A história recente de Balneário Camboriú está viva no Arquivo Histórico da cidade. Há quatro anos, o jornal Página 3, que neste sábado (26) completa 34 anos, doou ao município todo o acervo impresso produzido entre 1991 e meados de 2018.
São edições que estão encadernadas e milhares de fotografias que hoje estão sob os cuidados da equipe técnica responsável pela preservação da memória local.
Primeiro a conservação, agora a restauração

Na época da doação, o material passou por um processo conservativo essencial para garantir sua durabilidade, uma quarentena em Capela de Fumigação, técnica usada para eliminar micro-organismos e possíveis infestações biológicas, e agora está sendo reformado, pela especialista Lilian Martins.
“O acervo chegou com alguns ‘inquilinos’ indesejados (cupins). Fizemos a higienização manual, como é de praxe com todos os acervos que entram no arquivo”, explica.

Agora, passados quatro anos, teve início o processo de restauração das edições – que são frequentemente consultadas por pesquisadores, estudantes e até cidadãos que buscam comprovações para aposentadoria ou outras demandas judiciais.
“É um trabalho técnico e minucioso. Abrimos folha por folha, aplicamos enxertos e usamos técnicas reversíveis que não comprometam o conteúdo das obras. Tudo é feito para preservar ao máximo o valor informacional do material”, afirma Lilian, que neste ano voltou a atuar diretamente no laboratório, função para a qual se especializou.
Ela salienta que existem protocolos em discussão no meio da conservação. Luvas, por exemplo, podem reduzir a sensibilidade e aumentar o risco de danos em quem não está acostumado a usá-las.
“Por isso, orientamos a higienização das mãos e acompanhamos de perto qualquer consulta”, comenta.
Importância do acervo

Além das edições impressas, o acervo do Página 3 é constantemente cruzado com outros documentos históricos, como fotografias, publicações técnicas e plantas de projetos urbanos. Esses cruzamentos ajudam a reconstituir a história da cidade — desde aspectos arquitetônicos até registros de atividades econômicas e sociais.
João Carlos da Silva, atual coordenador do Arquivo Histórico, avalia que a doação foi um gesto nobre e generoso e que é uma riqueza para Balneário Camboriú.
“Cada volume nos transporta para outra época e nos ajuda a montar o quebra-cabeça da nossa história, feita de muitas partes e muitas vozes. Também consideramos que é muito importante dar visibilidade ao acervo, para que mais pessoas saibam que ele existe e possam utilizá-lo em pesquisas ou simplesmente para conhecer mais sobre a cidade”, pontua.
Balneário Camboriú tem história, sim

E para quem ainda insiste em dizer que Balneário Camboriú “não tem história nem cultura”, João é direto:
“É um absurdo. Balneário tem uma trajetória singular, construída por gente vinda de muitos lugares. Quem diz isso, geralmente, não conhece a cidade de verdade. Balneário tem história social, política, na construção civil e no turismo”, diz.
Tanto João quanto Lilian salientam que o acervo do Página 3 é, hoje, fonte recorrente para resgatar marcos históricos da cidade e conta não só a trajetória do jornal, mas também da própria evolução urbana, política, cultural e turística de Balneário Camboriú.

