O calor extremo já é considerado a ameaça climática mais mortal do planeta, segundo as Nações Unidas. Atualmente, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso adequado à refrigeração, e esse número pode triplicar até 2050 caso nenhuma ação seja tomada.
Ondas de calor se caracterizam por uma sequência de ao menos três dias consecutivos com temperaturas máximas ou mínimas mais altas do que as esperadas para a mesma região e para a mesma época do ano. Estas têm se tornado cada vez mais frequentes, intensas e duradouras. As ondas de calor podem estar ligadas a ciclos climáticos naturais, mas podem também ter outras causas.
O aumento da duração, intensidade e frequência desse fenômeno climático refletem o acréscimo da temperatura média global decorrente da elevada emissão de gases do efeito estufa e é exacerbado, em parte, pelas ilhas de calor. As ilhas de calor ocorrem em áreas urbanas que aprisionam o calor e tornam a temperatura mais alta que os arredores.
A construção de prédios e a pavimentação das ruas fazem com que as superfícies urbanas absorvam mais radiação solar do que o solo e a vegetação. Logo, a falta de áreas verdes impede que as cidades liberem o excesso de calor por meio da evaporação e da transpiração das árvores.
A Espanha, por exemplo, enfrenta o calor extremo com um plano nacional com inúmeras iniciativas que incluem a criação de uma rede de abrigos climáticos (bibliotecas, centros cívicos) para proteger pessoas vulneráveis (crianças e idosos), adaptação de infraestruturas urbanas, campanhas de conscientização e prevenção de incêndios, além de medidas para combater secas e desinformação, transformando as ondas de calor em um “novo normal” devido às mudanças climáticas, que já causaram eventos históricos e mortes, especialmente em 2025.

Para entender como esse fenômeno afeta a vida cotidiana da população, está sendo realizada a pesquisa: “Entre o Sol e o Mar: Calor Extremo e Resiliência Climática na Zona Costeira de Santa Catarina”, coordenada pelo Prof. Dr. Marcus Polette e conduzida pelo Laboratório de Conservação e Gestão Costeira da Escola Politécnica da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) em parceria com o Io Tec Lab.
O estudo investiga como o calor extremo impacta áreas urbanas, comunidades vulneráveis e ambientes praiais, analisando tanto dados físicos (temperatura, ambiente construído) quanto a percepção das pessoas sobre o calor.
Em Balneário Camboriú, a pesquisa foca na região da Praia Central, buscando compreender como moradores e usuários percebem o aumento do calor e como isso se relaciona às ilhas de calor urbanas.
Em Itajaí, o estudo será realizado no bairro Cidade Nova onde também estão sendo medidas temperaturas externas e internas das residências em parceria com o Laboratório Io Tec da UNIVALI.
Além disso, a pesquisa traz uma abordagem inédita ao investigar a percepção do calor extremo diretamente no ambiente praial, em especial busca entender como os usuários das praias buscam enfrentar o calor extremo em um dos ambientes mais frequentados para o turismo no planeta.
As informações coletadas ajudarão a:
- identificar como o calor afeta moradores, turistas e usuários das praias;
- subsidiar políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas;
- apoiar estratégias para melhorar o conforto térmico e a qualidade de vida nas cidades costeiras.
Como participar
A participação é voluntária, rápida (leva poucos minutos) e totalmente anônima. O questionário busca ouvir especialmente moradores da Praia Central de Balneário Camboriú, mas toda contribuição é valiosa para compreender melhor os efeitos do calor na região.
Para participar, basta acessar o link: acesse aqui.
Responder à pesquisa é uma forma simples e direta de contribuir para que a ciência ajude a tornar nossas cidades mais preparadas, saudáveis e resilientes frente às mudanças climáticas.

