O tempo, angústia de quem vive. O tempo senhor nosso. O tempo correndo inexoravelmente. O tempo nos empurrando para a finitude, angústia maior do humano, animal que sabe que vai morrer.
A infância é uma época em que o tempo é vasto, a sensação é de que demora a passar. De repente, a idade adulta, os deveres, os filhos, o trabalho, os amores, os casamentos, numa roda viva onde não há espaço para aflições com a passagem do tempo. O relógio serve para apontar que se está sempre em atraso, com os horários, o médico, o trabalho, pegar criança na escola, os boletos, as tarefas, um turbilhão de afazeres, deveres, prazeres, diversões, tudo neste giro da roda.
De repente, o silêncio, não tem mais gritos de criança, não tem mais aquele monte de amigos dentro de casa, não tem mais formaturas, não tem as noites em claro esperando, agora tudo é tranquilidade, é saudade, é a doce tristeza apertando de leve o peito.
O tempo se faz presente, urge qualificar os momentos, as horas, porque a vida vai se esvaindo pelos dedos, na ordem natural das coisas. O novo, que ainda temos a aprender e, neste novo aprender, o encontro com a própria verdade. A consciência possibilita a paz e a harmonia interna, nossos tesouros para um caminhar menos angustiante e mais profundo rumo ao nosso destino, – a finitude.
Salvador Dali, expressou bem a transitoriedade da vida com seus relógios derretidos, sua obra surrealista e icônica, “A persistência da Memória”, mostrando que o tempo diante da eternidade perde sua rigidez e importância. Gustavo Klimt, com “Morte e Vida”, expõe as fases da vida, sua dualidade e fragilidade. Frida Kahlo em suas circunstâncias trágicas conviveu longo tempo com a possibilidade da morte e refletiu na sua arte, suas dores e o seu fim. Vincent Van Gogh, também exprimiu seu medo da morte retratando um esqueleto fumando; Edvard Munch, famoso por suas telas enfocando o medo e o luto, pela morte da irmã.
Hoje, na arte, o tema é abordado pelo milionário artista inglês, Damian Hirst, causando inquietação com sua obra: um tubarão-tigre de 4 metros imerso em formol numa caixa de vidro: “A impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo” (1991), o título, gera questionamentos e ansiedade na sensação de proximidade e distanciamento com o animal, que parece estar vivo. O tubarão de Hirst simula a vida e nos coloca frente a frente com a morte, nos aterroriza e nos inquieta. Apesar do formol, o animal teve que ser substituído, vencido pela morte mesmo assim, avaliado em 12 milhões de dólares em 2005.

