Acordo com o Irã acabou, diz Trump após novos ataques

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o acordo de cessar-fogo entre seu país e o Irã “acabou”, atribuindo a culpa aos ataques retaliatórios da teocracia contra alvos americanos em países do golfo Pérsico.

A retomada das hostilidades no Oriente Médio levou tensão ao mercado, com um aumento no preço do petróleo referencial Brent, colaborando com a queda nas Bolsas da Ásia e da Europa.

“No que me diz respeito, é só uma perda de tempo lidar com eles [iranianos]. Eles são mentirosos, há algo errado com eles. Eles são loucos. Até onde sei, acabou [o acordo]”, disse o americano ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante a cúpula da aliança militar ocidental em Ancara (Turquia).

Depois, afirmou que poderá bombardear novamente “com bastante força” o país persa “nesta noite”. Ainda mais tarde, em entrevista coletiva, ele disse que “não podemos ter lunáticos com armas nucleares” ao ser questionado acerca do próximo passo. Também afirmou que não esperava a volta de uma guerra ampla.

Fiel a seu estilo, Trump disse também que ainda poderá negociar. “Eu vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar, são boas pessoas, [os enviados americanos] Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles têm de falar comigo”, completou, classificando de todo modo os rivais de “doentes”, “perversos” e “violentos”.

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Na entrevista, o republicano afirmou que a guerra até aqui “foi um tremendo sucesso militar”. “Eu fui lá por uma razão, que é impedir que o Irã tenha uma arma nuclear”, afirmou, ignorando as diversas outras razões já alegadas para o conflito.

Ao citar a liderança morta da teocracia, confundindo o chefe supremo Ali Khamenei com seu antecessor, Ruhollah Khomeini, ele afirmou que “eu também posso ser morto, sou um alvo”. Disse haver uma “chance de 5,2%” de ele ser assassinado, mas negou que voltaria aos EUA em um avião porque seu Air Force One interino não seria seguro. Segundo ele, a aeronave será “exibida em algumas bases na Europa”

A escalada da tensão ocorreu após uma nova rodada de violência entre os rivais, que haviam assinado uma trégua de 60 dias a partir de 17 de junho. O Irã atingiu nesta semana três petroleiros que cruzaram o estreito de Hormuz, violando a promessa de manter a navegação livre na estratégica região.

Na noite de terça (7) para quarta, os americanos responderam com o mais duro bombardeio desde a implementação do chamado memorando de entendimento com Teerã. O acordo pôs um fim temporário à guerra lançada pelos EUA e Israel contra a teocracia, que durou cinco semanas a partir do fim de fevereiro.

Foram alvejados 60 alvos em regiões costeiras associadas às atividades militares do Irã no estreito. Como resposta, a Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra instalações americanas no Bahrein e no Irã.

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Segundo a unidade de elite iraniana, foram alvejadas no Bahrein bases dos EUA em Bandar Salman e o Quinto Distrito Naval americano. No Kuwait, o foco foi a base Ali al Salem. Um drone MQ-9 Reaper americano foi derrubado, segundo os iranianos.

Os países do golfo Pérsico foram o alvo mais vistoso da campanha retaliatória iraniana durante a guerra, dado que as ações contra Israel foram compartilhadas por Teerã com seus aliados do Hezbollah libanês, o que levou a ataques pesados de Tel Aviv contra o vizinho árabe.

Agora, o governo de Binyamin Netanyahu ocupa uma faixa no sul libanês e, para formalizar essa presença, assinou um memorando com o governo de Beirute, que também quer ver o Hezbollah desarmado.

Em Ancara, a Otan foi solidária a Trump, apesar das repetidas críticas do americano à aliança. O holandês Rutte, sempre ávido para agradar o principal dos 32 integrantes da organização, disse que os ataques foram “absolutamente necessários”.

“Ao ter um cessar-fogo e o Irã está basicamente violando o cessar-fogo, acho totalmente crucial que os EUA reajam com força”, disse. Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, lamentou que os ataques de lado a lado dificultem a normalização da situação no Oriente Médio.

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Do lado iraniano, a posição é de desafio. Segundo a chancelaria do país, o acordo com os EUA não está valendo. Ela se queixou não só dos ataques, mas da continuidade das ações de Israel no Líbano e da decisão americana de revogar a licença temporária para a venda de petróleo do Irã, parte do memorando.

“A responsabilidade pelas perigosas consequências desta escalada de tensões é do regime renegado americano”, afirmou a pasta, em nota.

Os termos foram repetidos pelo principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Baghaer Ghalibaf. “A era de intimidação e extorsão acabou”, disse em uma publicação no X em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, o líder supremo do país morto no primeiro dia da guerra. “Não vamos ceder.”

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