Dia Municipal da Democracia será lembrado com exibição de documentário sobre Higino João Pio

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Balneário Camboriú celebrou, nesta terça-feira (5), o Dia Municipal da Democracia, data instituída em memória do ex-prefeito Higino João Pio, morto sob custódia do Estado brasileiro durante a ditadura militar. 

Para marcar a ocasião, o mandato do vereador Eduardo Zanatta (PT) promoverá, nesta quinta-feira (5), às 19h, na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, a exibição do documentário Higino Pio – Verdade Revelada, em sessão aberta ao público.

A data foi instituída pela Lei Ordinária nº 5.044/2025, de autoria do vereador Eduardo Zanatta (PT), e passa a integrar o calendário oficial do município. 

O vereador Zanatta, autor da lei que instituiu o Dia Municipal da Democracia (Divulgação)

A lei estabelece como objetivos a defesa da manutenção do regime democrático e o fomento à difusão de seus valores.

Para o vereador, a iniciativa busca consolidar a memória histórica da cidade. 

“Balneário Camboriú teve seu primeiro prefeito eleito morto pelo Estado brasileiro. Esse é um fato que precisa ser dito com todas as letras. O Dia Municipal da Democracia é para mostrar que a cidade não trata esse episódio como algo menor ou controverso. Houve perseguição política, houve violência de Estado, e reconhecer isso é parte da defesa da democracia”, afirma.

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Saiba mais sobre o documentário

Reprodução

Primeiro prefeito eleito do município, em 1965, Higino Pio foi levado por agentes da Polícia Federal em fevereiro de 1969 para prestar depoimento no 5º Distrito Naval, em Florianópolis. Permaneceu sob custódia até 3 de março daquele ano, quando foi comunicada sua morte na prisão, à época registrada como suicídio.

Décadas depois, o caso foi reaberto por familiares junto à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. As investigações conduzidas pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Estadual da Verdade, concluídas em 2014, apontaram a responsabilidade do Estado brasileiro. Recentemente, por determinação do Conselho Nacional de Justiça, a certidão de óbito foi retificada para constar que a morte foi “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.

Dirigido por Antônio Robson Dias, o documentário aborda a vida e a morte do primeiro prefeito eleito pelo povo em Balneário Camboriú, trazendo depoimentos de pessoas próximas ao ex-prefeito e revelações sobre o caso. 

A produção é assinada por Dagma Castro, com fotografia de Diogo Ramos e Thiago Dias, e edição e montagem de Antônio Robson Dias e Thiago Dias.

Após a exibição, haverá bate-papo com a equipe de produção, aberto ao público.

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