A espanhola, Maria de los Remedios Alicia Rodriga Varo y Uranda, nasceu em 1908, ingressou na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em 1930, dando aulas de desenho que aprendera com o pai. Na década de 30 estabeleceu-se em Barcelona e iniciando-se surrealista uniu-se a artistas de vanguarda que haviam criado o grupo “Logicofobistas”. Pretendiam unir a arte e a metafísica em desafio à razão e à lógica. Com a Guerra Civil espanhola foi para Paris e entrou no exclusivo círculo do surrealista André Breton, participando de várias exposições. No início da I Guerra fugiu para a Cidade do México, onde trabalhou como publicitária, desenhista e restauradora.
Após essa fase Remedios passou a explorar temas de psicanálise, o mundo onírico, o feminismo, espiritualidade e esoterismo, e elementos simbólicos, inspirada em suas leituras e no pensamento de Freud e Jung. Sua obra de 1961, “Mulher Saindo do Psicanalista”, (Museu de Arte Moderna da Cidade do Mexico) mostra uma figura feminina, com vários olhos, coberta por um véu, saindo de um ambiente, onde estão as letras DR.FJA, significando Freud, Jung e Adler. Carrega objetos simbólicos: um cestinho com uma chave, na outra mão uma cabeça e um poço, sugerindo a jornada em busca de autoconhecimento.
Remedios se interessava por ciência, psicanálise, espiritualidade. Nos anos 60 encontrou a filosofia de George Gurdjieff, guru armeno que pregava o despertar da consciência e Varo aproveitou esses conceitos nas de suas obras, com o intuito de despertar gatilhos psicológicos nos expectadores, daí a obra Mulher Saindo do Psicanalista.
A Caçadora de Estrelas, cujo título não se refere a uma obra só, mas a um conceito do imaginário varoniano, pintora de personagens femininas em locais místicos, muitas vezes cientistas, alquimistas ou viajantes do cosmos em busca de conhecimento oculto, daí seu apelido de: ‘la cazadora de astros’. Sintetiza sua personalidade de artista exilada, feminista, espiritualista que buscava nos símbolos da ciência, magia e do cosmos uma forma de narrar sua vida interior.
André Breton referiu-se a ela como “uma feiticeira do surrealismo”. Diego Rivera disse que ela era uma das três mulheres pintoras mais importantes do México. Remedios deixou mais de 500 obras. Morreu de infarto precocemente em 1963, dentro de um taxi.
É reverenciada no Mexico. Tem obras no MOMA em NY e no Reina Sofia em Madri. Foi tema de várias exposições e publicações em 2025, referenciada como um dos grandes nomes do surrealismo.

