Balneário Camboriú poderá ter feira uma vez por mês na orla da praia ainda antes da temporada

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Aproveitando o sucesso da feira na praia de Balneário Camboriú durante o 7º Arrancadão de Canoas Artesanais (que ocorreu nos dias 2 e 3 de agosto), a Fundação Cultural está estudando a criação de uma na orla da Praia Central, que pode ser mensal e futuramente semanal. Além disso, as demais feiras, que acontecem nas praças da Bíblia/da Cultura e do Pescador estão sendo ampliadas.

O diretor de Artes da Fundação Cultural, Ed Rocha Júnior, conversou com o Página 3 e salientou que um de seus principais objetivos, quando assumiu o cargo no início do ano, seria a feira. Ed já havia sido coordenador das feiras há 5 anos, no governo de Fabrício Oliveira, e conta que voltar como diretor foi ‘muito simbólico’.

“Tenho dedicado muito tempo nisso por entender que a feira é um espaço muito democrático que une todas as pessoas, desde feirantes e consumidores, tanto na Praça da Bíblia quanto na Praça do Pescador. Há mais de dois anos as inscrições foram abertas (para participar da feira), mas era algo demorado, havia 80 feirantes na fila de espera. Fizemos mutirão de curadoria durante três meses, para selecionar novos feirantes. Tinha pessoas esperando dois anos. Dos 80, 56 feirantes foram aprovados. A justificativa do governo Fabrício era que não tinha tenda – tinha cerca de 45″, explicou.

Segundo o diretor, os 56 feirantes aprovados, estão em lista de espera de rodízio, todo fim de semana praticamente tem feirante novo nas praças, e a prefeitura também concedeu autorização de compra de 10 tendas pela Fundação, e ainda há a parceria privada, através de empresas que podem colocar a marca nas tendas e conceder aos feirantes. 

Atualmente tem uma proposta aprovada de patrocínio e mais três empresas em negociação. 

“Sendo que há 10 dos 56 feirantes aprovados que não precisavam usar tenda – como food truck, carrinhos e ombrelones. E também tem feirante que vem para Balneário só no verão e já se antecipou e fez a curadoria para participar da feira somente na temporada”, acrescentou.

Novidades e inspirações em feiras de Santos

Ed disse que a Fundação está buscando novidades, como as feiras noturnas, que já aconteceram quando houve a pizza gigante de 61 metros e a feira na orla junto ao Arrancadão de Canoas. Também houve a participação de feirantes nas festas típicas da cidade, como Festa da Tainha, Festa do Pescador e Festa do Bom Sucesso (só não participaram da Raízes de Taquaras).

“Eu viajei para Santos, marquei conversa com duas feiras, tanto gestores de feira pública (pela prefeitura – que acontece há 56 anos) como uma feira privada. São duas feiras na orla de Santos, que acontecem simultaneamente, uma sem atrapalhar a outra. É diferente de Balneário – em Santos os feirantes pagam taxa para participar, e também pagam as tendas, e em Balneário é tudo gratuito – além de não cobrarmos dos feirantes, ainda damos estrutura e energia elétrica. Não é alta temporada agora e eles estão vendendo muito – justamente porque tem divulgação, tivemos parceria com o Balneário Saboroso, as pessoas abraçaram as feiras, e foi de Santos, além da ideia da feira na orla, que tivemos a ideia de levar DJ para a feira, assim como o arraiá que realizamos. Essas trocas de experiências são muito necessárias”, afirmou.

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Vem aí feira da orla de BC

Tudo indica que a feira da Avenida Atlântica vai se realizar, segundo Ed. O diretor lembra que a história das feiras em Balneário começou na Atlântica e muitos dos feirantes depois fundaram os camelódromos da cidade. 

“Agora, além de energia elétrica, precisamos ter banheiro na orla, por isso utilizamos o Arrancadão para fazer a primeira edição. Já está em trâmite a realização de mais feiras na orla, a prefeita Juliana Pavan solicitou projeto para desenvolvermos,e pretendemos fazer no mesmo local (Barra Sul), até para descentralizar as feiras. Os feirantes ficaram muito felizes – 13 participaram da primeira edição. Temos burocracias, mas tem chance de começar até antes do verão – a ideia é fazer uma vez por mês, sábado e domingo, e depois num futuro desenvolver feira toda quarta-feira, assim como acontece na Rua 200”, comentou.

Critérios para participar e ampliação das feiras

Ed explicou que para participar de cada feira há critérios – se tem conexão com a temática do evento (na orla entendiam que ia ser passeio, foi pensando na logística – do lado do parque infantil colocaram feirante que vende laços infantis, colocaram açaí também por ser produto que fazia sentido porque tinha prática de esportes, acessórios de couro de peixe (identidade local) e macramê, doces mineiros (algo para comprar e consumir no local), produtos coloniais como queijo, mel e cachaça (produzidos em Camboriú), pastel e caldo de cana (grande identidade de feira), comida de rua (hot dog), paella (finger food, fácil de consumir também), crepe, hidromel (bebida diferente) e outros artesanatos como aneis e pulseiras. 

“Todos os feirantes realmente são pensados individualmente para cada festa, considerando também tempo de feira (exemplo – tem feirante que atua nas feiras da cidade há 10 anos). Há hoje uma média de 70 feirantes nas feiras, que se dividem entre Praça do Pescador (cerca de 20) e Praça da Bíblia o restante – com a demolição do pipi dog da Praça da Bíblia vai ser possível ampliar a feira para a ala norte e ficará a praça inteira de feira. Hoje o maior desafio são as novas tendas. Por isso, pedimos apoio dos empresários, e os interessados podem procurar diretamente a Fundação para nos apoiar com esses materiais”, acrescentou.

O diretor aponta que hoje não entra na feira sem passar pela Vigilância Sanitária, e praticamente toda semana entra feirante novo. No caso dos produtos, quando é artesanato, tem que ser produção própria, já os alimentos precisam ter identidade/representatividade cultural (com autorização para fazer revenda – exemplo: comidas mineiras). 

“Estamos em contato frequente com os feirantes. A minha maior felicidade é ter a liberdade que a prefeita me deu para ampliar as feiras. Vamos ampliar ainda mais – as Feiras de Verão acontecerão e vão ter mais horários e dias ampliados – além dos dias comuns (quinta a domingo com horário até 22h), queremos também a partir de 26/12 até 15/01 fazer todos os dias, para aproveitar o alto movimento. O principal objetivo é dar mais oportunidade aos feirantes, não é comércio aleatório ou clandestino, não tem nenhum produto da China, tudo tem aspecto cultural. Se alguém ver algo assim, denuncie, porque estamos todos os finais de semana para fiscalizar. Vale lembrar que também não pode vender na feira quem não é feirante, tem critério! Foram com morango do amor tentar vender e não permitimos isso. Aproveito para contar também que as inscrições para a Feira de Verão abrirão em outubro”, completou Ed.

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