No Bairro da Barra, em Balneário Camboriú, existe uma passagem estreita, entre muros baixos e quintais antigos, por onde pescadores circulam todos os dias. Esse local, chamado de ‘servidão’, pode ganhar o nome de Servidão Pescador Zezinho do Graça. A proposta está em discussão por meio do Projeto de Lei Ordinária nº 91/2025, apresentado pela vereadora Ciça Müller em abril, após um pedido feito por moradores do bairro, que se reuniram através de um abaixo-assinado que pede a oficialização da servidão com o nome do pescador.
Ciça reforça a importância de valorizar a pesca artesanal e a identidade da Barra. A homenagem seria a ‘continuação’ da história da pesca no bairro. Ela conta que mora na Barra há quase 10 anos e sempre ouviu falar do Zezinho, que faleceu em 20 de fevereiro deste ano, aos 72 anos.
“Era visto por todos como um ótimo vizinho, um morador querido, um homem de fé e de família. Dar seu nome a essa servidão é reconhecer alguém que representa o espírito simples e verdadeiro do nosso bairro”, disse.
Zezinho foi sepultado no Cemitério Municipal da Barra, o mesmo lugar onde nasceu, viveu, trabalhou, criou sua família e construiu sua história. Para muitos vizinhos, sua partida foi tão repentina quanto dolorosa, e ainda hoje é lembrada com carinho por quem o conheceu de perto, como Áurea Loch, presidente da Associação de Moradores da Barra.
“Mesmo não sendo nascida aqui, sempre ouvi falar do Zezinho com carinho. Quando ele partiu, a comunidade sentiu de verdade. Era como se um pedaço da história tivesse ido junto. Dar o nome dele à servidão é fazer esse pedaço permanecer com a gente”, afirmou.
José Arlindo da Silva, conhecido como Zezinho do Graça, nasceu e viveu na Barra. Viveu da pesca e pela pesca. Criou seus 10 filhos praticamente sozinho, depois da morte da esposa, com o sustento que tirava do rio e do mar. Muitos dos filhos dele ainda vivem no bairro e continuam na pesca artesanal, mantendo uma tradição que atravessa gerações. Ele se casou com Marilda, que destacou que ele foi um homem de igreja, de família, amigo de todo mundo.
“Nunca foi de falar muito, mas estava sempre ali, fazendo. Ver o nome dele na rua onde ele passou tantas vezes seria motivo de orgulho, não só pra mim, mas para todos que conheceram ele”, pontuou.
Grasiela Martins, subprefeita da Barra, filha de Donatil Martins, que foi vereador e pescador de Balneário Camboriú, contou que cresceu vendo Zezinho na beira do rio, no barco, ajudando os vizinhos.
“Ele era presença, era trabalho, era respeito. Muita gente da minha geração aprendeu com ele sem nem perceber. Essa homenagem é justa porque representa a alma da Barra”, comentou.

