Depois de 12 anos à frente da Afadefi, Evandro Prezzi deixa a presidência: “Não vou abandonar a instituição”

Em entrevista ao Página 3, ele relembra a chegada à associação em busca de atendimento para o filho Gabriel, a construção da sede e o crescimento do paradesporto. A sucessão está em andamento, mas a busca por um micro-ônibus adaptado continuará entre suas prioridades.

- Publicidade -
- Publicidade -

Prefeita Juliana cobra entrega de trechos da orla até dezembro e anuncia obras no Calçadão após a Páscoa

Em entrevista exclusiva ao Página 3, prefeita detalha cobranças às empresas da reurbanização, antecipações do Natal e preparativos para o verão. Réveillon terá uma balsa a mais e segue sem show confirmado

Igreja Luterana de Balneário Camboriú prepara o último Jantar à Italiana do ano

A edição 74 deste tradicional evento gastronômico está marcada para o próximo dia 6

Morreu Carlos Alberto Spinelli

Morreu neste sábado em Balneário Camboriú, aos 75 anos, o radialista Carlos Alberto Spinelli, pioneiro do rádio em Balneário...

Leia também

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Quando chegou a Balneário Camboriú, em 2005, Evandro Prezzi procurava um lugar onde o filho Gabriel pudesse continuar os atendimentos de fisioterapia que recebia no Rio Grande do Sul. Encontrou uma associação que começava a funcionar em uma pequena sala, com cerca de 20 metros quadrados, e passou a acompanhar uma história que se misturaria à de sua família.

Mais de duas décadas depois daquele primeiro contato, e após 12 anos como presidente da Associação de Apoio às Famílias de Deficientes Físicos (Afadefi), Evandro está deixando o cargo. A transição para Cleverson Ferreira Machado, atleta da bocha paralímpica e integrante da entidade há anos, já está em andamento.

Evandro com Cleverson. Foto: Renata Rutes

Em entrevista ao Página 3 nesta semana, Evandro falou sobre o caminho entre ser um pai em busca de atendimento e assumir a responsabilidade por uma instituição que hoje atende gratuitamente cerca de 70 famílias e reúne quase 60 atletas em diferentes modalidades. 

Também destacou o que ainda precisa avançar em Balneário Camboriú para garantir acessibilidade, autonomia e oportunidades às pessoas com deficiência.

A saída da presidência, ele faz questão de esclarecer, não significa afastamento da causa.

“Não vou abandonar a instituição. Está no sangue essa minha questão de ajudar, de estar ajudando pessoas que precisam”, afirma.

- Continue lendo após o anúncio -
Foto da assembleia geral realizada em 15 de outubro. Divulgação/Afadefi

Uma busca por atendimento que se tornou compromisso

A mudança para Santa Catarina aconteceu por uma transferência profissional. Evandro precisava escolher uma cidade para morar e optou por Balneário Camboriú. Gabriel, então com idade entre três e quatro anos, recebia atendimento em Porto Alegre, mas a distância tornou inviável manter aquela rotina.

A família começou a procurar alternativas na região. Evandro lembra que encontrou possibilidades na Apae e na Univali, em Itajaí, mas queria um serviço mais próximo de casa. Foi uma conhecida que já morava em Balneário Camboriú quem lhe contou sobre uma instituição que estava nascendo, voltada às pessoas com deficiência física.

Com um telefone em mãos, ele foi conhecer a Afadefi. A estrutura era pequena e funcionava em uma sala na antiga escola Peart, em frente ao endereço onde a associação está hoje. Naquele momento, o atendimento se concentrava na fisioterapia.

“Cheguei, fizemos o cadastro, fomos um dos primeiros associados da Afadefi”, recorda.

O filho de Evandro, Gabriel, que é paratleta e o motivou a ingressar na Afadefi. Divulgação/Afadefi

Gabriel começou os atendimentos, e Evandro passou a acompanhar o cotidiano da entidade. Ele acredita que sua família esteja hoje entre as mais antigas que permanecem vinculadas aos serviços da associação.

No início, era um pai que levava o filho à fisioterapia. Aos poucos, porém, a proximidade com as necessidades da instituição e com o trabalho de quem a mantinha em funcionamento ampliou seu envolvimento.

- Continue lendo após o anúncio -

Um dos momentos decisivos foi a necessidade de deixar a sala onde tudo havia começado, após a venda da escola. A associação precisava encontrar um lugar para continuar os atendimentos e construir uma estrutura própria.

Evandro destaca a atuação do então presidente, Atalavio Vacari, na mobilização que permitiu conseguir a doação de um terreno e de materiais para a obra. Acompanhando aquele esforço, percebeu que a continuidade do projeto também dependia da participação das famílias.

“Como a gente sabe, a Afadefi é uma ONG sem fins lucrativos. Se não existe envolvimento primeiro das famílias e depois da comunidade, a coisa não funciona”, observa.

O compromisso de concluir a sede

O envolvimento levou Evandro à diretoria e, em 2014, à presidência. Vacari precisava se afastar e o convidou para assumir a função.

Ao aceitar, Evandro estabeleceu um compromisso: permaneceria à disposição para ajudar a concluir o prédio. A construção estava bastante adiantada, mas ainda havia etapas importantes, incluindo detalhes de acabamento, pintura e a conclusão do quarto andar.

Vieram a busca por recursos, os convênios e o trabalho para viabilizar o que faltava. A promessa que parecia relacionada a uma etapa da obra acabou acompanhando os 12 anos de gestão.

- Continue lendo após o anúncio -

Segundo ele, a pintura externa, uma das últimas pendências, foi concluída entre o fim do ano passado e o início deste ano. A sede passou a representar, assim, o cumprimento daquele compromisso assumido quando chegou à presidência.

Isso não significa que o trabalho com a estrutura tenha terminado. Evandro compara a manutenção da associação à de uma casa: sempre haverá reparos, adaptações e novas necessidades.

“A gente sabe que é como uma casa. Tem coisas para fazer, sempre vai ter. Reformas, o dia a dia”, comenta.

Para ele, o prédio tem importância porque permite que o atendimento aconteça. É ali que famílias encontram serviços que muitas não teriam condições de custear, e onde crianças e adolescentes recebem acompanhamento de diferentes profissionais.

A decisão de abrir espaço para a renovação

A decisão de encerrar o ciclo na presidência foi comunicada à diretoria em meados do ano passado. Depois de mais de uma década na função, Evandro entendeu que era o momento de permitir a chegada de outras ideias e formas de conduzir o trabalho.

“Eu acho importante a gente fazer essa renovação. São novas ideias. Às vezes, tu achas que o que estás fazendo é o certo e não tens essa visão de fora”, explica.

A sucessão está sendo feita com alguém que já conhece a associação. Cleverson Ferreira Machado, seu sucessor, é atleta da bocha paralímpica, participa da entidade há bastante tempo e também é seu amigo pessoal.

Evandro diz que os dois conversaram sobre o trabalho e que confia na continuidade das ações. Ao mesmo tempo, reconhece que assumir a gestão exige conhecer uma rotina que nem sempre é visível para quem frequenta a instituição apenas nos horários de atendimento ou de treinamento.

“Uma coisa é você estar fora e vir para o atendimento. Outra coisa é estar aqui dentro para saber tudo o que se passa. A documentação é muita coisa”, relata.

Por isso, colocou-se à disposição para ajudar Cleverson no que for necessário durante a transição e depois dela. 

“Tenho certeza de que ele vai dar conta do recado”, afirma.

Atendimento gratuito para cerca de 70 famílias

No desfile cívico de 7 de setembro. Divulgação/PMBC

Ao olhar para o que a Afadefi construiu, Evandro destaca os resultados que aparecem na vida de quem passa pela entidade. São cerca de 70 famílias atendidas, com serviços como fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia e apoio pedagógico.

Ele conta que acompanhou crianças que chegaram muito pequenas, com importantes dificuldades motoras, e que, ao longo do trabalho, conquistaram passos, deslocamentos e novas possibilidades de participação no cotidiano.

“É muito gratificante. Crianças que chegaram aqui, que eu acompanhei com um ano e meio, dois anos, e hoje estão aí correndo, caminhando, graças ao trabalho dos nossos fisioterapeutas, das psicólogas, do nosso apoio pedagógico, da fono”, relata.

Todos os atendimentos oferecidos às famílias são gratuitos. Evandro ressalta que isso faz diferença especialmente para quem não tem plano de saúde ou recursos para manter uma rotina de terapias particulares.

Segundo ele, a associação costuma reunir as famílias no fim do ano e apresentar uma estimativa de quanto os serviços recebidos representariam se precisassem ser pagos. É uma forma de mostrar a dimensão do atendimento e do esforço necessário para mantê-lo.

Os convênios com a Prefeitura de Balneário Camboriú têm papel central nesse funcionamento. Conforme explica, a parceria para os atendimentos clínicos é voltada a crianças e adolescentes.

“Essas 70 famílias que nós atendemos hoje, é 100% gratuito. A gente sabe o custo que é uma fisioterapia, uma fono, uma psicóloga”, destaca.

A orientação para famílias de crianças e adolescentes com deficiência física que residem em Balneário Camboriú e precisam de apoio é procurar diretamente a associação, na Rua 1500. A equipe recebe a demanda e verifica as possibilidades de encaminhamento aos serviços.

O esporte ampliou os caminhos da associação

Equipe Afadefi no Parajasc 2025. Divulgação/Afadefi

O crescimento do paradesporto é outro marco que Evandro leva de sua passagem pela presidência. Ele lembra que, no início desse trabalho, a Afadefi contava com cerca de dez a 12 atletas. Hoje, considerando as diferentes modalidades, são quase 60.

Esse grupo não corresponde às 70 famílias dos atendimentos clínicos. Alguns atletas mais jovens também recebem esses serviços, mas o esporte alcança ainda participantes adultos.

Na avaliação de Evandro, o paradesporto ampliou a visibilidade da associação e levou o nome de Balneário Camboriú a competições dentro e fora do país. Gabriel, seu filho, teve destaque na bocha paralímpica, e o atletismo também ganhou espaço na trajetória da entidade.

“O paradesporto fez com que a Afadefi começasse a ter uma visão diferente, inclusive fora do Brasil”, afirma.

Durante a entrevista, ele citou a participação de um atleta da associação em uma competição no exterior como exemplo do alcance desse trabalho.

As conquistas esportivas, porém, não se resumem às medalhas. Evandro vê no esporte uma oportunidade para que pessoas com deficiência reconheçam suas capacidades, enfrentem desafios e ocupem espaços que antes pareciam distantes.

Também há acompanhamento psicológico aos paratletas. O trabalho inclui lidar com expectativas, resultados e frustrações, porque participar de uma competição nem sempre significa voltar com uma vitória.

“Você vai para uma competição achando que vai vencer, que vai levar uma medalha sempre, e as coisas não são assim”, observa.

De “não corre” a “corre, Suellen”

Ao falar sobre preconceito e autonomia, Evandro recorre a uma mudança que acompanha de perto: a forma como muitas famílias passaram a enxergar as possibilidades de seus filhos.

Ele avalia que houve avanços ao longo dos anos. Pessoas com deficiência estão mais presentes nas ruas, no comércio, nos supermercados e em atividades que antes eram limitadas tanto por barreiras externas quanto pelo medo ou pela vergonha dentro de casa.

“Eu acredito que hoje mudou muito. Esse é o trabalho da Afadefi, justamente fazer com que as pessoas mudem, que passem para os seus filhos que eles têm direito de ir e vir aonde quiserem”, afirma.

Evandro chama a atenção também para a superproteção. Na tentativa de evitar quedas, dificuldades ou sofrimento, familiares podem acabar impedindo experiências e conquistas possíveis.

Um dos exemplos que cita é o da atleta Suellen. Segundo ele, ela costuma contar que, quando era pequena, ouvia recomendações para não correr, porque poderia se machucar. Com a participação no esporte, o incentivo passou a ser outro.

“Hoje a mãe diz: ‘Corre, Suellen, corre’. Olha que bacana essa mudança”, relata. 

Para Evandro, ver uma criança participar de uma competição e voltar para casa com uma medalha tem um significado que ultrapassa o resultado esportivo: ela percebe que é capaz.

A autonomia também aparece nas pequenas ações do dia a dia. Ele lembra o caso de uma menina que não atravessava a rua sozinha e que, com o trabalho desenvolvido pela associação, conquistou essa possibilidade.

São mudanças que, para quem observa de fora, podem parecer simples, mas representam transformações importantes para a pessoa com deficiência e para toda a família.

Gabriel em treinamento de bocha, modalidade que já trouxe muitos títulos para Afadefi. Divulgação/Afadefi

A cidade melhorou, mas ainda impõe barreiras

Entre os desafios que permaneceram ao longo de toda a sua gestão, Evandro coloca a acessibilidade urbana. Na sua avaliação, Balneário Camboriú avançou, mas ainda precisa de atenção constante para que o direito de circular pela cidade seja efetivo.

Ele relata que a associação acompanha problemas e cobra soluções dos órgãos municipais. Muitas vezes, as dificuldades estão em situações básicas, como uma calçada executada de forma inadequada ou uma travessia que permite descer de um lado da rua, mas não oferece condições de subir do outro.

“Quantos lugares a gente vê uma faixa de segurança em que de um lado tem a descida e, do outro, é um cordão?”, questiona.

O olhar de quem convive diariamente com essas barreiras, explica, permite identificar erros ainda durante a execução de uma obra. Depois de pronta, a correção se torna mais difícil.

Por isso, defende que proprietários, responsáveis por obras e poder público busquem orientação antes de construir ou reformar.

“Primeiramente, eu acho que é conscientização. Se tu vais fazer uma calçada, procura orientação sobre o que é correto”, orienta.

Para ele, fiscalização e cobrança precisam estar acompanhadas de uma compreensão sobre como uma rampa, um desnível ou um obstáculo podem interferir na independência de alguém.

“Melhorou, mas nunca está 100%. Precisa sempre continuar tendo esse olhar”, resume.

Um micro-ônibus adaptado continua entre as prioridades

Se a sede representa um compromisso cumprido, o transporte adaptado permanece como uma conquista que Evandro ainda pretende ajudar a viabilizar.

A associação precisa de um veículo maior, com adaptação e conforto para os deslocamentos dos atletas. A demanda envolve competições no município, em outras cidades catarinenses e fora do estado.

Evandro lembra viagens para São Paulo, Porto Alegre e Curitiba e as dificuldades de enfrentar longos trajetos com a estrutura disponível.

“A gente sabe que eles já têm um pouco de dificuldade. Então tem que ter conforto numa viagem longa”, afirma.

A intenção é conseguir um micro-ônibus adaptado que permita organizar esses deslocamentos com mais autonomia. Ele reconhece o apoio recebido da Prefeitura e da Fundação Municipal de Esportes, mas observa que o poder público atende diversas instituições e demandas.

“Minha luta vai continuar para a gente conseguir um veículo adaptado”, garante.

O transporte também poderá servir às famílias em atividades externas da associação. Evandro explica que muitas não têm condições de arcar com deslocamentos para eventos ou passeios, o que acaba restringindo sua participação.

Mudança no local de treino deve ampliar a dificuldade

A necessidade de transporte ganha ainda mais importância diante de uma dificuldade apontada por Evandro para o próximo ano: segundo ele, o campo atualmente utilizado pelos atletas deixará de estar disponível, e os treinamentos precisarão ocorrer em Itajaí.

A mudança acrescentará deslocamentos à rotina de preparação, além das viagens já necessárias para as competições.

“Tu imaginas: foi um ano desafiador, com muito treinamento. O ano que vem vai ser mais ainda”, comenta.

Diante desse cenário, ele faz um apelo à participação dos empresários de Balneário Camboriú. A proposta é reunir apoios para a aquisição do veículo, com possibilidades de divulgação das empresas nas camisetas e no próprio micro-ônibus.

“Se cada um fizer um pouquinho, a gente pode resolver o problema”, afirma.

Evandro considera essa uma das principais necessidades da associação neste momento e pretende continuar mobilizado em torno dela, mesmo fora da presidência.

O valor de quem doa tempo

Ao longo da entrevista, Evandro retorna à importância do trabalho voluntário. Sua atuação na presidência não foi remunerada, e ele defende que a comunidade reconheça quem dedica tempo e energia à manutenção de instituições sociais.

“Valorizem as pessoas que são voluntárias. É uma pessoa que se doa para ajudar, por amor à causa”, diz.

A rotina exigiu presença, busca por recursos, acompanhamento de documentos, articulação de parcerias e atenção às necessidades de famílias e atletas. Agora, pretende dedicar mais tempo à família e aos netos, sem deixar de participar de ações em que possa contribuir. 

“Quem precisar de ajuda sabe que pode contar com o Evandro, independentemente da Afadefi”, afirma.

Ele também fez questão de agradecer aos profissionais, às famílias, aos apoiadores e ao poder público que participaram dessa trajetória. Destacou a importância da Prefeitura e da Fundação Municipal de Esportes para a presença dos atletas nas competições, especialmente diante dos custos de levar grupos para outros estados.

Ao Página 3 agradeceu pelo espaço concedido ao longo dos anos para divulgar atividades, campanhas e resultados esportivos da entidade. 

“Desde o início que eu assumi, sempre me abriram as portas para divulgar as nossas ações, os nossos atletas, as nossas viagens e competições”, recorda.

Ao deixar a presidência, Evandro diz carregar a sensação de dever cumprido e o conhecimento acumulado em 12 anos de trabalho. O vínculo que começou com a busca por fisioterapia para Gabriel permanece, agora em outra função. 

“Sou grato a todas as pessoas que me ajudaram. Que continuem ajudando a associação”, pede.

- publicidade -
Clique aqui para seguir o Página 3 no Instagram
Quer receber notícias do Página 3 no whatsapp? Entre em nosso grupo.
- publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas

https://securepubads.g.doubleclick.net/tag/js/gpt.js window.googletag = window.googletag || {cmd: []}; googletag.cmd.push(function() { googletag.defineSlot('/1102280/calhau', [300, 250], 'div-gpt-ad-1676059778060-0').addService(googletag.pubads()); googletag.pubads().enableSingleRequest(); googletag.pubads().collapseEmptyDivs(); googletag.enableServices(); });
googletag.cmd.push(function() { googletag.display('div-gpt-ad-1676059778060-0'); });
https://securepubads.g.doubleclick.net/tag/js/gpt.js window.googletag = window.googletag || {cmd: []}; googletag.cmd.push(function() { googletag.defineSlot('/1102280/calhau', [300, 250], 'div-gpt-ad-1676489239337-0').addService(googletag.pubads()); googletag.pubads().enableSingleRequest(); googletag.enableServices(); });
googletag.cmd.push(function() { googletag.display('div-gpt-ad-1676489239337-0'); });
https://securepubads.g.doubleclick.net/tag/js/gpt.js window.googletag = window.googletag || {cmd: []}; googletag.cmd.push(function() { googletag.defineSlot('/1102280/calhau', [300, 250], 'div-gpt-ad-1676489849713-0').addService(googletag.pubads()); googletag.pubads().enableSingleRequest(); googletag.enableServices(); });
googletag.cmd.push(function() { googletag.display('div-gpt-ad-1676489849713-0'); });
https://securepubads.g.doubleclick.net/tag/js/gpt.js window.googletag = window.googletag || {cmd: []}; googletag.cmd.push(function() { googletag.defineSlot('/1102280/calhau', [300, 250], 'div-gpt-ad-1676489898509-0').addService(googletag.pubads()); googletag.pubads().enableSingleRequest(); googletag.enableServices(); });
googletag.cmd.push(function() { googletag.display('div-gpt-ad-1676489898509-0'); });