Foi ótimo para Balneário Camboriú que ninguém se interessou em construir um mercado público na Barra

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A proposta do prefeito Fabrício Oliveira de construir um mercado público, na Barra, continua naufragada após duas licitações em que não apareceu nenhum interessado.

Se aquele mercado fosse construído, eliminaria um espaço público que a população adora frequentar; e descaracterizaria a arquitetura histórica de Balneário Camboriú, representada pela Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso, hoje Capela de Santo Amaro, construída em 1810 e único prédio com arquitetura colonial que sobrou em Balneário Camboriú.

Afetaria também, gravemente, o Casarão Linhares, um centro de memória e cultura que funciona em uma construção da década de 1950.

E mudaria a característica da Praça dos Pescadores, belo local de convívio da comunidade.

Ideia era acabar com esse espaço de convivência (Foto: Caroline Schneider Cezar).

O prefeito iria prejudicar tudo isso, em troca de não mais do que R$ 150 mil mensais, a serem pagos pelo concessionário do mercado público.

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Na primeira licitação, em agosto de 2022, não surgiram interessados, apesar de um Estudo de Viabilidade Econômico e Financeira, chinfrim, pago pela prefeitura a uma empresa privada, que continha besteiras como “Espera-se que, com a concessão do mercado, toda a região passe a ser atrativo turístico, gerando então externalidades positivas nos demais equipamentos turísticos de Balneário Camboriú”. 

A ideia do Estudo era que o rabo sacudisse o cachorro.

Essa primeira licitação tinha prazo de concessão de 20 anos.

Quase um ano depois, em junho de 2023, requentaram o assunto e a prefeitura lançou novamente a licitação, aumentando em 50% o prazo de concessão, para 30 anos, renováveis por mais 30.

Em agosto passado saiu o resultado, ninguém se interessou, o que é ótimo para a cidade, para sua população e sua história.

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Mercados públicos faziam sentido quando não havia supermercados espalhados por todos os bairros, eles constituíam entrepostos comerciais no Centro das cidades, como o de Porto Alegre (1869), o de São Paulo (1933), o de Itajaí (1917) e o de Florianópolis (1898).

É tolice imaginar que alguém saia do Centro, onde tem Bistek, Angeloni, Imperatriz, Meschke, De Angelina etc., etc., para comprar na Barra.

Ou que um mercado de dimensões limitadas, como esse proposto, pudesse influenciar os demais equipamentos turísticos de Balneário Camboriú. 

Novas ideias não são necessariamente boas, às vezes elas podem ser péssimas.

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