Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Variedades
Rupturas e alianças apuram 'Game of Thrones' para temporada final

Segunda, 28/8/2017 8:55.
Divulgação.

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LUCIANA COELHO
(FOLHAPRESS) - Quem apostou que "Game of Thrones" ia retomar sua verve foi recompensando na noite deste domingo (27). (Este texto está coalhado de spoilers, então não leia caso não tenha assistido ao final da sétima temporada.)

Não dá para dizer que tenha sido o melhor episódio -esse título pertence à "Batalha dos Bastardos", o penúltimo da temporada anterior. Que maravilha, contudo, é ver a série retornar a seus princípios.

Podia ser melhor, claro. Cersei (Lena Headey) poderia não ter hesitado e ido às vias de fato, mandado matar Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), subscrevendo a regra de perdermos pelo menos um personagem amado por temporada. Mas o golpe poderia ser excessivamente prejudicial ao enredo, privando-nos de um possível herói (e um do melhor tipo, de moral dúbia).

Ao menos chegou-se ao fim da temporada com a sensação de redenção. Cersei, afinal continua tramando. Tyrion (Peter Dinklage) pode fazer planos estúpidos, mas continua sendo um manipulador. As alianças se forjam sem necessariamente ficarem óbvias.

Cavaleiros caídos, como o castrado Theon (Alfie Allen), podem ser perdoados, figurada e literalmente. O orgulho de alguns personagens continuará se sobrepondo à lógica. Dinheiro - caso alguém não tenha prestado atenção - vale mais que chumbo.

E nada, nada, é irreversível ou indestrutível - que o prove a muralha ao norte, que colapso em uma cena de encher os olhos e estourar os nervos.

Primeiro, a jogada para a torcida: Mindinho/Little Finger/lorde Baelish (Aidan Gillen) tinha que morrer. E tinha que morrer pelas mãos das irmãs Stark, Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turnr).

Mesmo assim, que esperado fosse, a cena fez jus aos melhores momentos da serie envolvendo tramóias e traições. A presença de Bran (Isaac Hempstead Wright) ao lado de Sansa era um indício de que Arya poderia ficar tranquila, ainda assim; o diálogo foi quase shakespeareano.

Uma coisa que este episódio final fez, aliás, foi devolver ao público mais adulto e mais versado em dramaturgia os bons diálogos entregues pelos melhores atores da série.

O embate verbal entre Cersei e Tyrion, irmãos, explicando seu ódio mútuo está entre os melhores momentos de GoT. É difícil, ali, saber quem engana quem, quem é mais inteligente ou manipulador. Um alívio ter de volta esse tipo de confronto em lugar dos arrulhos vazios entre Jon (Kite Harington) e Daenerys (Emilia Clarke).

Os dois, finalmente, consumaram a tensão sexual que vinham costurando nos últimos episódios. Um tanto desconfortável a cena vir logo depois da confirmação de que se tratam de tia e sobrinho (alô, roteiristas, não precisava desenhar tão explicitamente a origem de Jon), mas não inesperado para uma história em que irmãos gêmeos perpetuam a família entre si.

Após o diálogo com Jon sobre sua capacidade reprodutiva, não seria de surpreender que Daenerys engravidasse com mais um Targaryenzinho. Um episódio derradeiro no qual se confrontam duas rainhas grávidas, por sinal, seria totalmente coerente com o tom feminista que a serie tem assumido.

O que mais ficou evidente neste final de temporada, porém, é como "Game of Thrones" revolve em torno da dinâmica (bem ou mal resolvida) entre irmãos. Cersei e Jaime, ou Cersei e Tyrion; Arya e Sansa; Montanha e o Cão; Theon e Yara; Euron e Balon; os dragões (agora em lados distintos).

Todos, a seu modo, representam a indissociabilidade entre bem e mal, e, talvez por isso, a série desenhada no escopo da fantasia, com dragões e gigantes, supere outras obras do gênero.

Esse registro ficará mais difícil de atingir na última temporada, que enseja um conflito binário entre mortos e vivos, humanos e sobrenatural, bem e mal, com dois Targaryens (Dany e Jon?) montando seus dragões contra o Rei da Noite e seu Viserion-zumbi.

Até chegarmos a ele, entretanto, será preciso superar intrigas, distâncias e descrenças. E, ao que tudo indica, um confronto de rainhas com um herói cuja identidade ainda não está totalmente clara.


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Página 3
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Rupturas e alianças apuram 'Game of Thrones' para temporada final

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Segunda, 28/8/2017 8:55.

LUCIANA COELHO
(FOLHAPRESS) - Quem apostou que "Game of Thrones" ia retomar sua verve foi recompensando na noite deste domingo (27). (Este texto está coalhado de spoilers, então não leia caso não tenha assistido ao final da sétima temporada.)

Não dá para dizer que tenha sido o melhor episódio -esse título pertence à "Batalha dos Bastardos", o penúltimo da temporada anterior. Que maravilha, contudo, é ver a série retornar a seus princípios.

Podia ser melhor, claro. Cersei (Lena Headey) poderia não ter hesitado e ido às vias de fato, mandado matar Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), subscrevendo a regra de perdermos pelo menos um personagem amado por temporada. Mas o golpe poderia ser excessivamente prejudicial ao enredo, privando-nos de um possível herói (e um do melhor tipo, de moral dúbia).

Ao menos chegou-se ao fim da temporada com a sensação de redenção. Cersei, afinal continua tramando. Tyrion (Peter Dinklage) pode fazer planos estúpidos, mas continua sendo um manipulador. As alianças se forjam sem necessariamente ficarem óbvias.

Cavaleiros caídos, como o castrado Theon (Alfie Allen), podem ser perdoados, figurada e literalmente. O orgulho de alguns personagens continuará se sobrepondo à lógica. Dinheiro - caso alguém não tenha prestado atenção - vale mais que chumbo.

E nada, nada, é irreversível ou indestrutível - que o prove a muralha ao norte, que colapso em uma cena de encher os olhos e estourar os nervos.

Primeiro, a jogada para a torcida: Mindinho/Little Finger/lorde Baelish (Aidan Gillen) tinha que morrer. E tinha que morrer pelas mãos das irmãs Stark, Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turnr).

Mesmo assim, que esperado fosse, a cena fez jus aos melhores momentos da serie envolvendo tramóias e traições. A presença de Bran (Isaac Hempstead Wright) ao lado de Sansa era um indício de que Arya poderia ficar tranquila, ainda assim; o diálogo foi quase shakespeareano.

Uma coisa que este episódio final fez, aliás, foi devolver ao público mais adulto e mais versado em dramaturgia os bons diálogos entregues pelos melhores atores da série.

O embate verbal entre Cersei e Tyrion, irmãos, explicando seu ódio mútuo está entre os melhores momentos de GoT. É difícil, ali, saber quem engana quem, quem é mais inteligente ou manipulador. Um alívio ter de volta esse tipo de confronto em lugar dos arrulhos vazios entre Jon (Kite Harington) e Daenerys (Emilia Clarke).

Os dois, finalmente, consumaram a tensão sexual que vinham costurando nos últimos episódios. Um tanto desconfortável a cena vir logo depois da confirmação de que se tratam de tia e sobrinho (alô, roteiristas, não precisava desenhar tão explicitamente a origem de Jon), mas não inesperado para uma história em que irmãos gêmeos perpetuam a família entre si.

Após o diálogo com Jon sobre sua capacidade reprodutiva, não seria de surpreender que Daenerys engravidasse com mais um Targaryenzinho. Um episódio derradeiro no qual se confrontam duas rainhas grávidas, por sinal, seria totalmente coerente com o tom feminista que a serie tem assumido.

O que mais ficou evidente neste final de temporada, porém, é como "Game of Thrones" revolve em torno da dinâmica (bem ou mal resolvida) entre irmãos. Cersei e Jaime, ou Cersei e Tyrion; Arya e Sansa; Montanha e o Cão; Theon e Yara; Euron e Balon; os dragões (agora em lados distintos).

Todos, a seu modo, representam a indissociabilidade entre bem e mal, e, talvez por isso, a série desenhada no escopo da fantasia, com dragões e gigantes, supere outras obras do gênero.

Esse registro ficará mais difícil de atingir na última temporada, que enseja um conflito binário entre mortos e vivos, humanos e sobrenatural, bem e mal, com dois Targaryens (Dany e Jon?) montando seus dragões contra o Rei da Noite e seu Viserion-zumbi.

Até chegarmos a ele, entretanto, será preciso superar intrigas, distâncias e descrenças. E, ao que tudo indica, um confronto de rainhas com um herói cuja identidade ainda não está totalmente clara.


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