Pesquisa da Udesc Balneário Camboriú simula vazamentos de petróleo para reduzir danos ambientais

Experimentos utilizam jatos d'água sob pressão como alternativa ecológica aos dispersantes químicos

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Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) estão liderando uma pesquisa que pode contribuir para tornar mais eficazes e sustentáveis as ações de combate a vazamentos de petróleo no oceano.

Desenvolvido no Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi), em Balneário Camboriú, o estudo investiga o uso de jatos d’água de alta pressão para dispersar petróleo no mar sem a utilização de produtos químicos.

A iniciativa integra o projeto Subjet, realizado pela Udesc em parceria com a Petrobras, e busca gerar conhecimento científico para apoiar respostas rápidas a acidentes ambientais envolvendo derramamento de óleo.

A pesquisa conta com investimento de R$ 13 milhões e seguirá até janeiro de 2027.

Coordenado pelo professor Luiz Adolfo Hegele Júnior, do Departamento de Engenharia de Petróleo da Udesc Balneário Camboriú, o trabalho avalia uma alternativa aos dispersantes químicos tradicionalmente utilizados em emergências ambientais. Enquanto esses produtos quebram o óleo em pequenas partículas, também podem aumentar a dispersão de compostos tóxicos na água.

Professor Hegele coordena os trabalhos (Divulgação)
Professor Hegele coordena os trabalhos (Divulgação)

“Nosso estudo busca demonstrar que o impacto mecânico pode ser uma alternativa viável ao uso do dispersante. Não queremos acabar com um problema ambiental acrescentando outro químico à água”, explica Hegele.

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A pesquisa ganhou relevância em um cenário global marcado por grandes acidentes ambientais, como o vazamento da plataforma Deepwater Horizon, em 2010, no Golfo do México. A partir desse e de outros episódios, cresce a busca por tecnologias capazes de minimizar os impactos ambientais das operações de resposta.

Cooperação Brasil-Noruega

Pesquisadores do Subjet e do instituto norueguês SINTEF Ocean. (Divulgação)
Pesquisadores do Subjet e do instituto norueguês SINTEF Ocean. (Divulgação)

O projeto conta com a colaboração do SINTEF Ocean, instituto norueguês reconhecido internacionalmente pelas pesquisas sobre comportamento do petróleo no ambiente marinho. Os experimentos realizados na Noruega fornecem dados para validar modelos computacionais desenvolvidos no Brasil, capazes de prever a dinâmica das gotículas de óleo após a dispersão mecânica.

A equipe utiliza o Método Reticulado de Boltzmann (LBM), uma das principais ferramentas computacionais para modelagem de fluidos complexos. Os pesquisadores buscam determinar parâmetros como volume, pressão e alcance dos jatos necessários para promover a dispersão eficiente do petróleo abaixo da superfície do mar.

Tecnologia adaptada às condições brasileiras

Pesquisadores do Subjet na Udesc Balneário Camboriú. (Crédito: Heloíse Guesser)
Pesquisadores do Subjet na Udesc Balneário Camboriú. (Crédito: Heloíse Guesser)

Embora utilize dados experimentais internacionais, a pesquisa desenvolvida pela Udesc está sendo ajustada às características do litoral brasileiro. Para isso, os pesquisadores incorporam informações sobre correntes marítimas, ventos, temperatura da água e propriedades dos diferentes tipos de petróleo produzidos no Brasil.

Segundo Hegele, compreender essas particularidades é fundamental para que os modelos representem com maior precisão as condições encontradas na costa brasileira e nas áreas de exploração offshore do país.

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Formação de especialistas e transferência de tecnologia

O Subjet projeto promove intercâmbio de conhecimento entre Brasil e Noruega e fortalece a infraestrutura de pesquisa nacional. Laboratórios da Udesc estão recebendo equipamentos de alta tecnologia para análise do comportamento de gotículas de petróleo em condições controladas.

Atualmente, o projeto reúne 25 pesquisadores e financia bolsas de iniciação científica, atividades de pós-doutorado e a formação de profissionais especializados em resposta a acidentes ambientais ligados à indústria do petróleo.

“Nós somos os técnicos que serão chamados caso alguma tragédia aconteça. Precisamos estar preparados para isso”, destaca Hegele.

Leia a matéria completa no site da Udesc.

Texto produzido por Assessoria Comunicação Udesc

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