O vereador Marcelo Achutti, que vem acompanhando a situação do Hospital Regional Ruth Cardoso, esteve na unidade entre a noite de segunda e madrugada desta terça-feira (entre 12 e 13/01) e relatou ao Página 3 o que viu por lá.
Entre 22h de segunda-feira e 01h30 de terça, ele se deparou com demora no atendimento, colaboradores desestimulados porque muitos não receberam salários de dezembro e falta de insumos.
“O pessoal da Viva Rio diz que não falta, mas estou dizendo o que me deparei. Se não faltam insumos, então falta gestão, organização. Me deparei com isso tudo. Vai ter reunião amanhã (quarta-feira, 14), às 14h, entre os vereadores e o governo do Estado. Eu vou participar e vou dizer que minhas denúncias não tem teor político, porque sou apoiador do governador Jorginho Mello, mas estou cagando se estão chateados comigo, porque deveriam nos passar informações – sou da base do governo de SC, deveriam nos dizer quem contatar, quem cobrar, e esqueceram dessa parte política. Não fui eleito para agradar secretário, eu cobro apoio para o Ruth desde o governo do Raimundo Colombo”, disse.

“Vi coisas deprimentes”
Achutti disse que os vereadores têm livre acesso ao Ruth perante a constituição e que por isso foi até lá. Um paciente relatou que estava desde às 10h esperando atendimento e somente às 22h foi para a sala de medicação, que estava cheia.
“Fui até a UTI, fiz um vídeo deprimente onde vi a falta de insumos, aí chegou a Viva Rio, dizendo que têm insumos… mas eu vi coisas deprimentes, porque faltam colaboradores, e admitiram [a Viva Rio] que estão tentando captar mais. Grande parte do que vem acontecendo, no meu entendimento, é porque faltam profissionais. No plantão da UTI, com 10 leitos, deveriam ter seis enfermeiros e tinha quatro, é a informação que eu tenho”, comentou.
“Se ajeite ou saia fora”
Uma das reclamações dos funcionários do hospital é a questão salarial, já que houve diminuição nos salários em relação aos que eram pagos pela prefeitura de Balneário Camboriú que administrava o hospital.
“Mas eu não entrei no mérito do salário ser baixo ou não, porque a Viva Rio diz estar em norma com o piso, então não discutimos isso, mas eu posso e vou continuar discutindo e fiscalizando. Quanto aos funcionários, eu achei um número muito baixo. Vi que em muitas áreas precisam ter mais colaboradores. Me machuca ver colaborador chorando, pessoas que têm histórico de luta e propósito no hospital, que vivem um desafio todos os dias. Não sou cego, surdo e mudo, todos erram e acertam, o Jorginho acertou na estadualização, mas está errando em não chamar à responsabilidade, para que a Viva Rio se ajeite ou saia fora”, acrescentou.
Vereador vai denunciar situação ao Tribunal de Contas
Achutti comentou ainda que a discussão não pode ser só da Câmara de Balneário Camboriú e que é preciso suporte do Estado e dos municípios da região, já que agora o hospital é regional.
Ele salientou que não esperava que o hospital passasse por determinadas situações com a estadualização.
“Se está tudo lindo como dizem [Viva Rio/Governo de SC], só se for para o padrão deles, porque para o meu e das pessoas não está! Eu tenho fé que os deputados vão se manifestar, que vão dar o que a comunidade espera – a fiscalização, que é a contribuição que podem dar. Mesmo assim, vou fazer semana que vem denúncia ao Tribunal de Contas, vou juntar matérias publicadas e denúncias, pedirei ajuda, porque a Viva Rio não está cumprindo com o contrato, os colaboradores estão dizendo isso e vou fazer a denúncia com base nisso. O que nos une é o Ruth Cardoso e não é bandeira política, é da cidade, da região. O Ruth já esteve entre os 100 melhores hospitais do SUS, como foi noticiado recentemente, mesmo com todos os problemas que tinha. Hoje não esperamos posição de ranking e sim acolhimento aos colaboradores, valorização deles”, completou.

