O 1º Festival de Choro de BC encerrou sua programação no domingo (10), no Teatro Municipal Bruno Nitz. O público assistiu ao espetáculo que teve uma homenagem especial ao músico Lucas da Rosa (in memoria).

Em dois dias de uma programação, o festival realizou apresentações itinerantes, com profissionais da música que são referência em Santa Catarina como Rodrigo Paiva, Giovani Sagaz, Guilherme Ledoux, Rodrigo Erbs e Bruno Moritz.
Realizado pela cantora Susi Brito e com direção musical de Tiago Brizolara, o Festival que teve os músicos Wagner Segura e Ricardo Pauletti como curadores, recebeu o patrocínio da Prefeitura e da Fundação Cultural de Balneário Camboriú por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e apoio de Um Tom para Cantar, Espaço Cultural MPM, Camboriú Praia Hotel e Jungle Burger.
Na Barra
Os shows gratuitos e abertos à comunidade começaram no sábado (9) com a apresentação que celebrou a vida e a obra de Aldo Krieger (1903-1972), seguido da 1ª Mostra de Choros do Vale do Itajaí.
Por causa do frio e do vento intensos, as apresentações que aconteceriam na Praça do Pescador, acabaram transferidas para o pátio coberto da Jugle Burger, em frente à praça. A noite encerrou com a apresentação do Grupo de Choro Aperta o Passo, de Navegantes, em um jam session, com diversos musicistas que prestigiaram o evento.
“O resultado do Festival, com um engajamento enorme dos músicos da região e do público em geral, nos mostrou que é um evento com enorme potencial de crescer. Estamos muito felizes com o resultado e já planejando os próximos passos para que o Choro esteja cada vez mais na rua e acessível”, afirma a proponente do projeto, a musicista Susi Brito.
No Municipal

Na noite de domingo (10), o Festival encerrou com um grande espetáculo e homenagens emocionantes, como a montagem surpresa da bateria da Lucas da Rosa no palco. Depois do falecimento do músico, o instrumento foi doado pela família para o professor Rodrigo Gudin Paiva, que por cerca de 10 anos utilizou junto a estudantes do curso de música da Univali, em uma sala que leva o nome de Lucas.
“Foi muito emocionante participar desta homenagem, pra mim é muito especial e o Lucas, com certeza, esteve e está junto conosco no som, nesta linda homenagem, sentido toda essa energia e vibração”, diz o mestre Rodrigo Gudin Paiva, que foi professor do Lucas e é referência para bateristas e percussionistas de todo o estado de Santa Catarina.
Três oficinas
Além de conectar o público com o gênero musical recém reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o festival tem ainda o foco na formação dos músicos da região, com três oficinas gratuitas.
“Prática em Conjunto/Roda aberta” foi realizada nas duas tarde do evento, com o conjunto base do projeto, os músicos da Roda de Choro e Samba da Susi Brito: Tiago Brizolara (violão 7 cordas e cavaco/voz), Rubens Azevedo “Rubão” (flauta e sax), Binho Toledo (percussão), Denis Kazuo (percussão) e Thesco (violão 7 cordas e cavaco/voz), além dos músicos oficineiros.
No sábado teve a oficina “Transposição do Choro para a instrumentação de jazz / elétrica”, com o multi-instrumentista, compositor e professor Eduardo Lobo.

No domingo (10), o musicista Guilherme Ledoux, de Florianópolis, ministrou a oficina “Bateria no choro” e fez o pré-lançamento do seu livro homônimo.
“Este é o projeto da minha vida”, explicou Ledoux. Escrito manualmente, o livro é o resultado de mais de 15 anos de pesquisa sobre a inserção deste instrumento no choro.
“Apesar de ser o mais antigo e tradicional, o choro é um gênero musical rico e continua trazendo inovações. No livro eu procuro fazer a transcrição do pandeiro para a bateria no toque do choro, buscando dar um novo fôlego e trazer as novas gerações para este gênero”, explica o artista que lançou um financiamento coletivo para garantir a publicação.
As informações sobre o livro e como ajudar no financiamento coletivo estão disponíveis no perfil @bateria_nochoro
Texto: Adelaine Zandonai

