Mulheres pintoras de Santa Catarina

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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A história das mulheres pintoras de Santa Catarina é recente, inicia nos anos 70/80 com VALDA COSTA (1951) referência da arte catarina. Florianopolitana nascida no Morro da Coloninha, viveu no Morro do Mocotó, de origem humilde trabalhava como cabelereira e auxiliar de enfermagem, para criar seus 6 filhos. Autodidata, criou seu universo pictórico com fortes cores, figuras alongadas, com um olhar próprio sobre o cotidiano da cidade. Expos sua arte no Brasil e no exterior. Ingressou no mundo das artes através de Martinho de Haro de quem foi aprendiz. Foi comparada com Di Cavalcanti. Conviveu com outros artistas: Vera Sabino, Janga, Meyer Filho.  Vivendo em extrema pobreza morreu aos 42 anos, vítima de Aids, sem o devido reconhecimento. Em 2016 os alunos do Campus da UFSC, promoveram exposição de suas obras, além de outras exposições pos mortem, sua obra foi também foi tema de tese de doutorado.

ELI HEIL, (1927-2017) autodidata iniciou sua produção em 1962, foi pintora, desenhista, ceramista, escultora, tapeceira e poeta. Nascida na Palhoça, viveu em Santo Amaro e foi professora de educação física, na Capital. Expôs no Brasil e no exterior. Sua arte é de difícil classificação e na XVI Bienal de São Paulo foi catalogada como “Arte Incomum”. Disse: “A arte para mim é a expulsão dos seres contidos, doloridos, em grandes quantidades, num parto colorido.” Eli usou variados materiais no seu processo de criação, como saltos de sapato, tubos de tinta, canos pvc, e inventou inúmeras técnicas. Em 1994 foi inaugurada a Fundação O Mundo Ovo, de Eli Heil, em Florianópolis.

VERA SABINO, (1949) folclorista catarinense, autodidata, contextualiza sua arte em Florianópolis, onde nasceu. Recebeu o primeiro prêmio de pintura aos 8 anos. Realizou dezenas de exposições, mais de 60, inclusive na França e Estados Unidos, a primeira aos 18 anos. Ganhou inúmeros prêmios pela sua arte. O tema de suas obras remete às histórias que ouvia em criança: “as bruxas de Cascaes, as histórias da ilha, os santos, as igrejas, as flores e as figuras femininas.” A marca registrada de Vera é a técnica que sempre utiliza, com tinta acrílica e Eucatex. Intuitiva e figurativa, sem esboços prévios, cria desenhos direto na tela e usa paninhos no dedo para colorir, mistura poucas tintas criando texturas em cores vibrantes. Uma fusão de elementos, cultura local, abordagem criativa espontânea e uso particular de materiais e ferramentas para suas criações, resultam em Arte.

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