Governo Lula mantém ida de embaixadora à posse do ditador Maduro na Venezuela

O governo brasileiro não reconheceu o resultado da eleição venezuelana.

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a ida da embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Oliveira, à posse de Nicolás Maduro, em Caracas, nesta sexta-feira (10), segundo integrantes do Palácio do Planalto.

A decisão ocorre após aliados de María Corina Machado dizerem que a líder opositora foi “violentamente interceptada” e liberada horas depois após participar de protestos na capital venezuelana nesta quinta (9). O episódio gerou cautela e avaliação de diplomatas do governo.

Mas prevaleceu o entendimento de que, mesmo diante do endurecimento do regime, é importante manter relações diplomáticas com o país que faz fronteira com o Brasil, como forma de intermediar eventuais conflitos e manter pontes. O governo brasileiro não reconheceu o resultado da eleição venezuelana.

Procurado, o Itamaraty não respondeu sobre o envio da embaixadora, que está na representação desde 2024.

Oposição e regime convocaram atos pelo país às vésperas da posse da contestada vitória de Maduro, ampliando o clima de tensão em uma semana na qual a repressão já se acirrou na ditadura chavista. María Corina rompeu mais de cem dias de clandestinidade, refugiada em local desconhecido, e foi às ruas de Caracas.

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Figura-chave do regime venezuelano, o procurador-geral Tarek William Saab nega as afirmações e disse à Folha de S.Paulo que ela não foi detida “nem por um minuto”.

O nível de representação numa posse presidencial é um sinal da importância que o Brasil atribui às relações com o outro país. Lula, por exemplo, prestigiou a posse de Claudia Sheinbaum na Presidência do México, enquanto o vice, Geraldo Alckmin, foi escalado para posses na Guatemala e no Irã.

Mesmo no caso da cerimônia de posse do ultraliberal argentino Javier Milei, desafeto de Lula, o representante brasileiro foi o chanceler Mauro Vieira -uma escolha que destacou a importância das relações entre Brasil e Argentina apesar da distância ideológica dos dois governantes.

As relações entre o regime e o governo Lula atingiram seu nível mais baixo após o pleito, mas o petista manteve a embaixadora na Venezuela sob o argumento de que era preciso ter algum canal de interlocução com o chavismo.

As eleições venezuelanas de julho de 2024 foram marcadas por acusações de fraude feitas pela oposição, que se declarou vitoriosa e divulgou atas eleitorais que comprovariam o triunfo do diplomata Edmundo González.

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Mesmo diante da pressão feita pelos Estados Unidos e por países da Europa e da América Latina, incluindo o Brasil, Maduro não divulgou as atas que respaldariam a vitória anunciada pelas autoridades eleitorais.

O impasse desencadeado após a eleição abriu ainda uma crise diplomática entre o governo Lula e o regime de Maduro.

A ditadura passou a criticar Lula e, com mais intensidade ainda, o Itamaraty. A pasta chegou a ser acusada de ser vinculada ao Departamento de Estado americano, e Celso Amorim, assessor de Lula que esteve em Caracas para a eleição, foi chamado de “mensageiro do imperialismo norte-americano”.

Em outra frente, o Brasil assumiu a proteção diplomática da embaixada argentina em Caracas, onde um grupo de opositores está há meses asilado. O chavismo chegou a anunciar que havia retirado a custódia brasileira, num gesto interpretado como ameaça de invasão do prédio. No final, não houve entrada de agentes venezuelanos no edifício, e os asilados continuam no local.

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