Balneário Camboriú conta com muitos cães comunitários — animais que na maioria das vezes não têm um tutor único, mas são cuidados por moradores, comerciantes e voluntários — e que são protegidos por uma lei municipal específica. Esses cães fazem parte do dia a dia da cidade, estão integrados à rotina das comunidades e ajudam até a criar laços entre vizinhos.
A diretora de Proteção Animal e Combate aos Maus Tratos, Patrícia Ferreira, alerta, no entanto, que alguns desses animais estão sofrendo com perseguições, como na Praia do Estaleiro, onde vivem dois cães comunitários que ficam na faixa de areia.
“A lei do cão comunitário é muito clara. Ela já exclui esses animais de outras normas, como a proibição de permanência de cães na praia. Mesmo assim, estamos enfrentando um problema sério com alguns moradores que insistem em questionar a presença deles, o que coloca em risco a permanência desses animais em seu território”, afirma.
Segundo Patrícia, essa situação vem sendo discutida há bastante tempo, mas ainda sem consenso.
“O medo é que esses cães sejam retirados de onde vivem há anos, mesmo estando protegidos legalmente e recebendo cuidados da comunidade”, reforça.
Cães que são parte da cidade

Entre os exemplos mais conhecidos está o Berlim, considerado o cão comunitário mais famoso de Balneário Camboriú. Ele já foi destaque até na mídia nacional e circula livremente por diferentes pontos da cidade: praias, Centro, Morro do Careca e até na Prefeitura. Com seu jeito tranquilo e carismático, Berlim se tornou uma espécie de mascote informal da cidade.

Outro nome lembrado com carinho é o Marrom da Passarela da Barra, um dos cães comunitários mais antigos do município. Idoso, Marrom passou boa parte da vida circulando pela região da Barra e é cuidado por moradores e comerciantes locais.
Para Patrícia, a importância desses cães vai muito além da afetividade.
“Eles representam a consciência coletiva de cuidado, a empatia e o respeito aos animais. A lei existe para garantir que eles tenham o direito de viver no local onde estão adaptados, com segurança e dignidade”, conclui.

