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Mãe: ser ou não ser? As mulheres são influenciadas desde cedo a serem mães
Arquivo Pessoal

Sexta, 10/5/2019 16:59.

Por Any Spenassato

Quando nascem, o primeiro presente geralmente é uma boneca. O segundo também. “Tem que trocar a fralda, dar banho, dar mama. Cuida dela direitinho, filha”. E assim, quase que indiretamente, a sociedade vai impondo às mulheres o papel de serem mães e, consequentemente, donas de casa.

NÃO SER

Hoje, por inúmeros motivos, cerca de 14% das brasileiras decidiram serem NoMo (sigla de “No Mother”, “Não mães” em inglês). A pesquisa feita no ano passado pelo IBGE, mostrou que cada vez mais, ter filhos não estão nos planos de muitas mulheres, as prioridades são outras e isso representa liberdade feminina em decidir sua própria história.

Como fez a professora universitária de Publicidade na Univali, Cynthia Hansen de 40 anos, catarinense de Blumenau, residente de Balneário Camboriú desde 2015.

Para ela, um filho pode privá-la de realizar seus sonhos. “Ainda tenho tanta coisa para fazer e todas as pessoas ao meu redor que decidiram ter filhos foi em prol do outro. Não sou egoísta, adoro crianças, mas também adoro chegar em casa e ficar em paz. [...].”

Decidida sobre esta questão, Cynthia sempre teve outras motivações que não eram em ter filhos, ela gosta de viver de forma independente e sem a responsabilidade de criar uma criança. Sobre as opiniões de outras pessoas, ela não se importa e até agora, nada fez com que mudasse de ideia.

Casada há 13 anos, seu marido concorda com sua decisão, pois como ela mesma disse: “Se ele decidisse ter filhos, das duas uma, ou ele abdicaria de mim ou dessa vontade de ser pai”. Até hoje, isso não foi um problema e eles seguem o relacionamento felizes como são.

Quando alguém fala sobre a decisão de não ter filhos, muitas críticas e indagações surgem, como: “Mas quem vai cuidar de você quando envelhecer?”; “Não vai dar nenhum neto pros seus pais?”; “Você só irá descobrir o verdadeiro amor quando olhar para um filho” e assim vai.  Cynthia, firme em suas palavras, disse ser de extrema prepotência alguém projetar seu futuro em outra pessoa.

“Eu trabalho, pago minha previdência privada, cuido do meu corpo e da minha mente, tudo para envelhecer com qualidade de vida. Jamais aceitaria que outra pessoa deixasse sua vida para cuidar da minha.” Colocar filho no mundo pensando em si próprio é uma ideia antiga e que precisa ser repensada, como ela mesma afirma.

Sobre a questão de amor único e verdadeiro através do nascimento de um filho, se tornou algo romantizado. É claro que apenas quem teve esta experiência pode explicar, mas de qualquer forma, é uma decisão e Cynthia optou por não tê-la. “O ser humano tem a capacidade de amar de tantas formas, por que o único amor verdadeiro seria esse?”, questionou.

Ela nunca teve o apoio da família e o que antes era uma tentativa de fazer com que ela mudasse de ideia, hoje eles preferem não tocar no assunto para não causar desconforto em nenhuma das partes. Depois de mais de 20 anos enfrentando especulações e até julgamentos, Cynthia, bem resolvida, não se incomoda mais com opiniões alheias e segue sua vida como deseja.

SER

E quando ser mãe não estava nos planos e de repente, acontece? É o caso da Fabiane Pereira, 24 anos, gaúcha que reside em Penha, que recém gerou uma filha chamada Isabel (ou Bebel, apelido carinhoso). Depois que descobriu a gravidez, ela precisou abrir mão de muitas coisas, como a independência de morar sozinha, a bolsa de estudos no curso de biologia, o emprego e outras liberdades. Hoje vive com o namorado na casa dos pais dele na cidade de Penha e ainda tenta se habituar com a nova vida.

“As dificuldade vieram assim que soube que estava grávida”, disse. E ainda continuam. Segundo ela, ser mãe é estar presente 24 horas por dia, sem intervalo. É estar disposta o tempo todo e jamais demonstrar estar cansada, pois a criança sente, como uma esponja ela absorve toda a energia da mãe e isso pode ser ruim para o bebê, explicou ela.

Outro ponto ruim da maternidade, segundo a Fabiane, é a interferência de outras pessoas na criação da sua filha. “Têm as avós que acham que criar um filho existe receita, têm as outras mães que querem jogar na sua cara a “boa” criação do seu filho e tem a galera que não respeita as crianças, pois agarram elas sem pedir autorização para os pais”, disse.

Depois que um filho nasce, é preciso esperar até que ele crie “asas” para voltar a pensar mais em si própria, pois, como as mães dizem: “Filho sempre virá em primeiro lugar”. Calma e muito centrada, ela diz que a chave para não enlouquecer no processo de criação de um filho, “é focar na solução é não problema, é o que eu falo para mim todos os dias”, disse.

Fabiane acredita no amor único que sentiu quando pegou sua filha nos braços pela primeira vez. “ [...] quando a Bebel nasceu e peguei ela nos braços foi a sensação de amor mais louca que já tive, um amor incondicional mesmo, até esqueci de toda a dor do parto que eu tinha passado”, contou.

Há mulheres com a cultura enraizada de que sua missão na terra é de gerar filhos. Fabiane não pensa assim, acredita que cada pessoa tem sua vida e quem não opta por ter filho, até mesmo abortando, é decisão própria, pois mesmo a Bebel não ter sido planejada, ela foi concedia, foi uma escolha que cabe cada mulher decidir, até por que “filho é pra vida toda, precisa ter certeza”, confirmou.

Ser mãe não é mais uma questão de “instinto maternal” ou “chamado natural”. As mulheres vem se posicionando cada vez mais em assuntos que dizem respeito a elas e de forma alguma seu corpo será disponível para decisões que não sejam, apenas e exclusivamente delas.

As mulheres têm o poder de decidir se a maternidade é válido para elas ou não. Se suas prioridades serão filhos ou uma vida sem responsabilidade maternal. Se preferem investir em viagens ou no crescimento de uma pessoa. Se irão experimentar o “amor único” de ter um filho, ou morrerão sem saber qual é este sentimento.

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Mãe: ser ou não ser? As mulheres são influenciadas desde cedo a serem mães

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Sexta, 10/5/2019 16:59.

Por Any Spenassato

Quando nascem, o primeiro presente geralmente é uma boneca. O segundo também. “Tem que trocar a fralda, dar banho, dar mama. Cuida dela direitinho, filha”. E assim, quase que indiretamente, a sociedade vai impondo às mulheres o papel de serem mães e, consequentemente, donas de casa.

NÃO SER

Hoje, por inúmeros motivos, cerca de 14% das brasileiras decidiram serem NoMo (sigla de “No Mother”, “Não mães” em inglês). A pesquisa feita no ano passado pelo IBGE, mostrou que cada vez mais, ter filhos não estão nos planos de muitas mulheres, as prioridades são outras e isso representa liberdade feminina em decidir sua própria história.

Como fez a professora universitária de Publicidade na Univali, Cynthia Hansen de 40 anos, catarinense de Blumenau, residente de Balneário Camboriú desde 2015.

Para ela, um filho pode privá-la de realizar seus sonhos. “Ainda tenho tanta coisa para fazer e todas as pessoas ao meu redor que decidiram ter filhos foi em prol do outro. Não sou egoísta, adoro crianças, mas também adoro chegar em casa e ficar em paz. [...].”

Decidida sobre esta questão, Cynthia sempre teve outras motivações que não eram em ter filhos, ela gosta de viver de forma independente e sem a responsabilidade de criar uma criança. Sobre as opiniões de outras pessoas, ela não se importa e até agora, nada fez com que mudasse de ideia.

Casada há 13 anos, seu marido concorda com sua decisão, pois como ela mesma disse: “Se ele decidisse ter filhos, das duas uma, ou ele abdicaria de mim ou dessa vontade de ser pai”. Até hoje, isso não foi um problema e eles seguem o relacionamento felizes como são.

Quando alguém fala sobre a decisão de não ter filhos, muitas críticas e indagações surgem, como: “Mas quem vai cuidar de você quando envelhecer?”; “Não vai dar nenhum neto pros seus pais?”; “Você só irá descobrir o verdadeiro amor quando olhar para um filho” e assim vai.  Cynthia, firme em suas palavras, disse ser de extrema prepotência alguém projetar seu futuro em outra pessoa.

“Eu trabalho, pago minha previdência privada, cuido do meu corpo e da minha mente, tudo para envelhecer com qualidade de vida. Jamais aceitaria que outra pessoa deixasse sua vida para cuidar da minha.” Colocar filho no mundo pensando em si próprio é uma ideia antiga e que precisa ser repensada, como ela mesma afirma.

Sobre a questão de amor único e verdadeiro através do nascimento de um filho, se tornou algo romantizado. É claro que apenas quem teve esta experiência pode explicar, mas de qualquer forma, é uma decisão e Cynthia optou por não tê-la. “O ser humano tem a capacidade de amar de tantas formas, por que o único amor verdadeiro seria esse?”, questionou.

Ela nunca teve o apoio da família e o que antes era uma tentativa de fazer com que ela mudasse de ideia, hoje eles preferem não tocar no assunto para não causar desconforto em nenhuma das partes. Depois de mais de 20 anos enfrentando especulações e até julgamentos, Cynthia, bem resolvida, não se incomoda mais com opiniões alheias e segue sua vida como deseja.

SER

E quando ser mãe não estava nos planos e de repente, acontece? É o caso da Fabiane Pereira, 24 anos, gaúcha que reside em Penha, que recém gerou uma filha chamada Isabel (ou Bebel, apelido carinhoso). Depois que descobriu a gravidez, ela precisou abrir mão de muitas coisas, como a independência de morar sozinha, a bolsa de estudos no curso de biologia, o emprego e outras liberdades. Hoje vive com o namorado na casa dos pais dele na cidade de Penha e ainda tenta se habituar com a nova vida.

“As dificuldade vieram assim que soube que estava grávida”, disse. E ainda continuam. Segundo ela, ser mãe é estar presente 24 horas por dia, sem intervalo. É estar disposta o tempo todo e jamais demonstrar estar cansada, pois a criança sente, como uma esponja ela absorve toda a energia da mãe e isso pode ser ruim para o bebê, explicou ela.

Outro ponto ruim da maternidade, segundo a Fabiane, é a interferência de outras pessoas na criação da sua filha. “Têm as avós que acham que criar um filho existe receita, têm as outras mães que querem jogar na sua cara a “boa” criação do seu filho e tem a galera que não respeita as crianças, pois agarram elas sem pedir autorização para os pais”, disse.

Depois que um filho nasce, é preciso esperar até que ele crie “asas” para voltar a pensar mais em si própria, pois, como as mães dizem: “Filho sempre virá em primeiro lugar”. Calma e muito centrada, ela diz que a chave para não enlouquecer no processo de criação de um filho, “é focar na solução é não problema, é o que eu falo para mim todos os dias”, disse.

Fabiane acredita no amor único que sentiu quando pegou sua filha nos braços pela primeira vez. “ [...] quando a Bebel nasceu e peguei ela nos braços foi a sensação de amor mais louca que já tive, um amor incondicional mesmo, até esqueci de toda a dor do parto que eu tinha passado”, contou.

Há mulheres com a cultura enraizada de que sua missão na terra é de gerar filhos. Fabiane não pensa assim, acredita que cada pessoa tem sua vida e quem não opta por ter filho, até mesmo abortando, é decisão própria, pois mesmo a Bebel não ter sido planejada, ela foi concedia, foi uma escolha que cabe cada mulher decidir, até por que “filho é pra vida toda, precisa ter certeza”, confirmou.

Ser mãe não é mais uma questão de “instinto maternal” ou “chamado natural”. As mulheres vem se posicionando cada vez mais em assuntos que dizem respeito a elas e de forma alguma seu corpo será disponível para decisões que não sejam, apenas e exclusivamente delas.

As mulheres têm o poder de decidir se a maternidade é válido para elas ou não. Se suas prioridades serão filhos ou uma vida sem responsabilidade maternal. Se preferem investir em viagens ou no crescimento de uma pessoa. Se irão experimentar o “amor único” de ter um filho, ou morrerão sem saber qual é este sentimento.

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