Após denúncias, Governo do Estado detalha situação do Ruth Cardoso para vereadores de Balneário Camboriú

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Aconteceu na tarde desta quarta-feira (14), a pedido da prefeita Juliana Pavan, uma reunião na Secretaria de Segurança da cidade, entre o Secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva, e a Secretária Adjunta, Cristina Pires Pauluci, com os vereadores da cidade (participaram 18 deles, com exceção de Jair Renan Bolsonaro), para discutir a situação do Hospital Regional Ruth Cardoso, que enfrenta denúncias e reclamações desde que a estadualização foi oficializada, no início de dezembro de 2025.

O Página 3 foi informado que foi uma reunião administrativa, solicitada pela prefeita para que todos pudessem saber como anda o hospital, já que havia muitas dúvidas. 

Juliana relembrou na ocasião as dificuldades que o Ruth Cardoso passou, e disse na reunião que a estadualização veio como consequência dos problemas.

Na ocasião foi apresentada a retrospectiva, desde a assinatura do protocolo de intenções da estadualização até o credenciamento da organização social Viva Rio.

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O secretário Demarchi apresentou detalhes, os vereadores puderam questionar — foram apresentados relatos e tiradas dúvidas, como por exemplo da continuidade da existência do cargo de Leocádio Giacomello, que segue superintendente da transição do hospital para resolver algumas situações burocráticas que ainda não foram finalizadas.

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Também situações de falta de insumos (o que foi negado pelo Governo de SC) e de salários dos funcionários (foi apontado que dos mais de 600 colaboradores, 37 estão com inconsistências de folha – por problemas burocráticos como questões documentais, contas bancárias etc. A prefeita solicitou priorização nesse sentido do setor de RH, para que haja maior tranquilidade na relação do hospital com funcionários).

Os vereadores cobraram uma gestão mais humanizada da Viva Rio e retorno com informações mais precisas e ágeis para que os servidores não fiquem muito tempo sem respostas. 

Foi lembrado também que antes o hospital possuía 700 funcionários e que foi feito um redimensionamento no quadro, passando para pouco mais de 600, mas que ainda há contratações acontecendo e o governo de SC reconheceu que há pontos a melhorar na questão de RH. Inclusive, foi sugerido por vereadores que haja eventual reanálise de mais profissionais em alguns setores, organizando fluxo de serviços e promovendo o vocacionamento das unidades (regionalmente falando) para que o Ruth Cardoso ‘não seja mais o puxadinho do Hospital Marieta’, pois é oficialmente regional, com 114 leitos e não pode mais haver sobreposição de serviços com o Marieta, exigindo repactuação.

Prefeita destaca importância da reunião

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Juliana Pavan, prefeita de Balneário Camboriú – “A reunião foi solicitada por mim, já fui vereadora, respeito a função do Legislativo, que é fiscalizar e acompanhar de perto. Solicitei que viessem [a Secretaria de Saúde de SC] para fazer balanço do primeiro mês de gestão pelo Estado e solicitei relatório mensal até dezembro de 2026, no período de um ano da nova operação deverão apresentar mensalmente um relatório acerca da OSC Viva Rio na gestão do Ruth – com dados gerais, qualidade do atendimento, indicadores do setor de RH, de modo a evitar desinformação e permitir rápida resolução. 

Muita desinformação foi levada, o que causa problemas, porém tem coisas que aconteceram e temos que cobrar efetividade. 

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Solicitei via ofício, para poder contribuir no primeiro ano de gestão, com divulgação de notícias fidedignas, porque é a nossa marca – transparência, diálogo aberto. 

A gestão é do Estado, mas converso diariamente com a direção do Ruth, com o governo de SC, fui lá [no hospital], visitei, busquei informações, fiscalizei, mantive contato permanente. 

Deixei claro que nunca viraria as costas ou lavaria as mãos, falar isso não acrescenta em nada! Eu durmo com a consciência tranquila todos os dias de que a estadualização foi, sim, o melhor caminho. 

Me preocupo com falas pontuais que criticam a estadualização, que nem se preocupam em buscar informações corretas, só fazem vídeos, entrevistas em podcasts, mandam mensagens em grupos, de forma irresponsável. Eu ficava até com receio, pois é muita coisa absurda que falaram, e precisávamos de fato buscar a verdade. 

Sabemos que problemas administrativos em função da transição aconteceram, já está sendo acompanhada de perto a situação. 

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Eu solicitei que tenha também prioridade com folha de pagamento, solicitei folha suplementar até sexta-feira (16) para não deixar o problema aumentar, com foco na assistência ao cidadão, qualidade, continuidade e manutenção do serviço. Inclusive vale destacar que não houve paralisação de serviços. Sobre o quantitativo de insumos – o município deu todo suporte quando necessário, foi aprovado isso na Câmara, porém a empresa também vem fazendo sua parte, estoques estão cheios, ninguém ficou desassistido. 

Sugeri que façam campanha publicitária sobre agora ser um hospital regional de fato e de direito, que apresentem tudo o que mudou, para que as pessoas saibam disso. 

Tudo isso foi apresentado para os vereadores, pedi transparência, que tratassem assunto de forma clara e objetiva porque o vereador é o político que está mais perto do povo. Pedi aos vereadores que busquem informações antes de publicar. 

É legítima a estadualização, todos votaram por ela, e podem e devem cobrar efetividade e qualidade de atendimento e também a atenção aos colaboradores. 

Foi uma reunião positiva, eles fizeram questionamentos, o secretário foi solícito, respondeu tudo, ele sempre dá retorno imediato às nossas demandas. Estamos cobrando efetividade, acompanhando de perto, e em fevereiro vai ter audiência pública para falar sobre a estadualização, como está sendo, com a Viva Rio e Governo de SC, na Câmara.

Após a reunião os vereadores foram convidados a irem para o hospital junto, fui eu e o secretário, o vice-prefeito Nilson Probst, a secretária adjunta e alguns vereadores – junto com direção do hospital. 

Lá eu conversei com servidores, temos que conversar com eles… toda vez que vou sou muito bem recebida, eles trazem apontamentos. Foi uma visita muito positiva, nos colocamos à disposição. Eu cobrei que haja melhoria na comunicação interna do Ruth, da Viva Rio com funcionários. 

O secretário também conversou comigo sobre os investimentos na estrutura do Ruth, vai ter reunião para falarmos do projeto na ampliação da maternidade, entendi que querem começar neste ano ainda. Foi uma reunião positiva, atenderam pedidos, e todos os vereadores sanaram suas dúvidas, agradeço a presença deles no encontro, que foi muito importante”.

Com a palavra, os vereadores

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O jornal ouviu dois dos vereadores que vêm acompanhando de perto a situação do hospital, Marcelo Achutti e Ricardinho da Saúde:

Marcelo Achutti – “Falei que falta acolhimento, falei o que tinha que falar, falei que sou fã do trabalho deles, que a secretária adjunta entende de saúde, mas que falta acolher o servidor. Foi bem calmo, não houve discussão. A vinda foi para estancar o que estava complicado. No geral, os vereadores têm as mesmas opiniões, pela necessidade de acolhimento ao servidor, porque tem que ter gestão, apoio ao paciente. 

Eles [Governo de SC] negam que falta insumos, mas lá no Ruth eu ouvi coisas diferentes. Disseram que salários tem problemas, porque não entregaram documentação, então não poderiam nem estar trabalhando, né? Mas estão… Com esse barulho, esperamos que as coisas se normalizem, acredito que deve dar uma melhorada. No geral, a reunião foi boa, e eles sentiram a situação”.

Ricardinho da Saúde – “A reunião foi bem positiva, pontuamos a questão do piso salarial, o acolhimento que está faltando aos profissionais, a falta de comunicação… tinha a questão dos insumos também, e explicaram o que eu sei que acontece. Eu atuei mais de 10 anos no Ruth e sei que, por exemplo, não tem soro de 500, então usa-se dois de 250, e assim por diante. É o improviso que, às vezes, faz parte. 

A Comissão de Saúde não quis ir terça (13) no hospital, mas eu fui. Os funcionários pedem ajuda, choram, estão muito fragilizados e precisa de um maior acolhimento, sim. Ontem na Clínica Médica eu presenciei 31 pacientes para 3 técnicos de enfermagem. Falaram que vão rever a situação. Citaram que muitas pessoas pediram a conta, que estão buscando contratar mais. 

Sobre salário – dizem que o piso vai ser pago. Foi falado que estão em cima e acompanhando tudo o que acontece, mas eu entendo que eles precisam andar pelo hospital (a Viva Rio). Todos estão fragilizados, não deixaram de trabalhar e não receberam seus salários, isso é complicado. Falaram também que vai ter uma comissão do Estado que vai estar lá com a Viva Rio. Acredito que deve melhorar agora depois da reunião, achei que foi bem positivo. Eles entendem que o Ruth é um desafio. Acredito que vai melhorar até fevereiro, e vamos continuar fiscalizando”.

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