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PÁGINA 3 / Variedades
Moda Inverno: consumo mudou e público tende a optar pelo conforto

Domingo, 28/6/2020 22:45.

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A cada troca de estação, mudam-se as coleções de roupas nas lojas, desde grandes marcas como produtores menores e locais.

A moda inverno é uma das preferidas de muitas pessoas, que a consideram a mais ‘elegante’ do ano. Porém, 2020 vem sendo um ano atípico e esse segmento também foi afetado pela pandemia do Coronavírus. O comércio manteve-se fechado por um tempo e mesmo com a reabertura o movimento não tem sido expressivo. O forte vem sendo as vendas online: segundos dados da ABComm, o Brasil registrou um aumento de cerca de 400% no número de lojas que abriram e-commerce durante a quarentena. Até março a média era de 10 mil aberturas/mês, e hoje esse número saltou para 50 mil. As vendas também aumentaram: o setor de calçados registrou uma melhora de 99,44% e o de roupas 18,38%.

A superintendente do Balneário Shopping, Elizângela Cardoso, salienta que estão constantemente consultando o Governo do Estado e seguindo o decreto para manterem-se nas regras e continuarem abertos. Ela aproveita para destacar que a maioria das lojas do empreendimento estão com as promoções já habituais desta época do ano, com descontos chegando a 60%.

“É uma grande oportunidade para o cliente aproveitar para entrar na estação com produtos novos com preços atrativos. É um período realmente oportuno”, diz.

A estilista Mirvana Andreis, que atua no segmento há 25 anos e é também diretora da Líbere Fashion School e da CDL Mulher, analisa que as marcas estão tendo que criar novas oportunidades para chegarem até o público e que aquelas que se adaptarem terão resultado positivo. Mirvana analisa que as pessoas não deixarão de consumir, mas que vão comprar peças mais versáteis. Ela salienta que o que tende a nortear o comportamento de consumo pelos próximos dois anos é o conforto.

“As pessoas estão vivenciando o que é uma vida sem salto alto, de moletom em casa, e não vamos mais abrir mão disso. Já estava vindo essa tendência e isso vai se acentuar, são as peças que você usa em casa e pode sair com elas. É a moda homewear, também chamada de comfy, e esse segmento não sentiu queda de demanda. Por exemplo, há marcas de pijamas que não estão dando conta de produzir peças”, explica.

Outro nicho que, segundo a estilista, não perdeu espaço foi o infantil, já que as crianças crescem e precisam de roupas novas. Porém, a profissional vê que as peças mais caras e elaboradas não estão tendo procura, já que o público não está tendo ‘necessidade’ de adquiri-las nesse momento.

“As marcas locais estão sendo mais valorizadas, vejo que o público tem ânsia de comprar de quem é da cidade, de seus contatos próximos. Pequenas marcas e produtores estão tendo seus negócios alavancados, e marcas que consideramos consolidadas podem sentir um impacto”, diz.

Sobre as vendas online, Mirvana vê que é ‘inevitável’ que as marcas e lojistas se adaptem a esse mercado, mas que é preciso criar uma tabela de medidas no Brasil, além do cliente ver que precisa se medir em casa, antes de comprar as roupas pela internet.

“Eu vejo que é muito mais confortável receber a roupa em casa, e isso pode auxiliar a pessoa a ter discernimento na hora de comprar. Não há desculpa para não vender, mas precisamos nos direcionar mais ao digital. Quem está seguindo esse caminho está vendendo”, analisa.

Quanto as tendências, como cores, tecidos e estampas que seriam referência neste inverno, Mirvana lembra que foram pensadas ainda em 2019, ou seja, um momento bem diferente do atual, e por isso ela não considera pertinente citar, já que o público acabou tendo outras necessidades.

“As pessoas mudaram por dentro, e querem roupas que reflitam isso. Vejo que o atual momento está sendo a maior ruptura da moda nos últimos 100 anos, tudo o que entendíamos como certo mudou. Queremos novidades. A tecnologia também é uma grande aliada, há marcas investindo em peças que protegem do vírus, tecidos que repelem bactérias. Muita coisa será criada perante a necessidade”, afirma.


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Moda Inverno: consumo mudou e público tende a optar pelo conforto

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Domingo, 28/6/2020 22:45.

A cada troca de estação, mudam-se as coleções de roupas nas lojas, desde grandes marcas como produtores menores e locais.

A moda inverno é uma das preferidas de muitas pessoas, que a consideram a mais ‘elegante’ do ano. Porém, 2020 vem sendo um ano atípico e esse segmento também foi afetado pela pandemia do Coronavírus. O comércio manteve-se fechado por um tempo e mesmo com a reabertura o movimento não tem sido expressivo. O forte vem sendo as vendas online: segundos dados da ABComm, o Brasil registrou um aumento de cerca de 400% no número de lojas que abriram e-commerce durante a quarentena. Até março a média era de 10 mil aberturas/mês, e hoje esse número saltou para 50 mil. As vendas também aumentaram: o setor de calçados registrou uma melhora de 99,44% e o de roupas 18,38%.

A superintendente do Balneário Shopping, Elizângela Cardoso, salienta que estão constantemente consultando o Governo do Estado e seguindo o decreto para manterem-se nas regras e continuarem abertos. Ela aproveita para destacar que a maioria das lojas do empreendimento estão com as promoções já habituais desta época do ano, com descontos chegando a 60%.

“É uma grande oportunidade para o cliente aproveitar para entrar na estação com produtos novos com preços atrativos. É um período realmente oportuno”, diz.

A estilista Mirvana Andreis, que atua no segmento há 25 anos e é também diretora da Líbere Fashion School e da CDL Mulher, analisa que as marcas estão tendo que criar novas oportunidades para chegarem até o público e que aquelas que se adaptarem terão resultado positivo. Mirvana analisa que as pessoas não deixarão de consumir, mas que vão comprar peças mais versáteis. Ela salienta que o que tende a nortear o comportamento de consumo pelos próximos dois anos é o conforto.

“As pessoas estão vivenciando o que é uma vida sem salto alto, de moletom em casa, e não vamos mais abrir mão disso. Já estava vindo essa tendência e isso vai se acentuar, são as peças que você usa em casa e pode sair com elas. É a moda homewear, também chamada de comfy, e esse segmento não sentiu queda de demanda. Por exemplo, há marcas de pijamas que não estão dando conta de produzir peças”, explica.

Outro nicho que, segundo a estilista, não perdeu espaço foi o infantil, já que as crianças crescem e precisam de roupas novas. Porém, a profissional vê que as peças mais caras e elaboradas não estão tendo procura, já que o público não está tendo ‘necessidade’ de adquiri-las nesse momento.

“As marcas locais estão sendo mais valorizadas, vejo que o público tem ânsia de comprar de quem é da cidade, de seus contatos próximos. Pequenas marcas e produtores estão tendo seus negócios alavancados, e marcas que consideramos consolidadas podem sentir um impacto”, diz.

Sobre as vendas online, Mirvana vê que é ‘inevitável’ que as marcas e lojistas se adaptem a esse mercado, mas que é preciso criar uma tabela de medidas no Brasil, além do cliente ver que precisa se medir em casa, antes de comprar as roupas pela internet.

“Eu vejo que é muito mais confortável receber a roupa em casa, e isso pode auxiliar a pessoa a ter discernimento na hora de comprar. Não há desculpa para não vender, mas precisamos nos direcionar mais ao digital. Quem está seguindo esse caminho está vendendo”, analisa.

Quanto as tendências, como cores, tecidos e estampas que seriam referência neste inverno, Mirvana lembra que foram pensadas ainda em 2019, ou seja, um momento bem diferente do atual, e por isso ela não considera pertinente citar, já que o público acabou tendo outras necessidades.

“As pessoas mudaram por dentro, e querem roupas que reflitam isso. Vejo que o atual momento está sendo a maior ruptura da moda nos últimos 100 anos, tudo o que entendíamos como certo mudou. Queremos novidades. A tecnologia também é uma grande aliada, há marcas investindo em peças que protegem do vírus, tecidos que repelem bactérias. Muita coisa será criada perante a necessidade”, afirma.


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