Caso 1
– Vem daonde?
– Sou do Piauí, cheguei sábado agora. (Jovem – gari na praia, magrinho, bom português)
Segue o papo:
- Viemos em 13. Acabei o ensino médio. Estamos no alojamento, eles dão. Contrato por 6 meses. Vale alimentação R$ 500,00 e salário na carteira R$1.700,00. Trabalho das 7 às 13. Quero arrumar outro trabalho de tarde. Lá não tem emprego.
Caso 2
Grupo de nadadores, mais de 30, com roupa adequada, Av. Atlântica.
– O que tá acontecendo?
– Vamos nadar. Grupo daqui de Balneário.
Senhor se exercitando e aquecendo. Idade 83 anos!
– Vou nadar até aquelas duas bóias, dá um pouco mais de 1.000 metros. Sou de São Paulo, moro aqui há 10 anos com a mulher. Fui demitido da empresa como representante comercial em 2013, ganhava R$ 32.000,00 por mês! Meus filhos tão formados, independentes. Eu também.
Caso 3
Gari de novo, 37 anos.
– Vim com a família, não deu certo. Fiquei. Eles voltaram. Aluguel aqui é caro. Pago R$ 1.500,00 numa quitinete lá na Barra Sul (!) Tá difícil.
Caso 4
Sentado numa cadeirinha ao lado da pista da ciclovia, fotografando, máquina profissional, 44 anos.
– Sou de Pato Branco. Faço bico fotografando corrida a pé e de bike. Umas 1.000 fotos por dia. Mando para uma empresa, eles vendem para os atletas e me pagam comissão. Ganho 6, 7 mil por mês, trabalho uns dois dias por semana. Tenho outro emprego. Estou esperando minha filha formar e quero vir morar aqui.
E o futuro de Balneário Camboriú?
Seguirá um sonho para muitos, decepção para alguns.
Quem não mora aqui quer vir e quem já mora aqui não quer sair.
… segue a saga …
Hélvion Ribeiro é dentista aposentado, reside em Balneário Camboriú e veraneia em Urubici

