O projeto “Baobá: contação de lendas negras” inicia nova temporada de apresentações gratuitas em escolas de quatro bairros de Itajaí, na terça-feira (2) e segue até dia 12. Ao todo, serão oito sessões do espetáculo “Angola”, que reúne histórias da tradição oral africana e a memória da imigração angolana para a cidade.
“Baobá” nasceu no intuito de apresentar às crianças as lendas africanas, origem de muitos dos contos de fadas e parlendas que atravessaram séculos. A pesquisa iniciou em 2024 e a estreia do trabalho se deu em maio de 2025. Mais do que contos, as narrativas revelam ensinamentos sobre respeito, coragem, caráter e a valorização da ancestralidade.
No espetáculo de estreia do projeto, o foco está em Angola, país de onde partiram oito famílias que, em 1976, atravessaram o Atlântico em busca de refúgio da guerra civil. Vindas da província de Benguela, elas chegaram a Itajaí após 19 dias de travessia em quatro embarcações, sendo três delas pequenos barcos de pesca.

Quem assina a criação, dramaturgia e atuação do espetáculo é a artista Mariana Feitosa, com interlocução artística e orientação de processo de Giselda Perê e Josiane Geroldi. A pesquisa que embasa a dramaturgia tem como fonte o podcast “Além do Atlântico”, da jornalista Adelaine Zandonai.
“O espetáculo ‘Angola’ apresenta uma história que é também sobre Itajaí e que muitos ainda desconhecem. Hoje, com uma das maiores populações angolanas fora de Angola, a cidade guarda memórias importantes dessa imigração e da contribuição negra na sua formação e construção”, ressalta Mariana Feitosa.
O projeto “Circulação Baobá: histórias de Itajaí” é uma realização da IZÔ Cultura, com patrocínio do Porto de Itajaí, da Autoridade Portuária do Porto de Santos, do Ministério dos Portos e Aeroportos e do Governo Federal.
Sinopse
No oco do Baobá nasceu o mundo. De dentro dele brotam as lendas africanas, que narram a história de um povo que atravessou o mar de Angola até Itajaí, celebram o respeito aos mais velhos e a coragem de enfrentar desafios. O espetáculo tem duração de 40 minutos, com classificação indicativa livre e idade recomendada de 6 a 11 anos.
Texto: Natália Uriarte Vieira

