O vereador Marcelo Achutti (MDB) cobrou nesta terça-feira (22) que Jair Renan Bolsonaro (PL) se licencie da Câmara de Balneário Camboriú, caso não consiga conciliar o mandato com seus compromissos e afirmou que vai questionar a presença de seguranças armados acompanhando o parlamentar no Legislativo.
As declarações foram feitas ao Página 3 após o plenário rejeitar, por 10 votos a cinco, um requerimento para justificar duas ausências de Jair Renan nas sessões da Câmara.
O episódio provocou bate-boca na sessão, ganhou repercussão nacional e foi tema de um vídeo de opinião do jornalista do Página 3 Waldemar Cezar Neto (veja aqui – https://pagina3.com.br/
Procurado pelo jornal, Achutti voltou a criticar o pedido do colega.

Reprodução/CVBC
“Sou vereador de direita, mas não vou admitir que entregue documento para justificar ausência e ganhar dinheiro da Câmara com desculpa de ter ido visitar o pai, sendo que foi para fazer política [Jair Renan é candidato a deputado federal]”, afirmou.
Achutti associou a cobrança aos cerca de R$ 3 milhões que, segundo ele, Jair Renan recebeu do fundo eleitoral para disputar uma vaga na Câmara Federal.
“Ele que se licencie, já que não tem como trabalhar. Quando eu fui candidato, sendo que eu não recebi R$ 3 milhões, me licenciei para me dedicar exclusivamente à campanha”, disse.
O requerimento rejeitado tratava das ausências na sessão ordinária de quarta-feira (16) e na extraordinária de sexta-feira (18).
Em plenário, Jair Renan afirmou que havia ido visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso.
Achutti questionou a escolha dos dias de sessão para as visitas.
“Vai ver o pai no sábado, no domingo, vai na quinta. Mas ir justamente em dia de sessão?”, declarou.
Cobrança sobre seguranças
Na entrevista, Achutti relatou que o confronto continuou fora do plenário. Disse ter ido atrás de Jair Renan para cobrá-lo e que um dos seguranças do ‘04′ interveio, pedindo: “Deixa disso, vereador”. Segundo Achutti, o colega gritou, o xingou e depois subiu para o gabinete.
Achutti afirmou que pretende buscar esclarecimentos na corregedoria da Polícia Militar sobre a identidade, o vínculo e a atuação dos profissionais que acompanham Jair Renan.
“Vou questionar quem autorizou seguranças armados dentro da Câmara junto com ele. Se estão armados, devem ser policiais, e vou buscar saber se é isso mesmo. Tem dia que tem quatro, tem dia que tem cinco seguranças com ele. Quero saber se trabalham de graça ou se é bico – porque se forem policiais e é bico, é irregular”, disse.
Disputa sobre o mandato
Achutti também contestou o discurso político de Jair Renan e citou o vereador Eduardo Zanatta (PT) como exemplo de parlamentar que pediu licença para se dedicar a outros compromissos.
“Eu defendo minhas pautas de direita e por isso digo: o Eduardo Zanatta, que é do PT, teve mais atitude do que ele”, afirmou.
Ao criticar mudanças de posicionamento do colega em relação a lideranças políticas locais – especificamente a prefeita Juliana Pavan e o deputado Carlos Humberto, Achutti o chamou de “biruta de aeroporto” e disse que pretende retomar as cobranças na tribuna.
“Primeiro ele criticava a Juliana, dizia que ela era de esquerda, e agora está com ela, depois criticava o Carlos Humberto, porque ele [CH] dizia que o irmão do Jair Renan [Carlos Bolsonaro] não deveria vir do Rio de Janeiro se candidatar por Santa Catarina, mas pelo visto isso tudo passou, porque agora ele [Jair Renan] está com o Carlos Humberto. Para mim, ele é um biruta de aeroporto, o que ele fala não tem que nem dar bola”, pontuou, citando ainda que ‘por Deus todo poderoso’ Jair Renan se elegerá e irá para Brasília, onde deverá ser cobrado de forma efetiva por outros deputados federais.
O que Jair Renan disse na sessão
Ao responder às críticas sobre o dinheiro de campanha, Jair Renan afirmou não compreender a relação entre o fundo eleitoral e o pedido de justificativa das faltas.
“Eu não pego fundo eleitoral para fazer bagunça, eu pego para fazer minha campanha e, o que sobrar, eu devolvo. Não sei se o senhor faz alguma bagunça quando recebe”, declarou.
O parlamentar também antecipou que poderá faltar em outras quartas-feiras para visitar o pai, a quem chamou de “preso político”.
As manifestações de Jair Renan em plenário antecedem as declarações de Achutti ao Página 3 sobre os seguranças e o confronto nos bastidores.

