Uma Reunião Pública para debater a proposta que sugere declarar como Patrimônio Cultural e Imaterial do Município a pesca artesanal por arrasto do camarão sete-barbas, prática profundamente enraizada na história e na identidade da região sul, está marcada para sexta-feira (28), às 19h, na Casa Linhares, no Bairro da Barra.
O projeto de lei é de autoria dos vereadores Ciça Müller (PDT), Elizeu Pereira (MDB) e Bola Pereira (PSD). A população está convidada a participar e contribuir com o debate.
A proposta de reconhecimento destaca que a pesca artesanal do camarão sete-barbas representa muito mais do que uma atividade econômica: ela é expressão viva da identidade local, especialmente no bairro da Barra, berço histórico da cidade e guardião da tradição pesqueira.
Essa prática envolve saberes transmitidos oralmente entre gerações e preserva modos de vida que resistem ao avanço urbano e às transformações socioeconômicas.
O camarão sete-barbas é a principal espécie capturada pelas comunidades pesqueiras artesanais da região, especialmente após o período de defeso.
A atividade utiliza embarcações de pequeno porte, redes simples e forte participação familiar, configurando um modelo de pesca de baixo impacto ambiental, que contrasta com métodos industriais predatórios e reforça o manejo sustentável dos recursos marinhos.
Descascadeiras também
Dentro dessa cadeia produtiva, o projeto dá centralidade ao papel das “descascadeiras de camarão”, como se autodenominam as mulheres responsáveis pelo beneficiamento manual do produto.
São elas que realizam, com habilidade e precisão, a seleção, higienização, descasque e preparação do camarão que abastece feiras, mercados e a gastronomia local.
Apesar de fundamental, esse trabalho permaneceu invisibilidade por décadas, sendo hoje reconhecido como parte vital da cultura tradicional da Barra.
A proposta também institui o Dia Municipal da Descascadeira de Camarão, a ser celebrado em 7 de julho. A data integra simbolicamente o calendário da tradicional Festa dos Pescadores, reforçando o vínculo histórico e afetivo entre a comunidade, o mar e suas tradições. Trata-se de uma forma de valorização e reparação histórica às mulheres que preservam conhecimentos ancestrais essenciais à identidade cultural do município.
Para a vereadora Ciça Müller, a iniciativa marca um passo importante de reconhecimento: “Esse reconhecimento é uma forma de valorizar e procurar garantir o espaço para essa economia que vem do mar e que sustenta tantas famílias na região sul do município, em especial no Bairro da Barra”.
O projeto reforça ainda a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção das práticas tradicionais, reconhecendo que preservar a pesca artesanal é também garantir a continuidade de um modo de vida que moldou Balneário Camboriú e continua presente, conectando território, memória e comunidade.

