“Só mesmo a Shakira pra me fazer sair de Santa Catarina, para o Rio de Janeiro e enfrentar uma plateia de 2 milhões e meio de pessoas. Ela é uma mulher artista, potência mundial, nossa Diva Latina e merece ser honrada.
Desde que eu soube que Shakira estaria no Todo Mundo no Rio, eu já tive certeza que lá eu estaria.
Eu adoro a Shakira, as músicas dela, a performance, mas principalmente a pessoa que ela é e a referência de artista mulher que ela sempre foi para todas nós.
Muitas pessoas são fãs do início da carreira, eu acompanho o trabalho dela mais de perto há uns 10 anos. Adoro as músicas, letras, as que são em espanhol canto todas (rs).
Isso é tão real que a minha energia de amor pela Shakira foi tão intensa que em meio a milhões de pessoas de vários lugares do mundo que estavam em Copacabana, eu fui entrevistada pelo Jornal Nacional e apareci na Globo e ainda cantei uma música da Shakira para o Brasil inteiro ver (rs).
A Shakira é sim, símbolo de poder, de potência, de sucesso, mas pra mim ela é principalmente símbolo de liberdade, sensibilidade, humanidade, resiliência.
Eu consigo sentir o coração dela quando ouço suas composições, quando assisto seu show, quando leio o que ela escreve.
Eu confesso que li três vezes a carta que ela escreveu para as brasileiras e brasileiros, e chorei as três vezes. Me emociono muito cantando suas músicas, ela fala com verdade, ela expressa o que sente profundamente.
Eu li o agradecimento que ela fez em suas redes sociais depois do show e chorei, claro. Eu me vejo ali, minha sensação é de que fui eu quem escrevi.
Me identifico muito com a mulher artista que ela é, intensa, autêntica, sensível, humana, múltipla.
Sinto que muita gente vê Shakira e a deixa colada na sua fase dos anos 90, eu a vejo e enxergo sua alma. Mulher real de “pés descalços”, que “está aqui”, no momento “solteira”, e em uma época socialmente tão delicada para as mulheres, entendeu que “as mulheres não choram, as mulheres faturam”.
As palavras que ela falou no show sobre as mulheres, as mães, que sustentam lares, que lutam todos os dias, que são valorosas, não foi discurso ensaiado, foi experiência de vida. Os dez mandamentos da Loba que ela lança no telão é sua forma de usar sua visibilidade para empoderar e libertar mulheres.

A parte que mais me emocionou no show, além de vê-la ao vivo, cantando, dançando, com sua potência surreal, ver as divas Anitta, Ivete, Betânia, o Rei Caetano Veloso, foi quando ela lançou no telão essa frase:
“Dizem que a mulher veio da costela de um homem. Mas a verdade é que o primeiro homem nasceu do ventre de uma mulher “.
Eu chorei na hora e choro agora enquanto escrevo.
Ela é Loba, não só pelo arquétipo, mas porque conhece seu poder, exerce o auto amor, exalta suas habilidades e potenciais, levanta outras mulheres, é Latina como nós, tem orgulho de suas origens, não precisa provar nada pra ninguém, ela sabe quem é, é Shakira!”.
*Este artigo de opinião foi escrito por Potyra Najara, atriz, escritora e produtora cultural de Balneário Camboriú.

