Pesca da tainha em Balneário Camboriú termina com uma das maiores safras já registradas

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A temporada da pesca artesanal da tainha termina nesta sexta-feira (31) em Balneário Camboriú com um sentimento de comemoração entre os pescadores. 

Considerada por quem vive do mar como uma das maiores safras da história recente, a temporada registrou cerca de 80 mil tainhas capturadas no município. Segundo a Associação de Pescadores de Arrasto de Praia de Balneário Camboriú, foram mais de 30 mil em Taquaras, entre 20 mil e 25 mil no Estaleirinho, cerca de sete mil no Estaleiro, Praia do Pinho aproximadamente cinco mil peixes, Praia Central cerca de três mil e Laranjeiras entre cinco e sete mil tainhas, um aumento superior a 400% em comparação ao ano passado, quando foram pescados aproximadamente 15 mil peixes.

Em Taquaras, principal ponto da pesca de arrasto de praia na cidade, o resultado foi muito expressivo. Segundo o pescador Jair Euflorzino, filho do também pescador Eládio Euflorzino, que completa 80 anos no domingo (2), foram cerca de 35 mil tainhas capturadas apenas na praia, o equivalente a aproximadamente 55 toneladas de peixe. 

Crédito: Nóix é da Barra/Alex Ramos

“Eu tenho 56 anos e nunca vi um ano com tanto peixe. Foi muito peixe mesmo. Vai ficar na história dos pescadores e de Balneário Camboriú. Foi um ano histórico para a pesca de arrasto”, afirmou Jair.

Jair disse que, além da grande quantidade de tainhas, outro diferencial desta temporada foi a distribuição dos cardumes ao longo do litoral catarinense. 

“Foi um ano muito distribuído. O frio começou mais cedo, ainda em abril, e também não tivemos aquelas tempestades que costumam atrapalhar. O peixe veio costeando, batendo em todas as praias, desde o Sul de Santa Catarina, passando por Florianópolis, Bombinhas, até chegar aqui”, explicou.

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O maior lanço registrado no Estado aconteceu em Itapirubá Norte, em Imbituba. No dia 24 de maio, um único cerco realizado no Rancho do Leno e Adenir capturou cerca de 70 toneladas de tainha, o equivalente a mais de 48 mil peixes em apenas uma puxada, considerado um dos maiores registros em Santa Catarina.

Cota foi ampliada e ajudou pescadores

Crédito Nóix é da Barra/Alex Ramos

Apesar da excelente safra, a temporada também enfrentou a limitação da cota federal para a captura da espécie. Segundo Jair, quando o limite inicial foi atingido, muitos cardumes ainda estavam passando pela costa catarinense. 

“A sorte foi que depois liberaram uma cota extra, e isso ajudou bastante. Senão, muito peixe teria passado sem poder ser pescado”, comentou.

Safra farta também reduziu o preço

Com a grande oferta, o consumidor também foi beneficiado. Jair explica que a abundância refletiu diretamente no preço da tainha. 

“Quando tem bastante peixe, todo mundo consegue comprar mais barato. Teve tainha menor sendo vendida por R$ 5 e as maiores variando entre R$ 15 e R$ 20”.

Segundo ele, praticamente todos os pescadores conseguiram ter um bom resultado financeiro nesta temporada. 

“Todo mundo faturou. Estamos felizes. A pesca é sempre uma surpresa, pode ser melhor ou pior, porque depende da natureza”.

Natureza continua dando as cartas

Mesmo após uma temporada histórica, Jair lembra que não existe garantia para o próximo ano. Segundo ele, diversos fatores naturais influenciam a chegada dos cardumes.

“Depende muito da produção dos filhotes na Lagoa dos Patos, da mistura entre água doce e salgada, das marés, dos ventos e do clima, que empurra o peixe para onde a natureza mandar”.

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Ainda assim, o sentimento entre os pescadores é de gratidão e esperança. 

“Este ano é para marcar no calendário. Foi histórico. Mas a nossa fé é sempre de que o próximo possa ser ainda melhor. Deus sabe o que faz, e agora aguardamos a surpresa da próxima temporada”, completa.

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