Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque, nasceu 1897-1976 e morreu no Rio de Janeiro. Na infância, passou tempos com sua tia, casada com José do Patrocínio e convivendo com artistas e intelectuais como Olavo Bilac, Machado de Assis e Joaquim Nabuco. Essas influências, certamente, forjaram o menino na sua intelectualidade e prazer pelas artes.
Em sua juventude mudou-se para São Paulo, onde fazia Direito ao tempo que trabalhava no Estado de S. Paulo como revisor e caricaturista, e em 1917 realizou a primeira mostra individual.
Foi um dos idealizadores da Semana da Arte Moderna de 1922 – sugestão do artista. Criou a capa do catálogo e expôs, nesta, 11 trabalhos sob certa tendencia simbolista e impressionista. Integrou-se aos círculos intelectuais paulistas junto com Mario e Oswald de Andrade e Anita Malfatti.
Após a Semana de 22, abandonou o Direito e foi para Paris como correspondente do Correio da Manhã, que logo foi fechado, e Di desempregado, o que não o impediu de fazer amigos com artistas. Entre os pintores, ficou próximo de Picasso, Braque, Léger e Matisse. Depois, na Itália, descobriu as cores de Ticiano e a força de Michelangelo. Nesta década de Europa, expôs em Londres, Bruxelas, Amsterdam, Berlim, Lisboa e Paris.
Di Cavalcanti, era autodidata, um artista eclético, não estava engessado por um estilo único. Picasso o impressionou profundamente e desta influência alcançou originalidade para pintar as nossas brasilidades. Influenciado pelo cubismo e expressionismo europeu focou no nosso Brasil mestiço e na nossa música. De 1935-40, viveu em Paris, novamente, na companhia de sua mulher, também pintora, Noemia Mourão. Desabrochou nos anos 40 tornando-se um dos mais notáveis pintores brasileiros gerados pelo Modernismo.
Em sessenta anos de trabalho, Di Cavalcanti, empreendeu múltiplas obras como desenhista, pintor, muralista, cenógrafo, escritor e poeta. Eleito o melhor pintor brasileiro do século XX. Recebeu prêmios internacionais e tem obras espalhadas por museus no exterior.
Di Cavalcanti, em sua jornada, sensível às desigualdades sociais, tornou-se militante comunista, o que o levou a perseguições e prisões na Era Vargas e depois na Ditadura Militar dos anos 60. Acreditava numa arte humana e engajada ideologicamente. Essa concepção humanista vislumbrei ao apreciar sua arte, na minha última experiência, ao visitar novamente o Museu de Arte Contemporânea da USP, SP e lá usufruir de suas várias obras e perceber seu amor pelo povo brasileiro, e seu desejo de igualdade social. É uma luta que continua.
