O afastamento de Reginaldo Kaeneêne para tratar um câncer colocou em evidência uma fragilidade da empresa que ele havia criado: a KNN Idiomas dependia demais de seu fundador. Sem um plano de sucessão para uma ausência repentina, a rede teve o crescimento interrompido, segundo o relato do empresário.
Essa experiência atravessa ‘A História de quem decidiu viver’, livro que será lançado na sexta-feira (16), na Livraria Catarinense, no Balneário Shopping, em Balneário Camboriú.
Publicado pela Editora Quatro Ventos, o título chega quatro anos depois da obra em que o autor contou sua trajetória da infância pobre à criação da rede de escolas de idiomas.
Desta vez, o centro da narrativa é o período em que a saúde exigiu uma interrupção na rotina dos negócios e as decisões que vieram depois.
Os primeiros sintomas apareceram no fim de 2022, com uma dor no lado esquerdo do rosto. Segundo o relato divulgado sobre a obra, episódios de paralisia facial e uma sequência de exames antecederam o diagnóstico de câncer nas glândulas salivares em estágio avançado, com metástase.
Kaeneêne conta que passou por uma cirurgia para retirar um nódulo no pescoço no dia seguinte à confirmação da doença. Foram dois meses na UTI, 20 sessões de quimioterapia e 33 de radioterapia. Ao longo do tratamento, perdeu cerca de 20 quilos e enfrentou dificuldades para se alimentar e perda de força física. A rotina ligada ao hospital se estendeu por aproximadamente nove meses.
O retorno ao trabalho, em janeiro de 2024, trouxe uma revisão da estrutura da KNN. Para o empresário, a ausência revelou o limite de uma gestão concentrada em uma única pessoa. “Quando precisei me afastar, percebi que uma empresa não pode depender tanto de uma pessoa, mesmo que seja o fundador”, afirma.
A questão da sucessão dá ao livro uma dimensão que vai além da experiência individual com a doença. No relato de Kaeneêne, preparar a empresa para funcionar durante a ausência de seu principal dirigente deixou de ser uma preocupação distante e passou a ser uma necessidade concreta.
Também mudou a maneira como ele entende a liderança.
O empresário diz que antes mantinha uma divisão rígida entre vida pessoal e profissional e evitava demonstrar fragilidade. Depois do tratamento, passou a dar mais espaço à escuta e às questões emocionais nas relações de trabalho.
“Continuo acreditando em metas e resultados, mas hoje sei que nenhuma estratégia empresarial pode desconsiderar as pessoas e as limitações que fazem parte da vida”, comenta.
A família e a espiritualidade aparecem como outros eixos da narrativa. Kaeneêne relata como filhos e netos reagiram às mudanças em sua aparência e como a fé participou de sua experiência durante o tratamento. A remissão, abordada na obra, é acompanhada de uma reavaliação do tempo dedicado ao trabalho e à convivência familiar.
Essa mudança de perspectiva também marca a diferença entre os dois livros. Se o primeiro se concentrava na construção de uma trajetória empresarial, o novo se volta à presença e à continuidade da vida.
“No primeiro livro, contei uma história sobre vencer. Neste, eu falo sobre permanecer, sobre estar presente e sobre entender o que realmente vale a pena quando o tempo deixa de parecer infinito”, afirma.

