Concessão da Passarela da Barra tem cheiro de falcatrua

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No dia 22 de agosto, o portal da prefeitura de Balneário Camboriú, e o portal da BC Investimentos, empresa de economia mista pertencente ao município, divulgaram a informação que “Antes do envio ao Tribunal de Contas, os documentos (para conceder a Passarela da Barra) foram revisados e validados pelo setor de Compras da Prefeitura de Balneário Camboriú, assegurando a conformidade e a segurança jurídica do projeto. A próxima etapa será a abertura do processo licitatório, que será amplamente divulgado pelos canais oficiais do município, abrindo caminho para a concretização da concessão.”

A afirmação é falsa, o projeto não estava validado pelo setor de compras da prefeitura (e mais de um mês depois continua sem validação), e ao Tribunal de Contas foi enviado apenas um comunicado protocolar da intenção de conceder a Passarela da Barra.

A divulgação falsa levou o Página 3 a investigar mais detalhadamente o assunto – e a comunicar as suspeitas à prefeita Juliana Pavan, que travou o processo e determinou sua revisão.

A reportagem descobriu que o BC Investimentos não levou em conta, no cálculo do valor da concessão, o potencial de faturamento de uma marina no espelho d´água do rio Camboriú, que será concedido no mesmo pacote.

A Comissão Municipal de Valores (Comunval) avaliou apenas o espaço comercial da Passarela, mas não fez a avaliação do espelho d´água que, na foz do rio Camboriú, tem elevado valor porque permite atracar barcos maiores, que não conseguem acessar marinas mais acima no Rio Camboriú.

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Uma vaga molhada nessas marinas rende por mês, no mínimo, R$ 6 mil, mas nem a BC Investimentos, nem a Comunval, fizeram os cálculos de quantos barcos podem atracar na futura marina e quanto isso irá render ao concessionário.   

O cheiro de falcatrua também está presente nos orçamentos para inspeção dos cabos (estais), em valor superior a R$ 6 milhões, pois o escopo dos orçamentos de engenharia não foi feito por engenheiros e sim por funcionários administrativos, a partir de uma lista de tarefas que ninguém sabe indicar com precisão quem forneceu.

Por exemplo, o ítem, “sinalização e desvio de trânsito” foi orçado em mais de R$ 300 mil, valor absurdo quando se sabe que placas de sinalização de 2m2 custam no mercado local R$ 600,00.

Um orçamento superfaturado pode justificar a alegação do BC Investimentos que o valor de locação das áreas comerciais da Passarela precisa ser mais baixo, R$ 15,00 por metro quadrado, porque o concessionário, supostamente, teria que investir R$ 6,2 milhões na inspeção dos cabos. 

A avaliação da Comunval é pouco esclarecedora, porque na ata não há qualquer detalhe que explique como foi calculado o valor do aluguel em R$ 15,00/m2. Existem salas comerciais para alugar na Barra, com preço em torno de R$ 55,00 o metro quadrado e, na Barra Sul, os valores são bem mais elevados. 

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A Passarela une a Barra Sul à Barra, portanto calcular o aluguel do metro quadrado comercial parece mais complexo do que foi feito pela Comunval.

Dias atrás, se manifestando na tribuna da Câmara, o vereador Marcelo Achutti foi explícito, afirmou que existem irregularidades na concessão da Passarela, o que deve atrair as atenções do Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.

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