Artista que está grafitando o painel na Martin Luther disse que as cores escolhidas têm significados simbólicos

“Para a pintura do binário, o spray foi utilizado como ferramenta principal, característica marcante para identificar os traços”, disse Berejuk

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O artista visual e grafiteiro Luís Felipe Berejuk, que está finalizando o mural do novo trecho da Avenida Martin Luther, disse que as imagens alusivas à árvore do Ariribá-Amarelo e aos pássaros que dão nome às ruas do bairro, ganharam cores com significados simbólicos.

O painel ocupa 350m² do muro do binário no trecho recém inaugurado da avenida e foi executado em duas semanas, em dias desafiadores, marcados por sol intenso, chuva, vento e quedas bruscas de temperatura. Mesmo assim, todo o cronograma seguiu conforme o planejado.

Berejuk contou com o apoio de dois artistas de Balneário Camboriú: João Felipe, responsável técnico pelo preparo do muro, aplicação e manuseio das tintas acrílicas à base de água, e Vitor Gabriel Caetano, responsável pela supervisão de criação e tabela de cores. 

Crédito: Renata Rutes

“Ambos foram pilares fundamentais para a execução do projeto. O objetivo deste painel é resgatar novamente o graffiti na rua. Quando digo graffiti, não me refiro ao movimento de pinturas ilegais e transgressoras; tampouco afirmo estar criando algo inédito — tudo já foi inventado. Porém, para a pintura do binário, o spray foi utilizado como ferramenta principal, característica marcante para identificar os traços”, disse.

Crédito: Renata Rutes

O artista disse que o painel trouxe imagens alusivas à árvore do Ariribá-Amarelo e a pássaros (as ruas do bairro levam nomes de pássaros), trabalhados com técnicas de luz e sombra que reforçam a perspectiva de movimento, trazendo uma profundidade tridimensional que transita por várias camadas de sobreposição. 

“As cores escolhidas têm significados simbólicos que fortalecem a narrativa da obra: Verde representa o equilíbrio, a esperança e a renovação, em sintonia com a natureza e a vitalidade da árvore Ariribá-Amarelo. Azul transmite tranquilidade, confiança e reflexão, conectando céu, horizonte e fluidez. Roxo evoca espiritualidade, criatividade e transformação, trazendo mistério e força artística. Rosa simboliza afeto, sensibilidade e empatia, suavizando os contrastes e aproximando a obra do público. A junção dessas quatro cores cria uma atmosfera única: o verde sustenta a base da vida, o azul abre espaço para serenidade, o roxo convida à imaginação e o rosa aquece com proximidade. Juntas, essas cores constroem uma narrativa visual que mescla natureza, humanidade e sensibilidade urbana — transformando o espaço público em um lugar de encontro, contemplação e arte”, acrescentou.

Berejuk em ação (Divulgação)

Berejuk também aproveitou para agradecer aos moradores do bairro, citando Lucas e sua mãe, que cederam a casa onde foi montada a base de apoio, local em que os materiais ficaram guardados durante os dias de trabalho. 

“Além da receptividade calorosa dos demais vizinhos, que também fizeram parte do nosso cotidiano. Agradecemos, ainda, à Fundação Cultural e ao credenciamento de artistas, ferramenta fundamental para a realização desta obra”, completou.

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