Apesar de gratuito transporte coletivo de Balneário Camboriú é um fracasso de público

Menos de 1% da população usa os ônibus.

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Após 70 dias de funcionamento, o BC Bus, transporte coletivo gratuito de Balneário Camboriú é um fracasso de público, transportando menos de 1% da população.

Se fosse uma empresa privada e não mais uma tentativa com dinheiro público, estaria falindo.

Entre 12 de junho e 30 de agosto, o sistema transportou em média 2.214 passageiros por dia, ou 1.107 se considerar que as pessoas peguem o ônibus duas vezes, para ir e vir.

Os dados constam das planilhas fornecidas pela prefeitura ao Página 3, requisitadas com base na Lei de Acesso à Informação. 

No período de 70 dias o município pagou à Transpiedade, empresa contratada sem licitação, R$ 1,7 milhão -incluindo a fatura de agosto, que ainda não foi emitida, mas o valor deve ser semelhante ao de julho.

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Com isto, cada passageiro custa à cidade quase R$ 22,00 por dia, um custo que só seria reduzido se houvesse mais passageiros.

A planilha mostra a média de passageiros transportados no mês de agosto (Media1) e a quantidade de usuários (Média2) considerando a tese do uso do ônibus para ir e voltar.

Linha 1 N. Esperança – Hospital Unimed – 777 usuários/dia.

Linha 2 Estaleirinho – Hospital Unimed – 614 usuários/dia.

Linha 3 Iate Clube – Praia dos Amores – 24 usuários/dia.

Linha 4 Barra Sul – Praia dos Amores – 945 usuários/dia.

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A linha com maior público é a que liga a Barra Sul à Praia dos Amores, um trajeto semelhante ao extinto Bondindinho, que atendia principalmente idosos e turistas.

A linha Iate Clube – Praia dos Amores tem baixíssima adesão, os ônibus rodam quase vazios. 

Como o pagamento à concessionária é feito por quilômetro rodado, se os técnicos da prefeitura estudassem melhor as planilhas, poderiam constatar que é possível economizar remanejando linhas e horários. 

A quantidade irrisória de passageiros não desafoga o trânsito, provavelmente porque as linhas não levam com facilidade as pessoas onde elas precisam ir e os ônibus são demorados, passam mais ou menos de hora em hora, com exceção da linha Barra Sul – Praia dos Amores que é de meia em meia hora.

É facilmente percebido nas ruas que a maioria da população prefere andar de Uber, automóvel ou motocicleta, evitando os ônibus.

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A administração municipal nunca fez pesquisa sobre as necessidades de deslocamento da população e adotou o transporte público gratuito sem maiores estudos; portanto o resultado pode ser decorrente também dessa falta de projeto adequado.

Pesquisar as causas do fracasso do transporte coletivo gratuito seria relevante para o planejamento do futuro do município.

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