Preso pela PF difundia nas redes desinformação produzida por ‘Abin paralela’ sob Bolsonaro

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BRASÍLIA, DF – Um dos presos na fase da Operação Última Milha desta quinta-feira (11) era o responsável, segundo a Polícia Federal, a difundir informações produzidas pela chamada “Abin paralela” nas redes sociais.

Richards Dyer Pozzer teve a prisão preventiva (sem tempo determinado) decretada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. A reportagem não localizou a defesa dele.

De acordo com a PF, Pozzer publicava as informações em um perfil do antigo Twitter (atual X) que tinha o seu nome e também em outras páginas e grupos acessados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Giancarlo Gomes Rodrigues, um dos integrantes da Abin paralela também preso nesta quinta, disse ter sido o responsável por encaminhar informações contra o grupo Sleeping Giants a Pozzer (em mensagem acessada pela Polícia, ele diz: “kkkk fui eu que passei pra ele”).

Giancarlo é sargento do Exército e, à época, estava emprestado para prestar serviços à Abin. A reportagem também não localizou sua defesa. Já o Sleeping Giants ficou conhecido por fazer campanhas de desmonetização de perfis que espalham fake news.

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“A difusão de informações produzidas pela estrutura paralela da Abin por meio do perfil ‘Richard Pozzer’ (sic) era tarefa do núcleo de servidores responsáveis pelas ações clandestinas”, disse a PF, no relatório que fundamenta os pedidos de prisão.

“O produto das ações clandestinas era encaminhado para o vetor de propagação cooptado conforme se depreende da interlocução do sr. Giancarlo indicando que estava alimentando o perfil ‘rootpozzer'”, afirma a corporação.

Na avaliação da PF, a difusão de desinformação a partir de outras pessoas é um “estratagema para dificultar a vinculação da produção ilícita de desinformação com os beneficiários destas”.

Eles citam que, nas conversas, os integrantes da Abin paralela mencionam que Pozzer “está marcando o CB [Carlos Bolsonaro] em todas [as publicações]”.

Segundo a PF, Pozzer também distribuía conteúdo de desinformação oriundo do chamado “gabinete do ódio” que atuava na Presidência da República. Um desses servidores também foi preso nesta quinta.

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Ainda de acordo com a polícia, “Pozzer teria declarado que tinha uma ‘linha direta’ com o então presidente da República Jair Messias Bolsonaro para encaminhar dossiês”.

A investigação da Polícia Federal que deflagrou a operação desta quinta afirma que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) monitorou de forma ilegal no governo Jair Bolsonaro, ministros do STF, congressistas e jornalistas.

A PF prendeu agentes que trabalhavam diretamente para Alexandre Ramagem, atual deputado federal, pré-candidato do PL à Prefeitura do Rio de Janeiro e ligado ao vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que também é investigado.

Policiais federais cumpriram cinco mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo.

No final da manhã, o relator da investigação, o ministro Alexandre de Moraes, levantou o sigilo da decisão em que as medidas foram determinadas.

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