As cinco forças que vão redefinir a estética em 2026, e por que o Brasil não está preparado para ignorá-las, por Guilherme Cattani

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A estética brasileira está entrando em 2026 com um paradoxo que pouca gente tem coragem de verbalizar: é um dos setores que mais cresce no país, e ao mesmo tempo um dos menos compreendidos pelas instituições, pelas leis e pela opinião pública. O resultado é um ambiente de alta velocidade, alta pressão e baixa previsibilidade.

Como advogado que acompanha diariamente clínicas, profissionais, conselhos e órgãos fiscalizadores, e como comunicador que conversa com milhares de pessoas no setor em palestras por todo o Brasil, vejo de perto o que está mudando, e o que vai mudar.

Freepik

Aqui estão as cinco forças que, na minha visão, vão definir a estética brasileira em 2026.

1. A estética vai se tornar um debate econômico, não apenas de saúde

Nos últimos anos, a discussão sobre estética foi sequestrada por uma narrativa corporativa que tenta reduzi-la a uma disputa de categorias profissionais. Esse é o debate superficial.

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A camada profunda é outra: a estética virou um setor bilionário que emprega, empreende, movimenta varejo, serviços, tecnologia e uma cadeia produtiva nacional. Municípios e estados começam a enxergar isso como um vetor econômico real.

Em 2026, veremos prefeitos, secretários e parlamentares tratando estética como indústria, não como “moda”. E isso muda tudo: incentiva regulamentação, profissionalização e atração de investimento.

2. Regulamentação deixará de ser arma política e passará a ser infraestrutura

A cada crise, viralização ou intercorrência, surge uma corrida por proibições.

Esse modelo não se sustenta mais.

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A tendência é clara: regulamentar menos por pânico e mais por logística, classificando ambientes, padronizando documentos, definindo boas práticas e dando segurança jurídica para o profissional que trabalha certo.

CFO, CFM, CREFITO, vigilâncias e legisladores vão precisar dialogar com o que acontece no campo, não no papel.

E quem dominar esse diálogo — tecnicamente, juridicamente e narrativamente — vai liderar o setor.

3. Conteúdo técnico será mais valioso que publicidade

Em 2025, vimos clínicas abrindo agenda por causa de educação, não propaganda.

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Em 2026 isso vira regra: profissionais que ensinam ganham autoridade; profissionais que performam apenas para algoritmo, não.

Mas existe um detalhe que pouca gente percebe: o conteúdo técnico sem lastro jurídico virou risco. Interpretar procedimento, produto, off-label, tecnologia ou complicação exige responsabilidade.

A era do profissional que fala de tudo vai morrer. Vai vencer quem fala do que sabe, e sabe do que fala.

4. Amadurecimento empresarial

A estética viveu anos apoiada quase exclusivamente na técnica. Depois, mergulhou no marketing digital. Agora entra, finalmente, no ciclo do amadurecimento empresarial, e isso muda completamente o jogo.

Fato: a maioria dos processos não nasce da seringa. Nasce do que não foi registrado: consentimento, prontuário, orientação documentada, POP validado, responsável técnico definido.

Em 2026, segurança vai virar argumento de venda. E há um fator silencioso, pouco discutido, mas decisivo nessa virada: a consolidação dos maridos na gestão das clínicas, assumindo operação, finanças, processos e liderança de equipe, enquanto as profissionais — majoritariamente mulheres — permanecem como especialistas da técnica.

Esse movimento não é “ajuda”, é estratégia. Ele divide funções, fortalece a gestão, libera foco técnico e acelera a implantação de sistemas, documentação e compliance interno, áreas que muitas vezes ficavam em segundo plano por sobrecarga.

O resultado é claro: quando a clínica se organiza como empresa, a documentação deixa de ser papel e vira cultura. E cultura vira segurança e crescimento sustentável.

Em 2026, profissionalismo e organização serão tão importantes quanto técnica. Quem entender isso primeiro, no papel e na prática, larga na frente.

5. A briga narrativa será tão importante quanto a briga regulatória

Setores bilionários são moldados por narrativas: quem define o “tom” do debate define o jogo.

Hoje, há duas narrativas disputando o imaginário brasileiro:

A narrativa do medo: estética como risco, profissional como vilão, procedimento como ameaça.

A narrativa da competência: estética como ciência, técnica, estudo e transformação social.

Em 2026, essa guerra ganha escala pública.

Profissionais estão se dando conta disso e começam a apoiar iniciativas que dão voz às suas lutas, respondem à desinformação e constroem a própria reputação, sem depender da visão enviesada de setores que tentam monopolizar o discurso.

A estética vai seguir crescendo.

A pergunta é: quem vai contar essa história para o país?

2026 será o primeiro ano em que a estética brasileira deixará de pedir licença para existir e começará a negociar o espaço que merece.

Profissionalização, documentação, comunicação e diálogo técnico vão separar quem cresce de quem colapsa.

E, acima de tudo, será o ano em que a estética vai finalmente ocupar o lugar que sempre teve: não é vaidade. Não é modismo.

É um setor que movimenta vidas, negócios e cidades inteiras, e que merece ser tratado com seriedade.

Guilherme Cattani é advogado especialista em Direito Médico Hospitalar e Direito Tributário, mestre em Gestão de Políticas Públicas e professor nas áreas de saúde e estética. Fundador da Juk Cattani Sociedade de Advogados, primeiro escritório do Brasil especializado em harmonização.

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