Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Variedades
DIA DAS CRIANÇAS: a tecnologia mudou a infância?

Brincadeiras antigas, com movimento, dão prazer e encantam os pequenos

Quinta, 10/10/2019 13:21.

Publicidade

Por Renata Rutes

Neste sábado (12) é comemorado o Dia das Crianças. Para lembrar a data, o Página 3 apresenta uma reportagem especial sobre as brincadeiras que fazem parte do dia a dia dos pequenos. A tecnologia mudou a infância? As atividades dos tempos mais antigos ainda integram a rotina das famílias de Balneário Camboriú?

Perguntas como essas foram feitas a pais e educadores da cidade. A rede municipal de ensino realiza a Semana do Brincar, que valoriza o resgate das brincadeiras que movimentam o corpo e nesta semana, em comemoração ao Dia, todos os núcleos de educação infantil contaram com programação especial.


Brincar é coisa séria: mães falam sobre a importância da infância

Por Caroline Cezar, jornalista e colunista do Página 3


(Fotos: Caroline Cezar)

O brincar está bem inserido no cotidiano que convivo, porque temos clara consciência que até pra nós adultos, que na maioria somos atarefados e estressados, brincar é uma necessidade. E a brincadeira traz isso: essa des contração, essa "bobeira" à toa, esse estar junto, o jogo, o riso, o movimento.

Brincamos muito com música e com o corpo, e em roda: a cultura popular brasileira é muito rica nesse quesito, existem centenas de brincantes amadores e profissionais, e comunidades inteiras em que a brincadeira é o centro, o que une e move o povo, e a brincadeira conta a história, os modos, o jeito de viver naqueles locais. O Boi de Mamão, aqui pra nós, é um exemplo bem clássico, mas tem inúmeras outras brincadeiras populares que merecem ser resgatadas.

Também gostamos de brincar na praia, em praças, na rua, em locais em que é possível interagir, conversar, trocar com outras pessoas e outras realidades. Balneário é um centro de apartamentos, mas os bairros ainda tem muita criança brincando nas ruas, andando de bicicleta e jogando bola, e as pracinhas e parquinhos merecem ser cada vez mais valorizados, porque estamos falando de encontro, saúde, movimento, usar o espaço público e aberto da forma mais essencial.

O brincar pra criança já é bem natural, ela não precisa exatamente de objetos, mas de espaço e liberdade pra criar a própria brincadeira, o que é um exercício pro adulto, que está acostumado a coordenar, interferir, dizer o que é certo ou errado, ou como tem que ser.

Outra coisa legal é que a própria criança vai apontando a necessidade da fase do momento: se ela começa a rolar, se quer se pendurar, se quer encaixar coisas, empilhar, saltar, se precisa de algo mais concentrado, ou algo mais enérgico, se tem interesse por letras e números, tudo isso vai se mostrando muito nitidamente no crescimento. Também varia de acordo com a personalidade, então é bem singular mesmo, cada um é um. O mais importante é observar e ir oferecendo: ah, quer balançar; arrumamos um balanço. Quer pendurar, fazemos um balanço de pendurar. Quer empilhar, arrumamos objetos empilháveis. Não é tão difícil, e bom mesmo é estar atento à necessidade antes de sair ofertando tudo, porque isso enche a cabeça e o necessário acaba não se manifestando. Ela vai buscar o que precisa, vai apontar, mas precisa desse espaço livre.

Muito mais interessante se o brincar não estiver diretamente relacionado ao comprar, e sim ao criar, produzir: construir o próprio brinquedo, achar usos diferentes para objetos, improvisar, aí a brincadeira ganha um sentido muito mais amplo e se torna acessível a todos em qualquer lugar: tudo vira brinquedo mesmo que não se tenha nada.

No dia a dia também há outras formas de entender a brincadeira, na cozinha, nas tarefas cotidianas, na forma de se relacionar, nas expressões... já brincou de careta hoje? De sério? De interpretar emoções? De piscar um olho só, mexer a orelha, fazer penteados, nossa, temos inúmeras possibilidades se estivermos dispostos de sair desse engessamento da vida adulta.

Brincar não é algo para manter crianças ocupadas, é uma maneira de viver a vida, um pensamento mais leve acerca das coisas, um humor, um estilo de vida.



Carol, Ísis e Caetano (Foto: Arquivo Pessoal)

Carolina Ferreira Leite Sicchierolli, 40 anos, fisioterapeuta é mãe do Caetano Sicchierolli Fernandes, 5 anos, e da Isis Sicchierolli Fernandes, 1 ano. Eles moram no Estaleiro – “Meus filhos brincam de trepar, correr, cavar, plantar, com água, caixa de papelão, brincadeiras como pião, arco e flecha, quebra-cabeças, etc. Confeccionamos muitas coisas, sempre juntos (com pai ou mãe). Moramos no Estaleiro e há bastante espaço e estamos bem próximos da praia. Não temos tablet, o mais velho joga no máximo 1 hora/dia no celular do pai. Acredito que não tenho como impedir isso, mas sim controlar, e sempre incentivamos as brincadeiras com "movimento". Nosso dia a dia é sempre com eles, dividimos (pais) as tarefas da casa e do trabalho e inserimos as crianças em muitas destas tarefas como por exemplo guardar louças, organizar brinquedos e armários, cuidar do cachorro, etc. A grande diferença da minha infância para a atual está na rotina dos pais. Eu acredito que com o perfil dos pais e da rotina das famílias de hoje é que vem mudando o comportamento e interesses das crianças. Nós aqui em casa temos o privilégio de criar "a moda antiga"! Por escolha! O Dia das Crianças não é para nós uma data a ser comemorada. Nunca demos presentes ou fazemos algo especial nesta data... mais uma vez, temos o privilégio de levar uma vida tranquila e estarmos presentes integralmente na vida deles, brincando e vivendo todos os dias de forma especial!”



Mariana com Cecília (Foto: Arquivo Pessoal)

Mariana Paul de Souza Mattos, 28 anos, oceanógrafa, estudante de Mestrado, é mãe da Cecília Paul da Luz, de 4 anos – “A Cecília costuma brincar com os brinquedos que ela têm. Ela tem muitos brinquedos, uma grande variedade. Ela também brinca com utensílios da casa, coisas de cozinha, então ela mistura os brinquedos dela com outros objetos que ela vai encontrando pela casa. Como moramos em apartamento normalmente as brincadeiras dela estão restritas aos brinquedos. Ela também gosta muito de brincar com massinha, carrinhos, ela tem uma casinha de boneca, também monta quebra-cabeças. A gente brinca juntos, eu e ela ou ela e o meu marido. Não é comum brincarmos os três juntos, mas sempre um está brincando com ela e deixando ela conduzir a brincadeira. Nós entramos no ‘jogo’ dela. Adoramos dançar, cantar, brincar na praia, fazer castelo, enterrar na areia, fazemos trilhas, tudo isso faz parte do brincar porque para mim a infância é para aprender a viver brincando. A gente sempre buscou dar uma experiência para a Cecília que não seja tão dependente do eletrônico, das tecnologias. A gente gosta de resgatar o contato mesmo com materiais diferentes, usando o imaginário, construir coisas, cenários. Ás vezes montamos tenda no quarto dela, usando pedaços de madeira e lençol, para ela usar a imaginação e deixar a criatividade conduzir a brincadeira. Nunca oferecemos o celular para ela brincar. Nunca baixei nenhum jogo. Mas uma coisa que ela gosta muito de fazer e que eu considero quase uma brincadeira pra ela é se comunicar com as pessoas pelo celular. Ela sabe manusear o celular, ela é muito esperta, já aprendeu uma vez a desbloquear meu telefone. Ela sabe entrar no WhatsApp, manda áudio e figurinhas para as pessoas. Vejo que ela gosta disso, até porque nos vê no celular e acaba ‘brincando de ter um celular’. Mas não oferecemos como ferramenta de brincadeira, ela que às vezes consegue ter acesso e faz disso uma brincadeira. Tem muitos estudos que falam dos malefícios do uso de eletrônicos por crianças e eu vejo isso nela, ela fica mais agitada quando sai do eletrônico, então a gente evita. Por isso que analiso que tablet e celular não são as melhores opções para brincar e acho que limita muito a criatividade da criança. Minha filha ainda não frequenta a escola, mas ela já foi em um Jardim Waldorf em Florianópolis, que segue a pedagogia do brincar livre. As crianças podiam brincar com os brinquedos que ali estavam e acompanhavam a professora na rotina que uma casa teria, ajudando a preparar os alimentos, lavando as mãos, etc. Mas essa é uma realidade que não é da maioria das pessoas, infelizmente. Sobre a correria do dia a dia tem que fazer a 'mea culpa' porque realmente é muito difícil parar pra brincar. Temos certa flexibilidade porque eu sou estudante de Mestrado e meu marido é autônomo, e isso nos permite brincar com a Cecília, dar uma atenção direcionada. Sempre temos um momento para brincar com ela, e é muito gostoso. Não me programo para brincar com ela e sim para estar com ela em um período do dia. Quando estamos juntas o foco é na dedicação de qualidade. O significado do Dia das Crianças é para mim um momento de celebrar a infância, valorizar essa pureza e autenticidade que a criança tem. É dar asas para que essa imaginação voe cada vez mais alto, é estar em família, fazer o que a criança gosta. É proporcionar um dia gostoso para as crianças, e não só a criança minha filha e sim a minha criança interior e a do meu marido. O Dia das Crianças dessa vez vou passar com a minha família, vou para o Maracatu, que faço parte do grupo de Balneário. Minha filha adora, sempre se diverte muito. Ali tem um parquinho na praça da Barra, já aproveitamos para comer uma pipoca, tomar um sorvete. Fazer um dia bem de criança mesmo. E na próxima semana, com algumas amigas mães vamos fazer um churrasco em família para celebrar também esse dia. Vamos alugar uns brinquedos para a criançada e fazer o nosso Dia das Crianças entre os amiguinhos.”


Rede municipal valoriza as brincadeiras antigas

A rede municipal de ensino, focada principalmente nos núcleos de educação infantil, busca resgatar as brincadeiras antigas e que movimentam o corpo das crianças. Nesta semana, houve uma programação diferenciada para celebrar o Dia das Crianças, com rua do lazer, atividades como bicicleta, patinete, patins, bola de gude, pipa, oficinas de massinha, dia do ‘penteado maluco’, brincadeiras de roda, e muito mais.

A diretora do departamento de educação infantil da Secretaria de Educação de Balneário Camboriú, Mirella Padilha, explica que a intenção é celebrar e criar memórias para as crianças e não apenas entregar lembrancinhas no fim da semana.

“Hoje a tecnologia, como o celular e o tablet, está facilmente nas mãos das crianças, principalmente para os pais terem momento de ‘sossego’. Queremos mostrar exatamente que existe diversão longe disso e que ela está no movimento. Há prazer nessas brincadeiras. A proposta é ‘desemparedar’ as crianças, com passeios no sol. Estamos propagando que as escolas e núcleos façam mais isso”, diz.

Esse ‘incentivo’ acontece desde a Semana do Brincar, que é realizada sempre no primeiro semestre de cada ano. O projeto deu certo e há núcleos que fazem atividades que já são consideradas destaques na rede, como a Caixa do Brincar, do NEI Pequeno Navegador, que fica no Jardim Iate Clube.

“É uma caixa que cada criança leva pra casa a cada dia (por ordem alfabética). Nela vem jogo da memória, pião, telefone sem fio e até um bilboquê. As crianças adoram, interagem com a família. E há um ‘diário de bordo’, onde os pais relatam como se sentiram com a atividade”, acrescenta.

Esse comprometimento, segundo a diretora, é visto em toda a rede e ela aproveita para agradecer os profissionais das unidades de ensino.

“Para trabalhar na educação infantil tem que ter essa vontade e envolvimento. Durante a semana do Dia das Crianças teve núcleo que fez até teatro com a participação de professores e agentes de alimentação. É encantador ver o sorriso e brilho nos olhos dos alunos”, conta.

Mirella relata que muitos pais contam que ‘esquecem’ do quanto essas brincadeiras antigas são positivas e por isso a rede está focando em palestrar nas escolas sobre Vida em Família e Tempo de Qualidade.

“Os pais ficam na crise existencial de não ter tempo para os filhos, e por isso incentivamos que eles usem 10 minutos por dia pelo menos para a criança. Mas 10 minutos integrais para uma brincadeira ou uma conversa olho no olho. Isso já vale pelo dia inteiro”, destaca.

A diretora é mãe de um menino de seis anos, que estuda no NEI Pequeno Navegador, ela diz que nem sempre tem tempo para brincar com o filho e que ver as brincadeiras realizadas na escola é ‘gratificante’.

“A rede municipal de Balneário é excelente em atendimento, em profissionais e unidades. Há escolas com 10 crianças por sala, e isso não se vê nem em escolas particulares. Todos os professores são formados em Pedagogia. Vejo que o Dia das Crianças é uma oportunidade de refletir e fazer diferente. Além, claro, de curtirmos com nossos filhos”, completa.

Vanessa Ramos Cardoso é a diretora do NEI Carrossel, núcleo de educação infantil que fica na Rua Grécia, no Bairro das Nações, e atende também as crianças do centro da cidade. Ela conta que os alunos ficam ‘maravilhados’ com as brincadeiras diferentes que realizam, exatamente por ser tão diferente da rotina de casa.

“Em Balneário a população vive muito em prédios, então as crianças ficam muito dentro de casa. Percebo que elas se encantam com as atividades ao ar livre, como brincadeiras de roda, piquenique. Tentamos fazer elas vivenciarem a coisa boa que é a infância”, explica.

Segundo Vanessa, nesta semana os alunos participaram de oficinas de massinha e slime (fizeram os próprios ‘brinquedos’) com produtos naturais, desenharam com guache, fizeram tirolesa e brincaram de ‘bate-manteiga’. A escola também alugou pula-pula e pebolim com verba da APP (Associação de Pais e Professores).

“Os pais valorizam, elogiam bastante. As crianças contam para eles e eles dão esse retorno. Sou apaixonada pela educação infantil, poder ter essa troca com os pequenos é gratificante”, diz.


OPINIÃO DE PAIS

Adriane Andrade, professora, é mãe do Alexandre, 6 anos, que estuda no Carrossel

“Essa Semana da Criança, com atividades voltadas para o lado lúdico tem sido incrível. Meu filho adorou, já acorda querendo saber como vai ser, qual é a atividade do dia. Participo com ele, passo o cronograma que vem na agenda. Ele super se identificou com tudo, ficou encantado. Sei que o uso do tablet e celular é errado, mas às vezes precisamos e ele fica vendo vídeos. Infelizmente faz parte do dia a dia, mas é muito bom saber que na escola há a parte lúdica. Ele chega em casa contando que aprendeu sobre lendas e contos, coisas que eu vivi na minha infância. É muito bacana esse resgate. A contribuição da escola é muito importante. O Alexandre gosta de bola, patinete, joga futebol com o meu marido... também montamos quebra-cabeça, ele também gosta de dominó. O Carrossel é muito importante para a nossa vida. Quando ele entrou lá, há três anos, ele nem se alimentava direito, não tinha um leque de variedade de alimentos, e na escola isso mudou. No Dia das Crianças sempre damos ênfase que é o momento dele. Fazemos passeio em família, sempre temos uma programação diferenciada. Gostamos de fazer passeios ao ar livre, em parques, praia.”

O empresário Thiago Davet é pai de Natália, 10 anos e Gabriel, 3 anos

“A Natália brinca com slime, com jogos tipo Detetive e Banco Imobiliário, mas gosta também de tablet e vídeogame, já o Gabriel brinca com switch (vídeo game) e tablet, mas adora também ver vídeos no YouTube, brinca bastante de cabana, pular no sofá e colchão. Ele adora ir na areia da praia. A Natália pratica bastante esporte na escola, o que me agrada muito. O Gabriel brinca bastante no parquinho da escola onde tem pula-pula e outros que estimulam o corpo, o que considero muito importante, portanto estou satisfeito nesse quesito e eles adoram. Depois que me separei, como as crianças ficam comigo praticamente todos os dias e eu trabalho em casa, estamos sempre em contato, nem preciso me ‘programar’ para interagirmos (risos). Sempre que dá interagimos e brincamos, ajudo a passar as fases dos jogos de vídeogame, por exemplo, mas a correria do trabalho não me deixa fazer tudo que eu queria na companhia deles. O Dia das Crianças é importante, sim. Nós comemoramos a data com presentes. É preciso fazer eles entenderem a importância de ser criança e curtirem ao máximo essa fase. A diferença entre a minha infância e a deles é grande. Na minha época desenvolvíamos muito mais o corpo, brincávamos na rua, campos, éramos mais ‘livres’. Hoje é complicado deixar criança brincar na rua. A violência e a tecnologia fizeram isso mudar bastante.”

Fábio Fernandes de Almeida, fotógrafo, pai do Enzo de 6 anos e da Livia de 2 anos. Ambos estudam na rede municipal de Balneário Camboriú

“Vivemos numa época diferente, com conteúdos e informações na palma da mão. Meus filhos têm acesso à dispositivos eletrônicos e dominam alguns aplicativos, infelizmente não podemos mais ter a liberdade de alguns anos atrás e deixar brincar na rua com os amigos, mas buscamos equilibrar e fazemos com que o social deles sejam em casa recebendo algum amiguinho ou visitando! A maioria das brincadeiras que eles fazem na escola não conseguimos trazer para dentro de casa porque nossos espaços físicos estão meio confinados. Essas brincadeiras geralmente demandam mais espaço; mas piscina, patinete, bola de futebol a gente sempre dá um jeito, outro dia quis um pião pra comprar pro meu filho e ainda não encontrei! Acho muito importante esse resgate das brincadeiras antigas que as escolas vem fazendo e os meus filhos adoram, nem esperam chegar em casa e já querem contar ansiosamente das atividades realizadas. Isso é gratificante, pois mostra que na escola não são apenas bem cuidados, mas bem tratados, com carinho, respeito e muita dedicação aplicada, brincar é uma forma de comunicação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano. O brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois facilita a construção da autonomia e da criatividade, tudo isso contribui para o desenvolvimento integral da criança nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e cognitivo e essas atividades ajudam muito! Fico tranquilo sabendo que além de seguros estão muito bem cuidados! A questão da correria e da falta de tempo no dia a dia é delicada. Creio que sempre podemos melhorar. Depois de um dia de trabalho, correria e stress, chegar em casa ainda demanda muitas vezes mais tempo de afazeres ou uma segunda jornada. Filhos demandam tempo, energia e dinheiro, a dificuldade é justamente equilibrar tudo, conseguir dar atenção sem deixar faltar nada, e na correria de chegar em casa, alimentar, dar banho, fazer tarefa de casa, conversar, perguntar como foi o dia, preparar as coisas pro dia seguinte, não é nada fácil, mas buscamos fazer nosso melhor. A escola é uma parceira muito importante na construção do caráter deles, ensinando cidadania, valores éticos e morais, a Lívia se espelha muito nas professoras dela, quer ir todo dia cheirosa e arrumada em retribuição ao carinho e atenção que recebe. Ela se diverte muito na escola. Nessa semana estão com a programação toda dedicada ao Dia das Crianças, com muitas atividades e lanches diferentes, tiveram pula-pula, piscina de bolinhas e tobogã inflável por dois dias, tem festa à fantasia e muitas brincadeiras. Tudo isso conciliado com passar momentos em família com certeza torna não só o Dia das Crianças, mas a semana toda mais significativa para ela que chega e sai feliz da escola. Geralmente aproveitamos este dia em família, fazendo um passeio pra algum lugar diferente ou que não vamos há algum tempo, presentes não é o mais importante, mas sim as vivências e lembranças que eles carregarão para o resto da vida, como uma época de interação tanto escolar quanto familiar. O que eles precisam é de um laço familiar forte, uma referência clara e bons exemplos de amor, dedicação, carinho, respeito ao próximo, esse é o bem mais precioso que se pode deixar de herança, não é material e ninguém pode tirar deles!”

A assistente de vendas Débora Blonkovski é mãe deCecília, 2 anos, que estuda na escola Vila do Saber, em Camboriú

“A Cecília tem acesso bem moderado a celular/tablet/tv. Procuramos entreter ela com brincadeiras mais dinâmicas e que estimulem a imaginação. Eletrônicos apenas no carro ou se vamos a algum restaurante e não tem espaço kids, pois é a única maneira dela se manter quieta, mas mesmo assim não dura muito, logo está eu ou o David, meu marido, correndo atrás dela (risos). Ela tem muitas atividades lúdicas na escola como aula de culinária, capoeira, balé, educação física e aula de campo, onde interagem com a natureza e animais, além de acesso ao parquinho (ela adora quando eles vão no parquinho “dos grandes”). Eu gosto muito disso, ela sempre chega em casa contando o que fez naquele dia, as brincadeiras e atividades, eu estou muito satisfeita com a escola que ela frequenta. A partir do momento que chegamos do trabalho e até ela dormir somos completamente dela. Brincamos, pintamos, passeamos e tudo mais que ela quiser. Nossa rotina é programada para fazer outras atividades nos horário em que não estamos com ela. Nossa filha é prioridade em nosso tempo livre. É natural que com toda mudança que aconteceu desde a minha infância até agora haja muitas diferenças. Eu realmente me preocupo em como o acesso a tecnologia pode atrapalhar ou consumir o tempo dela. Mas fazemos nosso melhor para que ela se interesse mais pelas brincadeiras “tradicionais” e até então tem sido positivo. O que ajuda muito é a irmã mais velha dela, a Nicole, que apesar de ter 10 anos brinca e cuida da Cecília tão bem quanto eu. A Nic mora com a mãe dela em um local com muito acesso a natureza e traz muito das brincadeiras que tem com a outra irmã dela, de 4 anos, para com a Cecília. Então ambas gostam muito das brincadeira de correr, esconder, pintar e etc. Também temos muito apoio das nossas famílias, que respeitam e apoiam nossas escolhas. Em especial minha mãe, que cuida da Cecília todos os dias e é aquela avó babona, mas que sabe impor os limites e entreter ela do modo tradicional. Quando se tem uma criança em casa, todo dia acaba sendo dia das crianças. Mas nós temos uma tradição, que vem desde quando a Nicole era pequenininha, que é ir em uma oficina de pizza na pizzaria de um amigo da família, onde as crianças fazem suas pizzas e é a maior diversão e bagunça.”

A arquiteta e urbanista Sheila Sabrina Skonetzky, é mãe do Heitor, 5 anos, do Jardim 1 do NEI Brilho do Sol, e do Daniel, o caçula que ainda não estuda

“O Heitor brinca de bicicleta, skate e tem hábito de montar casinhas na sala ou na garagem quando está vaga, brinca de bola e esconde-esconde. Ele costuma trazer da escola brincadeiras como “ovo choco”, “pega-pega” e o próprio “esconde-esconde”, mesmo tendo o irmão mais novo para brincar, sempre gosta da minha presença ou a do papai para brincar. A tecnologia, tablet, deixamos para casos extremos, pois não temos hábito de incentivar, temos um só aparelho e este é dividido entre o Heitor e o Daniel. Mesmo assim eles possuem habilidades tanto com os aplicativos específicos quanto para ligar a televisão e acessar filmes próprios da idade. Admiro muito toda a gestão que a escola apresenta. O Heitor é dinâmico, pois isto é apresentado nas brincadeiras lúdicas e extremamente planejadas para todos os momentos dentro da escola. A interação entre profissionais e alunos tem demonstrado um carinho imenso entre os pais, alunos e a própria comunidade, que tem interesse em se fazer presente. Nós somos surpreendidos com tanta criatividade que é apresentada para as crianças. É gratificante levar nosso filho para “escolinha”, como ele chama, pois tanto ele quanto nós sabemos que haverá um sorriso a espera e uma atividade diferente que acontecerá. Até a mais simples das refeições é apresentada com amor, a limpeza, os projetos, o engajamento de todos para o sucesso deste NEI que é tão importante para todos nós. Heitor é visivelmente feliz e acolhido no ambiente escolar. Quando se fala da correria do dia a dia realmente temos que nos planejar, arrumar tempo para tudo. O brincar com os filhos é a maior riqueza. Vemos o melhor brilho nos olhos quando dispomos de tempo para eles, e o tempo pode ser 10 minutos ou 1 hora, mas se for de qualidade, vale por um dia! A atenção é no ouvir, inclusive, pois eles trazem diariamente todas ilusões fantasiadas na maior realidade, eles apresentam as formas mais fáceis e puras de enxergarmos a vida, o que nos remete a vivermos a alegria e presenciarmos a evolução constante de nossos filhos. O Dia das Crianças para nós é a oportunidade de viver “um mundo” não distante, um mundo possível, com amor, paz, alegria, conquistas e aprendizado, e às vezes só com um colinho mesmo após uma frustração... É estarmos mais próximos e percebermos que é possível viver “o Dia das Crianças” diariamente. Seja deitado no chão brincando de cabaninha, de carrinho, tirarmos o colchão da cama para fazermos pista de corrida, de montarmos pizza em conjunto, ou então de fazermos um hambúrguer em várias mãos. O Dia das Crianças é comemorarmos as conquistas, é um aniversário comum, de todos. Não importa se for presente grande ou pequeno, se for caro ou barato, eles gostam é de serem lembrados. Eles sabem o quanto são importantes nas nossas vidas.”



Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade













Página 3

DIA DAS CRIANÇAS: a tecnologia mudou a infância?

Brincadeiras antigas, com movimento, dão prazer e encantam os pequenos

Publicidade

Quinta, 10/10/2019 13:21.

Por Renata Rutes

Neste sábado (12) é comemorado o Dia das Crianças. Para lembrar a data, o Página 3 apresenta uma reportagem especial sobre as brincadeiras que fazem parte do dia a dia dos pequenos. A tecnologia mudou a infância? As atividades dos tempos mais antigos ainda integram a rotina das famílias de Balneário Camboriú?

Perguntas como essas foram feitas a pais e educadores da cidade. A rede municipal de ensino realiza a Semana do Brincar, que valoriza o resgate das brincadeiras que movimentam o corpo e nesta semana, em comemoração ao Dia, todos os núcleos de educação infantil contaram com programação especial.


Brincar é coisa séria: mães falam sobre a importância da infância

Por Caroline Cezar, jornalista e colunista do Página 3


(Fotos: Caroline Cezar)

O brincar está bem inserido no cotidiano que convivo, porque temos clara consciência que até pra nós adultos, que na maioria somos atarefados e estressados, brincar é uma necessidade. E a brincadeira traz isso: essa des contração, essa "bobeira" à toa, esse estar junto, o jogo, o riso, o movimento.

Brincamos muito com música e com o corpo, e em roda: a cultura popular brasileira é muito rica nesse quesito, existem centenas de brincantes amadores e profissionais, e comunidades inteiras em que a brincadeira é o centro, o que une e move o povo, e a brincadeira conta a história, os modos, o jeito de viver naqueles locais. O Boi de Mamão, aqui pra nós, é um exemplo bem clássico, mas tem inúmeras outras brincadeiras populares que merecem ser resgatadas.

Também gostamos de brincar na praia, em praças, na rua, em locais em que é possível interagir, conversar, trocar com outras pessoas e outras realidades. Balneário é um centro de apartamentos, mas os bairros ainda tem muita criança brincando nas ruas, andando de bicicleta e jogando bola, e as pracinhas e parquinhos merecem ser cada vez mais valorizados, porque estamos falando de encontro, saúde, movimento, usar o espaço público e aberto da forma mais essencial.

O brincar pra criança já é bem natural, ela não precisa exatamente de objetos, mas de espaço e liberdade pra criar a própria brincadeira, o que é um exercício pro adulto, que está acostumado a coordenar, interferir, dizer o que é certo ou errado, ou como tem que ser.

Outra coisa legal é que a própria criança vai apontando a necessidade da fase do momento: se ela começa a rolar, se quer se pendurar, se quer encaixar coisas, empilhar, saltar, se precisa de algo mais concentrado, ou algo mais enérgico, se tem interesse por letras e números, tudo isso vai se mostrando muito nitidamente no crescimento. Também varia de acordo com a personalidade, então é bem singular mesmo, cada um é um. O mais importante é observar e ir oferecendo: ah, quer balançar; arrumamos um balanço. Quer pendurar, fazemos um balanço de pendurar. Quer empilhar, arrumamos objetos empilháveis. Não é tão difícil, e bom mesmo é estar atento à necessidade antes de sair ofertando tudo, porque isso enche a cabeça e o necessário acaba não se manifestando. Ela vai buscar o que precisa, vai apontar, mas precisa desse espaço livre.

Muito mais interessante se o brincar não estiver diretamente relacionado ao comprar, e sim ao criar, produzir: construir o próprio brinquedo, achar usos diferentes para objetos, improvisar, aí a brincadeira ganha um sentido muito mais amplo e se torna acessível a todos em qualquer lugar: tudo vira brinquedo mesmo que não se tenha nada.

No dia a dia também há outras formas de entender a brincadeira, na cozinha, nas tarefas cotidianas, na forma de se relacionar, nas expressões... já brincou de careta hoje? De sério? De interpretar emoções? De piscar um olho só, mexer a orelha, fazer penteados, nossa, temos inúmeras possibilidades se estivermos dispostos de sair desse engessamento da vida adulta.

Brincar não é algo para manter crianças ocupadas, é uma maneira de viver a vida, um pensamento mais leve acerca das coisas, um humor, um estilo de vida.



Carol, Ísis e Caetano (Foto: Arquivo Pessoal)

Carolina Ferreira Leite Sicchierolli, 40 anos, fisioterapeuta é mãe do Caetano Sicchierolli Fernandes, 5 anos, e da Isis Sicchierolli Fernandes, 1 ano. Eles moram no Estaleiro – “Meus filhos brincam de trepar, correr, cavar, plantar, com água, caixa de papelão, brincadeiras como pião, arco e flecha, quebra-cabeças, etc. Confeccionamos muitas coisas, sempre juntos (com pai ou mãe). Moramos no Estaleiro e há bastante espaço e estamos bem próximos da praia. Não temos tablet, o mais velho joga no máximo 1 hora/dia no celular do pai. Acredito que não tenho como impedir isso, mas sim controlar, e sempre incentivamos as brincadeiras com "movimento". Nosso dia a dia é sempre com eles, dividimos (pais) as tarefas da casa e do trabalho e inserimos as crianças em muitas destas tarefas como por exemplo guardar louças, organizar brinquedos e armários, cuidar do cachorro, etc. A grande diferença da minha infância para a atual está na rotina dos pais. Eu acredito que com o perfil dos pais e da rotina das famílias de hoje é que vem mudando o comportamento e interesses das crianças. Nós aqui em casa temos o privilégio de criar "a moda antiga"! Por escolha! O Dia das Crianças não é para nós uma data a ser comemorada. Nunca demos presentes ou fazemos algo especial nesta data... mais uma vez, temos o privilégio de levar uma vida tranquila e estarmos presentes integralmente na vida deles, brincando e vivendo todos os dias de forma especial!”



Mariana com Cecília (Foto: Arquivo Pessoal)

Mariana Paul de Souza Mattos, 28 anos, oceanógrafa, estudante de Mestrado, é mãe da Cecília Paul da Luz, de 4 anos – “A Cecília costuma brincar com os brinquedos que ela têm. Ela tem muitos brinquedos, uma grande variedade. Ela também brinca com utensílios da casa, coisas de cozinha, então ela mistura os brinquedos dela com outros objetos que ela vai encontrando pela casa. Como moramos em apartamento normalmente as brincadeiras dela estão restritas aos brinquedos. Ela também gosta muito de brincar com massinha, carrinhos, ela tem uma casinha de boneca, também monta quebra-cabeças. A gente brinca juntos, eu e ela ou ela e o meu marido. Não é comum brincarmos os três juntos, mas sempre um está brincando com ela e deixando ela conduzir a brincadeira. Nós entramos no ‘jogo’ dela. Adoramos dançar, cantar, brincar na praia, fazer castelo, enterrar na areia, fazemos trilhas, tudo isso faz parte do brincar porque para mim a infância é para aprender a viver brincando. A gente sempre buscou dar uma experiência para a Cecília que não seja tão dependente do eletrônico, das tecnologias. A gente gosta de resgatar o contato mesmo com materiais diferentes, usando o imaginário, construir coisas, cenários. Ás vezes montamos tenda no quarto dela, usando pedaços de madeira e lençol, para ela usar a imaginação e deixar a criatividade conduzir a brincadeira. Nunca oferecemos o celular para ela brincar. Nunca baixei nenhum jogo. Mas uma coisa que ela gosta muito de fazer e que eu considero quase uma brincadeira pra ela é se comunicar com as pessoas pelo celular. Ela sabe manusear o celular, ela é muito esperta, já aprendeu uma vez a desbloquear meu telefone. Ela sabe entrar no WhatsApp, manda áudio e figurinhas para as pessoas. Vejo que ela gosta disso, até porque nos vê no celular e acaba ‘brincando de ter um celular’. Mas não oferecemos como ferramenta de brincadeira, ela que às vezes consegue ter acesso e faz disso uma brincadeira. Tem muitos estudos que falam dos malefícios do uso de eletrônicos por crianças e eu vejo isso nela, ela fica mais agitada quando sai do eletrônico, então a gente evita. Por isso que analiso que tablet e celular não são as melhores opções para brincar e acho que limita muito a criatividade da criança. Minha filha ainda não frequenta a escola, mas ela já foi em um Jardim Waldorf em Florianópolis, que segue a pedagogia do brincar livre. As crianças podiam brincar com os brinquedos que ali estavam e acompanhavam a professora na rotina que uma casa teria, ajudando a preparar os alimentos, lavando as mãos, etc. Mas essa é uma realidade que não é da maioria das pessoas, infelizmente. Sobre a correria do dia a dia tem que fazer a 'mea culpa' porque realmente é muito difícil parar pra brincar. Temos certa flexibilidade porque eu sou estudante de Mestrado e meu marido é autônomo, e isso nos permite brincar com a Cecília, dar uma atenção direcionada. Sempre temos um momento para brincar com ela, e é muito gostoso. Não me programo para brincar com ela e sim para estar com ela em um período do dia. Quando estamos juntas o foco é na dedicação de qualidade. O significado do Dia das Crianças é para mim um momento de celebrar a infância, valorizar essa pureza e autenticidade que a criança tem. É dar asas para que essa imaginação voe cada vez mais alto, é estar em família, fazer o que a criança gosta. É proporcionar um dia gostoso para as crianças, e não só a criança minha filha e sim a minha criança interior e a do meu marido. O Dia das Crianças dessa vez vou passar com a minha família, vou para o Maracatu, que faço parte do grupo de Balneário. Minha filha adora, sempre se diverte muito. Ali tem um parquinho na praça da Barra, já aproveitamos para comer uma pipoca, tomar um sorvete. Fazer um dia bem de criança mesmo. E na próxima semana, com algumas amigas mães vamos fazer um churrasco em família para celebrar também esse dia. Vamos alugar uns brinquedos para a criançada e fazer o nosso Dia das Crianças entre os amiguinhos.”


Rede municipal valoriza as brincadeiras antigas

A rede municipal de ensino, focada principalmente nos núcleos de educação infantil, busca resgatar as brincadeiras antigas e que movimentam o corpo das crianças. Nesta semana, houve uma programação diferenciada para celebrar o Dia das Crianças, com rua do lazer, atividades como bicicleta, patinete, patins, bola de gude, pipa, oficinas de massinha, dia do ‘penteado maluco’, brincadeiras de roda, e muito mais.

A diretora do departamento de educação infantil da Secretaria de Educação de Balneário Camboriú, Mirella Padilha, explica que a intenção é celebrar e criar memórias para as crianças e não apenas entregar lembrancinhas no fim da semana.

“Hoje a tecnologia, como o celular e o tablet, está facilmente nas mãos das crianças, principalmente para os pais terem momento de ‘sossego’. Queremos mostrar exatamente que existe diversão longe disso e que ela está no movimento. Há prazer nessas brincadeiras. A proposta é ‘desemparedar’ as crianças, com passeios no sol. Estamos propagando que as escolas e núcleos façam mais isso”, diz.

Esse ‘incentivo’ acontece desde a Semana do Brincar, que é realizada sempre no primeiro semestre de cada ano. O projeto deu certo e há núcleos que fazem atividades que já são consideradas destaques na rede, como a Caixa do Brincar, do NEI Pequeno Navegador, que fica no Jardim Iate Clube.

“É uma caixa que cada criança leva pra casa a cada dia (por ordem alfabética). Nela vem jogo da memória, pião, telefone sem fio e até um bilboquê. As crianças adoram, interagem com a família. E há um ‘diário de bordo’, onde os pais relatam como se sentiram com a atividade”, acrescenta.

Esse comprometimento, segundo a diretora, é visto em toda a rede e ela aproveita para agradecer os profissionais das unidades de ensino.

“Para trabalhar na educação infantil tem que ter essa vontade e envolvimento. Durante a semana do Dia das Crianças teve núcleo que fez até teatro com a participação de professores e agentes de alimentação. É encantador ver o sorriso e brilho nos olhos dos alunos”, conta.

Mirella relata que muitos pais contam que ‘esquecem’ do quanto essas brincadeiras antigas são positivas e por isso a rede está focando em palestrar nas escolas sobre Vida em Família e Tempo de Qualidade.

“Os pais ficam na crise existencial de não ter tempo para os filhos, e por isso incentivamos que eles usem 10 minutos por dia pelo menos para a criança. Mas 10 minutos integrais para uma brincadeira ou uma conversa olho no olho. Isso já vale pelo dia inteiro”, destaca.

A diretora é mãe de um menino de seis anos, que estuda no NEI Pequeno Navegador, ela diz que nem sempre tem tempo para brincar com o filho e que ver as brincadeiras realizadas na escola é ‘gratificante’.

“A rede municipal de Balneário é excelente em atendimento, em profissionais e unidades. Há escolas com 10 crianças por sala, e isso não se vê nem em escolas particulares. Todos os professores são formados em Pedagogia. Vejo que o Dia das Crianças é uma oportunidade de refletir e fazer diferente. Além, claro, de curtirmos com nossos filhos”, completa.

Vanessa Ramos Cardoso é a diretora do NEI Carrossel, núcleo de educação infantil que fica na Rua Grécia, no Bairro das Nações, e atende também as crianças do centro da cidade. Ela conta que os alunos ficam ‘maravilhados’ com as brincadeiras diferentes que realizam, exatamente por ser tão diferente da rotina de casa.

“Em Balneário a população vive muito em prédios, então as crianças ficam muito dentro de casa. Percebo que elas se encantam com as atividades ao ar livre, como brincadeiras de roda, piquenique. Tentamos fazer elas vivenciarem a coisa boa que é a infância”, explica.

Segundo Vanessa, nesta semana os alunos participaram de oficinas de massinha e slime (fizeram os próprios ‘brinquedos’) com produtos naturais, desenharam com guache, fizeram tirolesa e brincaram de ‘bate-manteiga’. A escola também alugou pula-pula e pebolim com verba da APP (Associação de Pais e Professores).

“Os pais valorizam, elogiam bastante. As crianças contam para eles e eles dão esse retorno. Sou apaixonada pela educação infantil, poder ter essa troca com os pequenos é gratificante”, diz.


OPINIÃO DE PAIS

Adriane Andrade, professora, é mãe do Alexandre, 6 anos, que estuda no Carrossel

“Essa Semana da Criança, com atividades voltadas para o lado lúdico tem sido incrível. Meu filho adorou, já acorda querendo saber como vai ser, qual é a atividade do dia. Participo com ele, passo o cronograma que vem na agenda. Ele super se identificou com tudo, ficou encantado. Sei que o uso do tablet e celular é errado, mas às vezes precisamos e ele fica vendo vídeos. Infelizmente faz parte do dia a dia, mas é muito bom saber que na escola há a parte lúdica. Ele chega em casa contando que aprendeu sobre lendas e contos, coisas que eu vivi na minha infância. É muito bacana esse resgate. A contribuição da escola é muito importante. O Alexandre gosta de bola, patinete, joga futebol com o meu marido... também montamos quebra-cabeça, ele também gosta de dominó. O Carrossel é muito importante para a nossa vida. Quando ele entrou lá, há três anos, ele nem se alimentava direito, não tinha um leque de variedade de alimentos, e na escola isso mudou. No Dia das Crianças sempre damos ênfase que é o momento dele. Fazemos passeio em família, sempre temos uma programação diferenciada. Gostamos de fazer passeios ao ar livre, em parques, praia.”

O empresário Thiago Davet é pai de Natália, 10 anos e Gabriel, 3 anos

“A Natália brinca com slime, com jogos tipo Detetive e Banco Imobiliário, mas gosta também de tablet e vídeogame, já o Gabriel brinca com switch (vídeo game) e tablet, mas adora também ver vídeos no YouTube, brinca bastante de cabana, pular no sofá e colchão. Ele adora ir na areia da praia. A Natália pratica bastante esporte na escola, o que me agrada muito. O Gabriel brinca bastante no parquinho da escola onde tem pula-pula e outros que estimulam o corpo, o que considero muito importante, portanto estou satisfeito nesse quesito e eles adoram. Depois que me separei, como as crianças ficam comigo praticamente todos os dias e eu trabalho em casa, estamos sempre em contato, nem preciso me ‘programar’ para interagirmos (risos). Sempre que dá interagimos e brincamos, ajudo a passar as fases dos jogos de vídeogame, por exemplo, mas a correria do trabalho não me deixa fazer tudo que eu queria na companhia deles. O Dia das Crianças é importante, sim. Nós comemoramos a data com presentes. É preciso fazer eles entenderem a importância de ser criança e curtirem ao máximo essa fase. A diferença entre a minha infância e a deles é grande. Na minha época desenvolvíamos muito mais o corpo, brincávamos na rua, campos, éramos mais ‘livres’. Hoje é complicado deixar criança brincar na rua. A violência e a tecnologia fizeram isso mudar bastante.”

Fábio Fernandes de Almeida, fotógrafo, pai do Enzo de 6 anos e da Livia de 2 anos. Ambos estudam na rede municipal de Balneário Camboriú

“Vivemos numa época diferente, com conteúdos e informações na palma da mão. Meus filhos têm acesso à dispositivos eletrônicos e dominam alguns aplicativos, infelizmente não podemos mais ter a liberdade de alguns anos atrás e deixar brincar na rua com os amigos, mas buscamos equilibrar e fazemos com que o social deles sejam em casa recebendo algum amiguinho ou visitando! A maioria das brincadeiras que eles fazem na escola não conseguimos trazer para dentro de casa porque nossos espaços físicos estão meio confinados. Essas brincadeiras geralmente demandam mais espaço; mas piscina, patinete, bola de futebol a gente sempre dá um jeito, outro dia quis um pião pra comprar pro meu filho e ainda não encontrei! Acho muito importante esse resgate das brincadeiras antigas que as escolas vem fazendo e os meus filhos adoram, nem esperam chegar em casa e já querem contar ansiosamente das atividades realizadas. Isso é gratificante, pois mostra que na escola não são apenas bem cuidados, mas bem tratados, com carinho, respeito e muita dedicação aplicada, brincar é uma forma de comunicação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano. O brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois facilita a construção da autonomia e da criatividade, tudo isso contribui para o desenvolvimento integral da criança nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e cognitivo e essas atividades ajudam muito! Fico tranquilo sabendo que além de seguros estão muito bem cuidados! A questão da correria e da falta de tempo no dia a dia é delicada. Creio que sempre podemos melhorar. Depois de um dia de trabalho, correria e stress, chegar em casa ainda demanda muitas vezes mais tempo de afazeres ou uma segunda jornada. Filhos demandam tempo, energia e dinheiro, a dificuldade é justamente equilibrar tudo, conseguir dar atenção sem deixar faltar nada, e na correria de chegar em casa, alimentar, dar banho, fazer tarefa de casa, conversar, perguntar como foi o dia, preparar as coisas pro dia seguinte, não é nada fácil, mas buscamos fazer nosso melhor. A escola é uma parceira muito importante na construção do caráter deles, ensinando cidadania, valores éticos e morais, a Lívia se espelha muito nas professoras dela, quer ir todo dia cheirosa e arrumada em retribuição ao carinho e atenção que recebe. Ela se diverte muito na escola. Nessa semana estão com a programação toda dedicada ao Dia das Crianças, com muitas atividades e lanches diferentes, tiveram pula-pula, piscina de bolinhas e tobogã inflável por dois dias, tem festa à fantasia e muitas brincadeiras. Tudo isso conciliado com passar momentos em família com certeza torna não só o Dia das Crianças, mas a semana toda mais significativa para ela que chega e sai feliz da escola. Geralmente aproveitamos este dia em família, fazendo um passeio pra algum lugar diferente ou que não vamos há algum tempo, presentes não é o mais importante, mas sim as vivências e lembranças que eles carregarão para o resto da vida, como uma época de interação tanto escolar quanto familiar. O que eles precisam é de um laço familiar forte, uma referência clara e bons exemplos de amor, dedicação, carinho, respeito ao próximo, esse é o bem mais precioso que se pode deixar de herança, não é material e ninguém pode tirar deles!”

A assistente de vendas Débora Blonkovski é mãe deCecília, 2 anos, que estuda na escola Vila do Saber, em Camboriú

“A Cecília tem acesso bem moderado a celular/tablet/tv. Procuramos entreter ela com brincadeiras mais dinâmicas e que estimulem a imaginação. Eletrônicos apenas no carro ou se vamos a algum restaurante e não tem espaço kids, pois é a única maneira dela se manter quieta, mas mesmo assim não dura muito, logo está eu ou o David, meu marido, correndo atrás dela (risos). Ela tem muitas atividades lúdicas na escola como aula de culinária, capoeira, balé, educação física e aula de campo, onde interagem com a natureza e animais, além de acesso ao parquinho (ela adora quando eles vão no parquinho “dos grandes”). Eu gosto muito disso, ela sempre chega em casa contando o que fez naquele dia, as brincadeiras e atividades, eu estou muito satisfeita com a escola que ela frequenta. A partir do momento que chegamos do trabalho e até ela dormir somos completamente dela. Brincamos, pintamos, passeamos e tudo mais que ela quiser. Nossa rotina é programada para fazer outras atividades nos horário em que não estamos com ela. Nossa filha é prioridade em nosso tempo livre. É natural que com toda mudança que aconteceu desde a minha infância até agora haja muitas diferenças. Eu realmente me preocupo em como o acesso a tecnologia pode atrapalhar ou consumir o tempo dela. Mas fazemos nosso melhor para que ela se interesse mais pelas brincadeiras “tradicionais” e até então tem sido positivo. O que ajuda muito é a irmã mais velha dela, a Nicole, que apesar de ter 10 anos brinca e cuida da Cecília tão bem quanto eu. A Nic mora com a mãe dela em um local com muito acesso a natureza e traz muito das brincadeiras que tem com a outra irmã dela, de 4 anos, para com a Cecília. Então ambas gostam muito das brincadeira de correr, esconder, pintar e etc. Também temos muito apoio das nossas famílias, que respeitam e apoiam nossas escolhas. Em especial minha mãe, que cuida da Cecília todos os dias e é aquela avó babona, mas que sabe impor os limites e entreter ela do modo tradicional. Quando se tem uma criança em casa, todo dia acaba sendo dia das crianças. Mas nós temos uma tradição, que vem desde quando a Nicole era pequenininha, que é ir em uma oficina de pizza na pizzaria de um amigo da família, onde as crianças fazem suas pizzas e é a maior diversão e bagunça.”

A arquiteta e urbanista Sheila Sabrina Skonetzky, é mãe do Heitor, 5 anos, do Jardim 1 do NEI Brilho do Sol, e do Daniel, o caçula que ainda não estuda

“O Heitor brinca de bicicleta, skate e tem hábito de montar casinhas na sala ou na garagem quando está vaga, brinca de bola e esconde-esconde. Ele costuma trazer da escola brincadeiras como “ovo choco”, “pega-pega” e o próprio “esconde-esconde”, mesmo tendo o irmão mais novo para brincar, sempre gosta da minha presença ou a do papai para brincar. A tecnologia, tablet, deixamos para casos extremos, pois não temos hábito de incentivar, temos um só aparelho e este é dividido entre o Heitor e o Daniel. Mesmo assim eles possuem habilidades tanto com os aplicativos específicos quanto para ligar a televisão e acessar filmes próprios da idade. Admiro muito toda a gestão que a escola apresenta. O Heitor é dinâmico, pois isto é apresentado nas brincadeiras lúdicas e extremamente planejadas para todos os momentos dentro da escola. A interação entre profissionais e alunos tem demonstrado um carinho imenso entre os pais, alunos e a própria comunidade, que tem interesse em se fazer presente. Nós somos surpreendidos com tanta criatividade que é apresentada para as crianças. É gratificante levar nosso filho para “escolinha”, como ele chama, pois tanto ele quanto nós sabemos que haverá um sorriso a espera e uma atividade diferente que acontecerá. Até a mais simples das refeições é apresentada com amor, a limpeza, os projetos, o engajamento de todos para o sucesso deste NEI que é tão importante para todos nós. Heitor é visivelmente feliz e acolhido no ambiente escolar. Quando se fala da correria do dia a dia realmente temos que nos planejar, arrumar tempo para tudo. O brincar com os filhos é a maior riqueza. Vemos o melhor brilho nos olhos quando dispomos de tempo para eles, e o tempo pode ser 10 minutos ou 1 hora, mas se for de qualidade, vale por um dia! A atenção é no ouvir, inclusive, pois eles trazem diariamente todas ilusões fantasiadas na maior realidade, eles apresentam as formas mais fáceis e puras de enxergarmos a vida, o que nos remete a vivermos a alegria e presenciarmos a evolução constante de nossos filhos. O Dia das Crianças para nós é a oportunidade de viver “um mundo” não distante, um mundo possível, com amor, paz, alegria, conquistas e aprendizado, e às vezes só com um colinho mesmo após uma frustração... É estarmos mais próximos e percebermos que é possível viver “o Dia das Crianças” diariamente. Seja deitado no chão brincando de cabaninha, de carrinho, tirarmos o colchão da cama para fazermos pista de corrida, de montarmos pizza em conjunto, ou então de fazermos um hambúrguer em várias mãos. O Dia das Crianças é comemorarmos as conquistas, é um aniversário comum, de todos. Não importa se for presente grande ou pequeno, se for caro ou barato, eles gostam é de serem lembrados. Eles sabem o quanto são importantes nas nossas vidas.”



Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade