BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, concorrerá à Vice-Presidência da República para ampliar o poder de barganha do partido em um possível segundo turno da eleição, dizem aliados. A intenção da sigla é transformar a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência numa iniciativa de caráter partidário, e não mais um projeto individual do ex-governador de Goiás, recém-chegado na sigla.
Kassab foi oficializado como vice da chapa do PSD nesta quarta-feira (1º), num evento em Brasília. Ao dar um caráter institucional à candidatura do partido, espera-se uma maior participação da cúpula da sigla na campanha, encarecendo um eventual apoio da chapa a Flávio Bolsonaro (PL), hoje favorito para disputar o segundo turno contra o presidente Lula (PT).
Antes da chegada de Kassab, esperava-se uma adesão automática de Caiado a Flávio numa segunda etapa contra Lula. Isso incomodou algumas lideranças da legenda. O PSD avalia que, agora, a posição precisará, no mínimo, ser rediscutida com Kassab.
A expectativa de aliados é que Kassab abra caminho para que um apoio do PSD seja correspondido com espaços, como ministérios, num eventual governo de Flávio. Além disso, pode entrar na demanda o apoio do PL ao partido em espaços relevantes também no Congresso Nacional.
A aposta é que Caiado não poderá ignorar o presidente da sigla, agora seu vice, para anunciar uma posição, uma vez que foi Kassab quem abriu as portas do partido quando o ex-governador de Goiás foi rifado da disputa nacional pelo União Brasil.
Além disso, Kassab dedicará parte do fundo eleitoral à candidatura presidencial. A verba é considerada crucial para o principal objetivo do PSD, que é aumentar sua bancada de deputados para a casa das 65 cadeiras. Espera-se, no mínimo, um investimento de R$ 30 milhões.
Aliados dizem que, num primeiro momento, Kassab deve ter uma atuação mais intensa para aproximar Caiado dos prefeitos e governadores do PSD. O partido é o que mais elegeu gestores municipais no último pleito, quase 900, e tem seis representantes na gestão de estados.
Essa ação tem dois objetivos. Primeiro, oferecer uma fuga da polarização aos candidatos do PSD que não contam com apoio de Lula ou de Flávio. É o caso do Paraná, onde Sandro Alex (PSD) disputa contra Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), apoiados por Flávio e Lula, respectivamente.
Nesses casos, a expectativa no PSD é que a candidatura de Caiado seja um escudo contra a pressão por apoio a Lula em estados tradicionalmente de esquerda ou a Flávio em unidades da federação com tendência de voto conservador. Esses candidatos poderão argumentar que seu partido possui candidato próprio à Presidência, para evitar perder votos bolsonaristas ou lulistas.
Por outro lado, o partido pretende impulsionar Caiado, que pontuou 3% na última pesquisa Datafolha, para que ele encerre o primeiro turno com pelo menos 5%.
A avaliação é a de que ele poderá avançar a partir dos debates, apresentando-se, ao mesmo tempo, como um candidato de terceira via e como uma alternativa de direita, com estilo combativo, enquanto Flávio faz um esforço para parecer mais moderado. Os números da segurança pública de Goiás também são considerados um trunfo.
Apesar disso, não há expectativa no PSD de que Caiado possa decolar e chegar ao segundo turno, exceto em caso de novos escândalos envolvendo Flávio.
Ao anunciar Kassab como vice, Caiado fez um apelo aos eleitores de direita para não votarem em Flávio. “Se chegarmos ao segundo turno, teremos os votos dos independentes e vamos derrotar Lula. Chegando ao segundo turno, aglutinaremos todas as forças deste país para devolver o Brasil aos brasileiros de bem.”
Caiado completou: “Se Flávio chegar ao segundo turno, é tudo que Lula quer, e teremos o PT governando o país por mais quatro anos”.
Hoje, um apoio institucional do PSD a Lula é considerado um cenário muito improvável. A avaliação é que o partido tem pouco ou nada a ganhar com isso, pois uma ala da legenda já está fazendo campanha para o petista e tende a ser contemplada com cargos e ministérios num eventual quarto mandato do atual presidente da República.

