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As misteriosas pedras de Ica

O continente americano foi palco de inúmeras fraudes arqueológicas ao longo dos séculos XIX e XX. Muitos desses casos ganharam notoriedade mundial devido à ausência completa de estudos científicos em paralelo a aceitação social para o insólito. A década de 1970 em especial, foi bastante fértil nesse sentido. Impulsionada pelo sucesso de obras literárias que aproximavam teorias alienígenas ao passado humano, muitos casos ganharam espaço onde ainda não haviam evidências científicas disponíveis e comprováveis.

Um dos mais notórios “mistérios” pré-colombianos ocorreu na cidade de Ica (Peru) e ficou conhecido como O Mistério das Pedras de Ica. Hoje, olhando para o caso, ficamos a imaginar que nos tempos atuais ele jamais ganharia tamanha dimensão, devido a carga de improbabilidade que envolve o evento e até mesmo a uma forte dose de ingenuidade coletiva.

Em 1966, o médico peruano Javier Cabrera Darquea ganhou de um amigo em seu 42º aniversário, uma curiosa pedra cuja função seria a de servir como peso para papéis. Ocorre que nela, estava grafada a imagem de um animal pré-histórico. Como ele se interessava sobre assuntos da antiguidade, acabou adquirindo outras pedras que surgiram em anos posteriores, formando assim uma coleção.

Em meados de 1970, Cabrera possuía cerca de 10 mil objetos curiosos. Em sua maioria pedras com desenhos de dinossauros em guerra com humanos. Tudo podia ser visto como uma brincadeira curiosa se não fosse a credibilidade de Cabrera, que escreveu o livro A Mensagem das Pedras Gravadas de Ica (1976), onde expunha suas ideias sobre a pré-história terrestre, coabitada por humanos e dinossauros. Além dessas cenas, elas mostravam também humanoides usando aparatos tecnológicos avançados e realizando transplantes de órgãos. A maior parte dos objetos foram levados até Cabrera pelo fazendeiro Basílio Uschuya, que alegava tê-las encontrado no deserto ou sob a terra. Com o tempo, provavelmente incentivados pela compra das pedras, outros moradores locais surgiram com mais objetos. A óbvia farsa começou a ruir quando as autoridades peruanas ameaçaram prender Uschuya alegando contrabando de peças arqueológicas. Diante da ameaça, ele revelou que os objetos eram falsos e que ele mesma as fazia com uma broca elétrica, “copiando desenhos de livros e histórias em quadrinhos”.

Estudos feitos por Neil Steede (arqueólogo da Early Sites Research Socity), provaram a óbvia falsidade das “antiguidades”, o que não impediu os moradores de Ica continuarem a fabricar suas pedras como suvenir a turistas. Embora hoje ninguém mais leve a sério a coleção do já falecido Drº Cabrera, ela continua exposta em um prédio da cidade sob o pomposo nome Museo Científico Javier Cabrera.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (https://clubedeautores.com.br/livros/autores/dalton-delfini-maziero)

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Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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