“Acredite. O etarismo mata.”, por Cláudio Marcelo Ferreira

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Não é exagero, é fato. 41% dos profissionais brasileiros já sofreram discriminação por idade (dados da consultoria Talenses e da Maturi em junho/2025). Isso significa que quase metade do mercado olha para um currículo e, antes mesmo de analisar competências, descarta por causa de um número: sua idade. Tenho certeza que você sabe sobre o que estou falando.

As consequências não ficam no campo profissional. Elas explodem na vida real. Pessoas com mais de 40, 50 anos, são empurradas para a depressão, para o isolamento social, para a falência moral e financeira. Muitos não dão conta do desespero e chegam ao extremo: tiram a própria vida, porque o mercado decidiu que eles “passaram do prazo de validade”.

Aos covardes que fingem não enxergar um preconceito que já deixou de ser velado há anos, não existe prazo de validade para quem entrega resultados. Não existe “idade ideal” para resolver problemas, liderar equipes, gerar faturamento ou criar soluções que salvam a vida da sua empresa. O que existe é preconceito chamado de “cultura jovem” ou “fit organizacional”. Bonito, né?

O mais irônico é que os caras de pau que descartam profissionais experientes adoram falar em diversidade, ESG e inclusão em suas campanhas. Na teoria, é lindo. Na prática, continuam invisibilizando quem tem mais de 40. Entendam, por favor. Vocês estão destruindo a vida de pessoas como você. Percebem isso? E, mesmo assim, ainda têm um sono tranquilo?

Eu tenho 55 anos e sei bem como é ter o currículo ignorado sem sequer ser lido. Sei como é ser considerado “velho demais” para oportunidades que eu já resolvi de olhos fechados. E sabe o que mais? Esse preconceito não cala. Ele grita. Grita nas estatísticas diárias, grita nas famílias que estão se desfazendo, grita nos talentos desperdiçados. Ele grita quando abro minha geladeira.

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O etarismo mata. Mata a esperança, mata a dignidade, mata carreiras inteiras. Mas também revela quem são os verdadeiros líderes e quem só gosta de postar frases prontas no LinkedIn. Vocês estão trocando experiência por uma moda passageira. Estão matando a história que poderia salvar a estratégia da empresa. E, moralmente, estão muito errados.

Cláudio Marcelo Ferreira é Contador procurando trabalho pós 55 anos, residente em Balneário Camboriú desde 1980

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