Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Tecnologia
Lojas, ônibus, estádios, escolas e hospitais investem em identificação por imagem

Domingo, 8/4/2018 7:18.
Divulgação.

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FILIPE OLIVEIRA
(FOLHAPRESS) - O anonimato pode estar com os dias contados.

Entrar em uma loja, hotel, escola, ônibus e estádio de futebol sem ser reconhecido será cada vez mais difícil conforme avança a tecnologia de reconhecimento facial.

Identificar pessoas a partir de imagens tem ficado cada vez mais fácil e barato conforme se aperfeiçoam os sistemas de inteligência artificial.
Aprimorada a programação, deixam de ser necessárias câmeras de alta qualidade para o processamento das imagens. Uma foto tirada no celular pode ser o suficiente.

A precisão é tanta que o Facebook liberou, no fim do ano passado, recurso para que usuários possam localizar fotos suas publicadas por outras pessoas na rede, com bilhões de usuários.

Vicente Goetten, diretor-do TOTVS Labs (centro de pesquisa nos EUA da empresa de software brasileira), diz que a tecnologia está madura para sua implantação no mercado. "Alcançamos taxa de acerto de 99% e muitos noves nas casas decimais."

A partir de câmeras de segurança comuns, esse tipo de tecnologia pode permitir que lojas físicas tenham mais dados sobre quem as frequenta e ofereçam promoções e atendimento personalizados para seus clientes, diz Christian Rempel, consultor de varejo da empresa de tecnologia Logicalis, que vem implantando o serviço em projetos-piloto.

EMOÇÕES

Além de saber quantas pessoas entraram, qual seu sexo, idade e se compraram algo, também é possível que as câmeras identifiquem suas emoções. Assim, o empresário pode saber se o preço que está colocando desagrada a clientes ou entender o que eles pensam de um produto em degustação, diz.

A empresa pode ir mais longe e combinar os dados das imagens com cadastros dos clientes para chamá-los pelo nome assim que chegam. Para isso, basta criar um app ou programa de fidelidade em que o cliente tire uma foto.

Assim, quando ele entrar na loja, um vendedor com tablet na mão pode saber seu nome, o que comprou nas outras vezes e sugerir um produto que tem mais chances de lhe interessar, diz Rempel.

No setor hospitalar, a Softline testa, em hospital que trata pacientes com câncer, um sistema baseado em câmeras que identifica pacientes na sua chegada para agilizar o atendimento.

Já a Totvs, além de também preparar projetos para hospitais e lojas, quer desenvolver serviços para escolas e hotéis.

Será possível, por exemplo, que pais recebam uma notificação em seus celulares quando câmeras da escola registrarem seus filhos entrando na sala, diz Goetten.

FRAUDES

O reconhecimento facial levou a SPTrans a cancelar 110 mil bilhetes eletrônicos de passageiros que tentavam entrar em ônibus com cartões de outras pessoas desde agosto de 2016, diz José Aécio de Souza, superintendente de atendimento e comercialização da empresa.

Ele afirma que, desde a data, as catracas dos ônibus são integradas a câmeras. Quando um passageiro que tem direito a desconto passa o cartão, o equipamento armazena quatro fotos dele.

No fim do dia, sistema compara as imagens tiradas com a foto do passageiro que está no banco de dados da SPTrans e, caso haja probabilidade alta de fraudes, funcionários são chamados para dar uma segunda opinião.

Confirmada a fraude, o bilhete é suspenso.

As imagens são sempre descartadas ao fim do dia, afirma Souza.

Segundo Danny Kabiljo, sócio da startup Full Face, essa aplicação da tecnologia para coibir fraudes pode dar segurança a transações feitas no meio digital.

A empresa desenvolveu para a Gol o serviço de check-in em voos a partir de foto tirada a partir do celular.

Sistema traz preocupação sobre privacidade

Se, por um lado, o avanço dos sistemas de reconhecimento facial promete dar mais segurança e comodidade, a falta de políticas para proteção de dados gera preocupações em especialistas.

Entre os problemas apontados está o risco de eles serem vendidos, usados para influenciar decisões ou até para repressão de cidadãos.

O mundo offline é menos protegido do que a rede, de acordo com Renato Leite Monteiro, professor de direito digital do Mackenzie.

Ele diz que o Marco Civil da Internet fornece algumas proteções para usuários de serviços online, ao estabelecer como princípio que dados pessoais só devem ser coletados caso isso seja necessário para algum serviço que se quer oferecer -e com consentimento da pessoa.

Por outro lado, não existem regras claras sobre como deve ser o tratamento de dados obtidos fora da rede, em câmeras de segurança de lojas, recepções de escritórios ou escolas, por exemplo.

Para Francisco Carvalho de Brito Cruz, diretor do InternetLab, a coleta de informações pessoais gera riscos.

"Quanto mais informação sobre alguém você tem, mais poder tem sobre a pessoa, pode dirigir o comportamento dela, fazer sugestões efetivas, saber o que ela está fazendo, prever o que vai fazer."

Ele diz que, fora da internet, dados pessoais são coletados em situações corriqueiras sem nos darmos conta e sem termos opção. Isso acontece, por exemplo, quando se passa pela portaria de um prédio e se deixa tirar uma foto.

POLÍCIA

Os riscos do uso indevido de dados biométricos não afetam só o Brasil.

Pesquisa de 2016 da Universidade de Georgetown (EUA) apontou que departamentos policiais de municípios e estados americanos possuem dados que permitem identificar por imagens 117 milhões de cidadãos.

Ela indicou que poucas dessas instituições têm políticas que previnam o uso inadequado deles, determinando quem pode usá-los e em que situações.

Com isso, há risco de que esses dados sejam usados para coibir manifestações políticas, diz o estudo.


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Página 3
Divulgação.

Lojas, ônibus, estádios, escolas e hospitais investem em identificação por imagem

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Domingo, 8/4/2018 7:18.

FILIPE OLIVEIRA
(FOLHAPRESS) - O anonimato pode estar com os dias contados.

Entrar em uma loja, hotel, escola, ônibus e estádio de futebol sem ser reconhecido será cada vez mais difícil conforme avança a tecnologia de reconhecimento facial.

Identificar pessoas a partir de imagens tem ficado cada vez mais fácil e barato conforme se aperfeiçoam os sistemas de inteligência artificial.
Aprimorada a programação, deixam de ser necessárias câmeras de alta qualidade para o processamento das imagens. Uma foto tirada no celular pode ser o suficiente.

A precisão é tanta que o Facebook liberou, no fim do ano passado, recurso para que usuários possam localizar fotos suas publicadas por outras pessoas na rede, com bilhões de usuários.

Vicente Goetten, diretor-do TOTVS Labs (centro de pesquisa nos EUA da empresa de software brasileira), diz que a tecnologia está madura para sua implantação no mercado. "Alcançamos taxa de acerto de 99% e muitos noves nas casas decimais."

A partir de câmeras de segurança comuns, esse tipo de tecnologia pode permitir que lojas físicas tenham mais dados sobre quem as frequenta e ofereçam promoções e atendimento personalizados para seus clientes, diz Christian Rempel, consultor de varejo da empresa de tecnologia Logicalis, que vem implantando o serviço em projetos-piloto.

EMOÇÕES

Além de saber quantas pessoas entraram, qual seu sexo, idade e se compraram algo, também é possível que as câmeras identifiquem suas emoções. Assim, o empresário pode saber se o preço que está colocando desagrada a clientes ou entender o que eles pensam de um produto em degustação, diz.

A empresa pode ir mais longe e combinar os dados das imagens com cadastros dos clientes para chamá-los pelo nome assim que chegam. Para isso, basta criar um app ou programa de fidelidade em que o cliente tire uma foto.

Assim, quando ele entrar na loja, um vendedor com tablet na mão pode saber seu nome, o que comprou nas outras vezes e sugerir um produto que tem mais chances de lhe interessar, diz Rempel.

No setor hospitalar, a Softline testa, em hospital que trata pacientes com câncer, um sistema baseado em câmeras que identifica pacientes na sua chegada para agilizar o atendimento.

Já a Totvs, além de também preparar projetos para hospitais e lojas, quer desenvolver serviços para escolas e hotéis.

Será possível, por exemplo, que pais recebam uma notificação em seus celulares quando câmeras da escola registrarem seus filhos entrando na sala, diz Goetten.

FRAUDES

O reconhecimento facial levou a SPTrans a cancelar 110 mil bilhetes eletrônicos de passageiros que tentavam entrar em ônibus com cartões de outras pessoas desde agosto de 2016, diz José Aécio de Souza, superintendente de atendimento e comercialização da empresa.

Ele afirma que, desde a data, as catracas dos ônibus são integradas a câmeras. Quando um passageiro que tem direito a desconto passa o cartão, o equipamento armazena quatro fotos dele.

No fim do dia, sistema compara as imagens tiradas com a foto do passageiro que está no banco de dados da SPTrans e, caso haja probabilidade alta de fraudes, funcionários são chamados para dar uma segunda opinião.

Confirmada a fraude, o bilhete é suspenso.

As imagens são sempre descartadas ao fim do dia, afirma Souza.

Segundo Danny Kabiljo, sócio da startup Full Face, essa aplicação da tecnologia para coibir fraudes pode dar segurança a transações feitas no meio digital.

A empresa desenvolveu para a Gol o serviço de check-in em voos a partir de foto tirada a partir do celular.

Sistema traz preocupação sobre privacidade

Se, por um lado, o avanço dos sistemas de reconhecimento facial promete dar mais segurança e comodidade, a falta de políticas para proteção de dados gera preocupações em especialistas.

Entre os problemas apontados está o risco de eles serem vendidos, usados para influenciar decisões ou até para repressão de cidadãos.

O mundo offline é menos protegido do que a rede, de acordo com Renato Leite Monteiro, professor de direito digital do Mackenzie.

Ele diz que o Marco Civil da Internet fornece algumas proteções para usuários de serviços online, ao estabelecer como princípio que dados pessoais só devem ser coletados caso isso seja necessário para algum serviço que se quer oferecer -e com consentimento da pessoa.

Por outro lado, não existem regras claras sobre como deve ser o tratamento de dados obtidos fora da rede, em câmeras de segurança de lojas, recepções de escritórios ou escolas, por exemplo.

Para Francisco Carvalho de Brito Cruz, diretor do InternetLab, a coleta de informações pessoais gera riscos.

"Quanto mais informação sobre alguém você tem, mais poder tem sobre a pessoa, pode dirigir o comportamento dela, fazer sugestões efetivas, saber o que ela está fazendo, prever o que vai fazer."

Ele diz que, fora da internet, dados pessoais são coletados em situações corriqueiras sem nos darmos conta e sem termos opção. Isso acontece, por exemplo, quando se passa pela portaria de um prédio e se deixa tirar uma foto.

POLÍCIA

Os riscos do uso indevido de dados biométricos não afetam só o Brasil.

Pesquisa de 2016 da Universidade de Georgetown (EUA) apontou que departamentos policiais de municípios e estados americanos possuem dados que permitem identificar por imagens 117 milhões de cidadãos.

Ela indicou que poucas dessas instituições têm políticas que previnam o uso inadequado deles, determinando quem pode usá-los e em que situações.

Com isso, há risco de que esses dados sejam usados para coibir manifestações políticas, diz o estudo.


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