O vereador Ricardinho da Saúde procurou o Página 3 para falar sobre a situação do Hospital Regional Ruth Cardoso, que já foi tema de matéria nos últimos dias (relembre aqui), alertando para o abalo emocional e profissional vivido pelos servidores da unidade.
Com mais de 10 anos de atuação no hospital, o vereador afirma ‘nunca ter presenciado um cenário tão crítico quanto o dos últimos dois meses’.
Ricardinho comenta que nunca viu os funcionários ‘tão abalados como estão agora’.
“O que estamos vendo é um desgaste humano enorme, fruto da insegurança salarial, da falta de respostas e da forma como esses profissionais vêm sendo tratados”, disse.
O vereador fez um apelo direto à Viva Rio, organização social e atual gestora do hospital, cobrando acolhimento, valorização e mudanças concretas, tanto na política salarial quanto no relacionamento com os trabalhadores.
“É preciso mudança salarial, sim, mas também mudança de postura. Esses profissionais precisam ser respeitados e tratados com dignidade”, reforçou.
Suposto caos e fechamento do PS
Uma nota informando que o hospital ‘colapsou’ na madrugada desta segunda-feira (12) foi enviada em grupos de WhatsApp, com informação de que foram fechadas as portas do pronto-socorro por ‘absoluta falta de médicos de plantão e insumos básicos’, mas a prefeitura informou ao jornal que o que houve foi um comunicado interno sobre lotação de rede de urgência e emergência, que é procedimento normal de regulação e que em momento algum o PS foi fechado.
O vereador Ricardinho disse que também está acompanhando a situação e que a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, formada por ele, Eduardo Zanatta e Aldemar ‘Bola’ Pereira irão na terça-feira (13) até o hospital.
“Nossa equipe está desde as 2h da manhã acordada, as redes sociais não param”, comentou.
Governo do Estado nega
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que são absolutamente inverídicas as mensagens veiculadas em redes sociais sobre a suposta interrupção dos atendimentos no Hospital Regional Ruth Cardoso por falta de médicos de plantão ou de insumos básicos.
A unidade hospitalar realizou, no período das 19 horas de domingo, 11, até as 7 horas da manhã desta segunda-feira,12, o atendimento de 73 pacientes no pronto-socorro, recebeu 15 ambulâncias com pacientes e contou com a atuação de 7 médicos, 4 enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem no respectivo turno.
Ressalta-se que não há falta de insumos que comprometam ou inviabilizam o atendimento à população.
Eventuais comunicados de redirecionamento pontual de pacientes da Rede de Urgência e Emergência fazem parte da rotina operacional das unidades hospitalares, com o objetivo de otimizar a utilização das estruturas assistenciais disponíveis na região.
Voto a favor da estadualização x defesa dos trabalhadores
Ricardinho também rebateu críticas relacionadas ao seu voto favorável à estadualização do hospital e foi direto ao apontar o descumprimento do que foi prometido à cidade e aos servidores.
“Votei a favor da estadualização porque não admitia que Balneário Camboriú continuasse pagando essa conta sozinha. O discurso era de mais estabilidade, carteira assinada, fim das provas anuais e garantia de direitos. Na prática, o que vemos hoje é um modelo que não funciona nem para o município nem para os trabalhadores”, pontuou.
O vereador também deixou uma mensagem firme de apoio aos servidores e destacou que a mobilização vai além do Legislativo.
“Aos profissionais do Ruth Cardoso, deixo claro: vocês não estão sozinhos. Estaremos juntos nessa luta, e a população também está ao lado de vocês. Defender o servidor é defender a saúde pública e o atendimento à nossa gente. A fiscalização seguirá ativa até que o Governo do Estado, a Secretaria de Estado da Saúde e a gestão do hospital apresentem respostas efetivas e soluções reais para os problemas enfrentados diariamente dentro da unidade”, disse.

