Sandy Goularte *
Diógenes de Sínope foi um filósofo grego, conhecido por andar com uma lanterna acesa durante o dia à procura de um homem honesto.
Tal como ele, continuamos a percorrer os caminhos com lanternas acesas, mesmo sob a claridade do sol. No entanto, ao contrário do filósofo cínico, nossa busca não é por um homem bom ou confiável.
Acendemos a lanterna, para clarear os caminhos daqueles que encontramos tateando no escuro. Para mostrar rotas menos tortuosas, aos que insistem em trilhar caminhos inóspitos, desviando-se de seus próprios propósitos. Ou ainda, buscamos iluminar mentes obscurecidas pela descrença no ser humano, para despertar em cada um, a urgência de ser a mudança que tanto bradamos querer ver no mundo. Estamos carentes dessa luz!
Para muitos, ela passará despercebida; para outros, parecerá um manifesto de loucura. Mas, ao descobrirem sua origem e propósito, certamente todos desejarão possuí-la.
O mero desejo, contudo, não basta para alcançá-la. Poucos serão os eleitos a carregar tal dádiva. Para obtê-la, é preciso herdar o legado de ancestrais que cumpriram as etapas necessárias para a conquista desse privilégio. E essa conquista não pode ter ocorrido baseada na fome de poder, ou, realizada com o uso da força, e, menos ainda pela ganância. Muito pelo contrário: somente aqueles que agiram com retidão, diante das intempéries da vida; que não se deixaram contaminar por atos ou crenças mesquinhas, e que se mantiveram firmes, promovendo a solidariedade e direcionando esforços para a preservação das espécies e do planeta, é que receberam a centelha dessa chama imortal.
E assim, ao desvendarmos o que parece ser um enigma, notaremos que essa luz poderosa, que atravessa o tempo e o espaço e possui o poder de transformar vidas, nada mais é do que a força interior transbordando e alastrando-se entre os povos, perpetuando o bem e a sobrevivência da humanidade.
* Sandy Goularte é aluna da Escola de Criação Literária, da Academia de Letras de Balneário Camboriú.

