PT resgata livro em que Moro diz que Bolsonaro protegeu Flávio no caso da ‘rachadinha’

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Agora pré-candidato ao Governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiou o desmonte do combate à corrupção para proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa e outras críticas constam no livro “Contra o Sistema da Corrupção”, escrito pelo ex-juiz da Lava Jato.

A obra foi lançada em dezembro de 2021 como parte do projeto de candidatura presidencial de Moro, que acabou abortado meses depois. Após quase cinco anos, o livro sobre sua passagem pelo governo Bolsonaro será usado pelo PT para apontar o que o partido considera uma incoerência do senador paranaense.

Adversário do ex-magistrado na corrida pelo Governo do Paraná, Requião Filho (PDT) pretende resgatar os relatos no discurso de campanha. “Moro nunca teve coerência. Ele não faz o que fala e, agora, ficou ainda mais claro: sequer assina embaixo do que ele mesmo escreve”, disse à Folha.

O ex-juiz da Lava Jato abandonou a magistratura em 2018 para se tornar ministro da Justiça do então presidente, com quem rompeu em 2020, ao pedir demissão do governo.

Num trecho, Moro fala sobre o embate com Bolsonaro sobre o pacote anticrime. Quando o projeto foi aprovado pelo Congresso, parlamentares criaram a figura do juiz das garantias. O então ministro da Justiça queria que Bolsonaro vetasse, mas o presidente sancionou.

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Moro escreveu que a sanção de Bolsonaro ao juiz das garantias desfez suas “ilusões quanto ao real compromisso dele com o combate ao crime e à corrupção”. O ex-juiz disse que “o compromisso do presidente com a agenda anticorrupção, ou mesmo com o combate ao crime em geral, não era dos mais firmes ou coerentes, para dizer o mínimo”.

Na época, o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, paralisou a apuração contra Flávio Bolsonaro no caso da rachadinha. A decisão suspendeu investigações criminais em todo o país baseadas em dados obtidos, sem autorização judicial, de órgãos de controle como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Moro criticou o governo Bolsonaro por não ter agido contra a decisão de Toffoli. “Não se poderia admitir a destruição do sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro com o propósito de salvar da lei o filho de alguém, mesmo sendo ele o filho do presidente da República”, escreveu.

Em outros trechos, Moro descreveu o alívio do governo com a medida: “A decisão favorável a [Fabrício] Queiroz e Flávio Bolsonaro, embora comemorada no Planalto, era temerária para o país. […] O Planalto também pressionou para que o presidente do Coaf fosse substituído, mas isso eu só soube tempos depois”.

O ex-juiz da Lava Jato ainda fez reclamações sobre o cancelamento da transferência de lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) para presídios federais. A medida fazia parte do pacote do então ministro para desarticular as facções criminosas, mas foi cancelada.

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“O bolsonarismo nunca combateu facções criminosas, e quem comprova isso é Sergio Moro”, disse o presidente do PT do Paraná, o deputado estadual Arilson Chiorato.

Questionado se mantém o que escreveu, Moro tratou as próprias palavras como fruto de divergências que “estão no passado”. Para o ex-juiz, a nova aliança com o bolsonarismo é válida para derrotar o presidente Lula (PT), por considerar que um novo governo petista aprofundará a crise da segurança.

“Em 2022, mesmo sem ter tido o apoio de Bolsonaro para a eleição ao Senado, aceitei o convite dele para acompanhá-lo nos debates presidenciais contra o Lula. Nos últimos quatro anos sempre estive com o PL na oposição ao governo Lula”, disse Moro em nota.

Ele completou: “Flávio Bolsonaro é o único candidato com condições de derrotar o projeto presidencial do PT. Mais quatro anos do PT nos levarão a uma crise fiscal, ao domínio do crime organizado e ao aprofundamento e disseminação da corrupção. O país não aguenta. Divergências do passado não impedem a construção do futuro”.

Em um artigo na Folha de S.Paulo em 2022, Flávio Bolsonaro criticou Moro. O senador colocava na conta do ex-juiz a decisão do STF de soltar o presidente Lula.

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“Era só Moro ter cumprido a lei que a Suprema Corte não seria obrigada a reconhecer seus abusos de autoridade e suas combinações nefastas e ilegais com integrantes do Ministério Público Federal e do Coaf, que levaram à anulação dos processos em que julgou Lula”, escreveu Flávio em fevereiro de 2022.

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