só as tecnologias não têm esse potencial. É preciso contarmos com professores e tutores qualificados e empáticos, que incluam na pauta das discussões o trabalho da interação social com um olhar focado no bem-estar do ser humano, de modo que formemos profissionais, pensadores, leitores e críticos, incluindo o ensino de uma imensidão de incertezas em meio a poucas certezas. Nesse cenário, muito mais do que acumular e transmitir conhecimentos por meio das tecnologias, entendemos que a educação deve ser uma fonte catalisadora que mobilize todo o conhecimento para uma transformação social e positiva. Com esse entendimento é que sempre assevero: não podemos deixar levar por modismos exagerados porque senão formaremos meros usuários de tecnologias. Pelo contrário, acredito o desenvolvimento de uma nação começa pela leitura e escrita e pelo desenvolvimento de valores, contudo, a tecnologia deve ser percebida como a ‘nossa acompanhante de luxo’, mas não como a redentora de todos os problemas que afligem a educação e, consequentemente, a sociedade brasileira.”


Univali e Udesc também

Em função do decreto do Governo do Estado a Univali também continua com suas atividades suspensas, com aulas acontecendo à distância, assim como a Udesc, que segue sem previsão de retorno de suas aulas presenciais e também cancelou o vestibular de inverno, que deveria acontecer em maio. Ainda não foi estipulada uma nova data.



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